Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe/Brasil, é graduado em Radialismo pela mesma universidade Federal. É especialista e tem interesses de pesquisas e estudos em Cinema (sobretudo, o brasileiro), Política e Pornografia.

Artigos deste autor:

Cinema
Wesley Pereira de Castro

Afinal, ‘qu’est-ce que la prévisibilité?’ (algumas notas sobre Cannes 2021)

Na transmissão das láureas mais aguardadas, no início da noite de sábado, 17 de julho, o presidente do Júri Oficial, o cineasta estadunidense Spike Lee, quebrou o protocolo e anunciou precipitadamente o título do filme a receber a Palma de Ouro: “Titane” (2021, de Julia Ducournau). Não se sabe se acidental ou intencionalmente, mas o importante é que esta foi apenas a segunda vez, na história do festival, em que uma diretora recebe este prêmio.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“É preciso falar seriamente sobre o problema da morte” ou de quando chorar durante uma resenha é indicativo de resistência…

Ainda que pareçam imediatamente disassociados, há pontos de intersecção possíveis entre o primeiro (e magistral) longa-metragem de Júlio Calasso Jr. e a situação desoladora em que encontra-se o Brasil atual: “Longo Caminho da Morte” (1971) revela-se um título profético – porque mui historicizado – para compreendermos a gestação diuturna do ódio político no contexto hodierno. O bolsonarismo advoga a morte; Júlio Calasso Jr. diagnosticou a origem longeva deste processo.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

Título não autorizado nº2

Urge recomendarmos um filme romeno que aborda algumas questões através de um necessário filtro político, evidenciando que tudo o que fazemos – até mesmo na esfera privada – possui repercussões públicas, podendo desencadear violências e agressões: dirigido pelo estreante Eugen Jebeleanu, Câmp de Maci [2020, traduzido internacionalmente como “Poppy Field” (“Campo de Papoulas”)] traz à tona reflexões morais que ultrapassam a identificação imediata com as causas homossexuais. Fala sobre um tipo de repressão que, a partir do fingimento “corretivo”, destroça toda a sociedade.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

Tu já viste algum filme da cineasta Esfir Shub? Se não, sabes o porquê?

No livro “Introdução ao Documentário”, de Bill Nichols, a diretora e montadora é entusiasticamente citada, como uma representante mui laudatória do que o autor chama de “documentário expositivo”, que seria aquele tipo de filme que “agrupa fragmentos do mundo histórico numa estrutura mais retórica ou argumentativa do que estética ou política”. Não por acaso, houve quem rejeitasse o tipo de filme realizado por Esfir Shub, em razão de seu viés ostensivamente propagandístico. ..

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Infelizmente, os policiais não conseguem resolver nada utilizando poderes mágicos”: leiamos nas entrelinhas, urgentemente!

Em termos proporcionais, há um fosso considerável entre aquilo que fundamentou a ascensão do Nazismo, por exemplo, e a instalação do bolsonarismo no Brasil. Os parâmetros pretensamente intelectuais são radicalmente distintos, mas os aspectos em comum também destacam-se. Sobretudo no aproveitamento paranóico dos apanágios econômicos da contemporaneidade: a inflação acachapante dos preços segue assombrando os brasileiros. O desemprego, idem.

Ler Artigo »
Arte
Wesley Pereira de Castro

“La gente purtroppo parla/ Non sa di che cosa parla”: algumas notas sobre (quem venceu) o Eurovision 2021

A fim de comprovar que a vitória dos italianos não foi imerecida, convém ouvirmos o recém-lançado álbum da banda, “Teatro d’Ira: Vol. 1”, cuja faixa inicial é justamente a laureada “Zitti i Buoni”. Seus acordes agressivos demonstram a vitalidade dos quatro integrantes, com destaque para o vocalista Damiano David, então com vinte e dois anos de idade. Curiosamente, os petardos contidos na letra da canção adequam-se à controvérsia que seguiu-se à vitória da banda, quando o referido vocalista foi acusado de cheirar cocaína durante o evento, o que foi negado após a efetivação de alguns testes de sangue.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

Sobre um quê de brasilidade: “eu não entendo como um cristão percorre léguas e léguas com o bico fechado”…

Quando pensamos nas artes brasileiras, o orgulho nacional reinstala-se: a música produzida neste país é mundialmente conhecida e sua literatura e cinema também possui inúmeros representantes egrégios. Falaremos sobre as duas últimas categorias, a partir da análise de uma eficiente adaptação cinematográfica para um conhecido romance local, “Inocência”, publicado em 1872 pelo Visconde de Taunay [1843-1899].

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

Diálogo com o público: “Para que o povo lute, ele precisa saber que houve quem lutasse antes”!

Apesar de ser o protagonista do filme que leva seu título, Carlos Marighella não vive isolado. Pelo contrário: é cercado de jovens motivados – e atravessados por inevitáveis contradições sociais –, que o ajudam a pôr em prática os seus ataques contra a violência ditatorial. Porém, o filme parece duvidar da melhor abordagem ativista: por vezes, adere às táticas de guerrilha baseadas na lógica do “olho por olho, dente por dente”; na grande maioria das cenas, opta por digressões familiares que não funcionam a contento.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“É complicado”, eles repetem: “a heroína alivia um pouco a dor, mas tudo volta depois, pior que antes”!

Conforme o próprio título deixa evidente, conheceremos um pouco dos percalços envolvendo a trajetória artística da cantora Billie Holiday [1915-1959], que faleceu aos 44 anos de idade, em decorrência de complicações da cirrose, após uma vida trágica e uso contínuo de opiáceos. Entretanto, conforme percebemos no mesmo título, a abordagem jornalístico-judicial sobrepuja-se aos demais aspectos biográficos, de modo que, mais uma vez, escolhe-se uma imponente personalidade negra como coadjuvante de sua própria história…

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

De quando a realidade nos invade, e algumas descobertas ritmadas progridem…

Surgido no curta-metragem confessional “Feio, Velho e Ruim” (2015) e interpretado pelo próprio Marcus Curvelo, Joder Oliveira Carvalho possui não apenas sobrenome, como também um Cadastro de Pessoa Física. E ele retorna em mais de um filme, de modo que protagoniza, como elemento de uma disrupção psicanalítica, o primeiro (e ótimo) longa-metragem do diretor, “Eu, Empresa” (2021, co-dirigido por Leon Sampaio), que diagnostica brilhantemente as aflições socioeconômicas da contemporaneidade…

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

O que ainda podemos fazer para tornar a nossa civilização menos desumana?

Após a promulgação do Ato Institucional número 5, em 13 de dezembro de 1968, que restringiu a liberdade dos cidadãos brasileiros na fase mais cruel da ditadura militar que governou o país por vinte e um anos, os idealizadores da Belair são intimidados, de modo que precisam refugiar-se em países estrangeiros. E, sob essas condições atordoadas, foi realizado, entre outras obras, “Memórias de um Estrangulador de Loiras”, considerado inacessível por muito tempo …

Ler Artigo »
Arte
Wesley Pereira de Castro

“O pior não é pertencer ao Sistema, mas ser ignorado por ele”: eu comento ou vocês comentam?

Não obstante já ter sido exibido no Festival de Veneza e de receber a atenção positiva de alguns críticos, este filme surge quase como um contra-exemplo nessa lista, havendo a possibilidade de ele ser tão desprestigiado pelo público, com o passar do tempo, quanto os títulos mencionados no primeiro parágrafo. Afinal, é um filme que não sustenta as intenções pretensamente denuncistas do pasticho greenawayniano de seu roteiro: chega a parecer uma comédia involuntária, em mais de um momento!

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Não escute os poços. Eles são traiçoeiros”: uma ou outra palavra sobre a Memória enquanto resistência…

Analisando-se “A Voz da Lua” (1990, de Federico Fellini) hoje, num contexto muito diferente da era em que foi realizado, percebemos o quanto o diretor parecia clamar por algo que, por mais óbvio que estivesse, não foi bem compreendido durante o lançamento: os admiradores do realizador esperavam encontrar no filme a confirmação de seus apanágios autorais, mas depararam-se também com um enredo que tematiza metaforicamente as derrotas recorrentes da esquerda política…

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

Em qual situação “um distintivo é mais assustador que uma arma”? Pensaram no racismo?

A biografia do líder dos Panteras Negras no Estado de Illinois é contada numa narrativa que mescla o gênero policial com os rompantes de drama familiar. O protagonista é personificado com uma intensidade mui aplaudível, de maneira que todo e qualquer prêmio que Daniel Kaluuya receber por este papel é deveras merecido. Mas a contrapartida actancial de Lakeith Stanfield é ainda mais drástica: afinal, ele interpreta alguém que está interpretando um papel, de modo que o agente do FBI Roy Mitchell (Jesse Plemons) chega a comentar, após observar o seu comportamento gregário: “tua interpretação merece um Oscar”.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“De que serve um criado sem patrão?” (lições fílmicas de oportunismo capitalista)

Adaptado a partir de um romance do escritor indiano Aravid Andiga, “O Tigre Branco” possui muitas similaridades rítmicas com os filmes do cineasta britânico Danny Boyle, tanto que, em determinado momento, faz uma emulação distintiva de caráter chistoso, quando o protagonista declara que não participou de nenhum programa televisivo de perguntas e respostas para poder modificar o seu destino…

Ler Artigo »

LOGIN

REGISTAR