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Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe/Brasil, é graduado em Radialismo e Jornalismo pela mesma universidade Federal. É especialista e tem interesses de pesquisas e estudos em Cinema (sobretudo, o brasileiro), Política e Pornografia. Filiado à Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema.

Artigos deste autor:

Cinema
Wesley Pereira de Castro

“A Bahia está órfã – e a cabeça branca vai rolar!”, ou de quando o cinema combate (e contamina-nos com o mais sincero afeto)

Há amores que surgem da revolta, da necessidade de reagir à malevolência. É o que se pode dizer, para alguns, do violentíssimo curta-metragem “O Fim do Homem Cordial” (2004, de Daniel Lisboa), que dura menos de três minutos, mas causou um rebuliço no panorama nordestino brasileiro, quando lançado. O título, aliás, faz referência a um conceito adotado pelo historiador e sociólogo brasileiro Sérgio Buarque de Holanda [1902-1982], no livro “Raízes do Brasil”, que serviu como compreensão expandida para traços de personalidade que se associaram ao “jeitinho brasileiro”, como a generosidade, o caráter hospitaleiro e as emoções excessivas. Isto explica a sujeição ao colonialismo?

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Saúde, 10; Educação, zero. Média 5. Aprovado!”. Ou de como o cinema de guerrilha conquista espaço…

Por muito tempo, a versão integral de “Um é Pouco, Dois é Bom” (1970, de Odilon Lopez), primeiro longa-metragem gaúcho dirigido por um negro, esteve indisponível para os espectadores brasileiros. Graças a uma restauração completada em 2024, por uma equipe de profissionais cinematográficos abnegados, o filme está prestes a encontrar novas platéias, tal como aconteceu na noite de 24 de abril de 2026, quando ele foi exibido na cerimônia de abertura da segunda edição da Mostra Quarta Parede, organizada por estudantes vinculados à Universidade Federal de Sergipe.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Eu não posso te amar se eu não conseguir te admirar”, diz ela; para ele, basta “fazer sexo todas as noites”…

Baseado num romance homônimo de Philippe Djian, publicado em 1985, “Betty Blue”, expõe a progressiva degradação psicológica da personagem-título, que, em sua obsessão compulsiva por Zorg, enlouquece, após alegar que “a vida está contra ela”. Como o filme é narrado por Zorg, Betty torna-se uma coadjuvante em seu próprio enredo, objetificada, condenada a servir de musa alucinada para o namorado, cujas habilidades para a literatura são finalmente reconhecidas. Consultando-se a biografia do autor, notamos algumas convergências quanto ao que acontece a Zorg. Betty, assim, converte-se na metonímia ideal da “ex louca”, que muitos homens heterossexuais utilizam para justificar atitudes impetuosas ou pretensamente traumáticas. Betty, por sua vez, é sufocada – literalmente!

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Aos domingos, era diferente…”: ou de quando o mínimo, na realidade, converte-se em fantasia!

Tu já ouviste falar de um média-metragem porto-riquenho chamado “Modesta” (1956, de Benjamin Doniger), sobre a criação espontânea da LML (Liga das Mulheres Liberadas), no interior de uma região insular? No roteiro, as esposas do bairro Sonadora, no município de Guaynabo, cansadas de serem maltratadas por seus maridos, reúnem-se e exigem tratamentos básicos, como os direitos de não serem espancadas e de receberem o auxílio de seus companheiros na educação dos filhos. Isto não deveria ser algo elementar num matrimônio?

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

É menos pior chegar atrasado que faltar? (ou de como lidar com a falta induzida de assunto)

Se tu moras na região metropolitana da capital do menor Estado do Brasil, convido-te a comparecer nas sessões da “Mostra Cinematográfica de Cinema e História: o Oscar® e o ‘Zeitgeist’”, cujas inscrições estão abertas no sistema SIGAA da Universidade Federal de Sergipe; se tu não moras, reitero o pedido de todas as semanas: conversemos, puxem assuntos, questionem o que está publicado, tragam novas contribuições dialogísticas para a esfera pública.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Perder-nos-emos nesse tempo? (ou daquilo que um filme nos faz sentir e pensar…)

O ótimo filme “A Noite Amarela” (2019, de Ramon Porto Mota), produzido antes da pandemia de COVID-19, que dividiu o primeiro quartel do Século XXI em períodos radicalmente distintos, exibe de maneira involuntariamente nostálgica como os jovens se divertiam em Campina Grande, cidade paraibana. A fim de celebrarem o fim do Ensino Médio, um grupo de sete adolescentes, com sexualidades múltiplas, resolve passar alguns dias na casa do avô de uma delas, Mônica (Ana Rita Gurgel), quando coisas estranhas começam a acontecer…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Este é o prenúncio de uma revolução. Impressione-me!”, ou ainda sobre (e finalmente) o Oscar 2026…

Conforme alguns esperavam, “Uma Batalha Após a Outra” (2025) consagrou-se como o grande vencedor da nonagésima oitava cerimônia do Oscar, ocorrida em 15 de março de 2026: o filme foi laureado em seis dentre as treze categorias em que esteve indicado. O diretor Paul Thomas Anderson – bastante celebrado pela crítica especializada, desde os lançamentos de “Boogie Night – Prazer Sem Limites” (1997) e “Magnólia” (1999), respectivamente, seus segundo e terceiro longas-metragens – confirmou a sua predileção por personagens socialmente deslocados e carentes de afeto, ainda que tenha efetivado algumas concessões narrativas, a fim demonstrar-se acessível às grandes platéias. Optou pela temática familiar, adaptando de maneira livre o romance “Vineland”, publicado em 1990 pelo escritor iconoclasta Thomas Pynchon.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Os branquelos adoram ‘blues’, mas não gostam de quem criou esse tipo de música”, ou de quando o filme mais indicado não é precisamente o favorito…

O título do filme “Pecadores” (2025, de Ryan Coogler), confirmando uma predicação do pastor Jedidiah, possui interessante conotação crítica, no sentido de que a religião imposta como falsa apaziguadora de conflitos surge como motivação para as atitudes dos vilões, sendo mui representativo o instante em que Samuel, a fim de livrar-se de um ataque vampiresco, começa a rezar o Pai-Nosso, e surpreende-se ao perceber que o agressivo Remmick (Jack O’Connell), de origem irlandesa, completa a oração, dizendo que este foi o ensinamento que os invasores de seu povo impuseram-lhe à força. Que este personagem seja um vampiro perseguido por nativos indígenas e desejoso de apropriar-se da musicalidade negra é algo deveras significativo!

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Não peças a teu pai algo que eu já te neguei”: acerca da experiência esquizofrênica de ser mãe em tempo mais que integral!

Produzido, entre outros, pelo cineasta Josh Safdie – o que explica a adesão à temática da ansiedade no enredo –, “Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria” traz à tona uma questão assaz recorrente na contemporaneidade, em termos de percepção de algo que esteve invisibilizado por muito tempo: o esgotamento físico e emocional das mães dedicadas a filhos que carecem de cuidados especais – e que ainda são cobradas por isso!

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Até quando a dor é nossa amiga? Um relato íntimo, a partir de um filme de terror gráfico francês…

Associado estilisticamente ao subgênero extremo dos filmes de terror franceses contemporâneos – que rendeu produções tão polêmicas quanto impactantes, como “Alta Tensão” (2003, de Alexandre Aja), “Mártires” (2008, de Pascal Laugier) e “Grave” (2016, de Julia Ducournau) –, “Em Minha Pele” (2002, de Marina de Van) possui várias situações em que enxergamos os ambientes através do olhar de Esther (a seqüência do supermercado, por exemplo, ou o desfecho, num quarto de hotel), de modo que o filme reproduz o enfado existente no cotidiano empregatício da protagonista, a fim de converter-se em perturbador, enquanto acompanhamos os sangramentos continuados de Esther: as reuniões parecem intermináveis, tanto quanto os instantes mais sanguinolentos.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Às vezes, mesmo quando tu perdes, és o vencedor” ou “de onde eu venho, é cada um por si”: reconhecem a lógica nacional cinematográfica embutida nestas frases?

Dirigindo sem a cooperação de seu irmão Benny Safdie – cuja interrupção súbita de uma parceria longeva está envolta em diversas polêmicas –, o realizador de “Marty Supreme” (2025) confirma um frenesi rítmico associado à ansiedade progressiva e incessante, recorrente em obras como “Bom Comportamento” (2017) e “Jóias Brutas” (2019), bastante elogiadas pela crítica especializada. Porém, este elemento autoral revela um descompasso entre a direção eficiente e o roteiro escrito em comunhão com o parceiro habitual Ronald Bronstein: os atores gritam o tempo inteiro e isto faz com que não se perceba que as conseqüências de seus atos não são tão cumulativas quanto deveriam.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Tu tens medo das garotas do Instituto?”, ou de como se estabelece a autoria…

Numa abordagem sobremaneira sensível e repleta de inserções orgânicas de discussões sobre o feminismo, experimentado na práxis, Márta Mészáros chamou positivamente a atenção de quem conseguiu ter acesso à sua obra, então subjugada pelas limitações de circulação advindas da Guerra Fria. Até que ela vence o Urso de Ouro em Berlim com “Adoção” (1975), quiçá o seu filme mais célebre, e é sobre ele que falaremos a partir de agora, visto que, mais uma vez, como o próprio título antecipa, uma abordagem centrada no abandono familiar é posta em primeiro plano. Neste caso, o encontro entre Kata (Katalin Berek) – uma funcionária de fábrica com mais de quarenta anos de idade, que deseja ter um filho – e Anna (Gyöngyvér Vigh) – interna de um instituto público que namora um rapaz da cidade, sem o consentimento de seus pais – estimulará uma reflexão sobre reconexões afetivas, num filme que evita a tendência hollywoodiana ao melodrama, ainda que a trama possua diversos elementos que poderia conduzir a isto…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Em termos audiovisuais, 2026 começou muito bem: surgiram os primeiros filmes brasileiros do ano!

Entre os dias 23 e 31 de janeiro de 2026, aconteceu a vigésima nona edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais. Trata-se do evento que inaugura as premiações cinematográficas no Brasil e é quando somos apresentados a títulos que, mesmo que não consigam ser distribuídos comercialmente, tendem a ser mencionados nas listas de melhores do ano dos mais renomados críticos do país, por conta da vinculação/requisição persistente à autoralidade.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Eu só queria sentir a magia do Sol em mim”: de como pode ser consolador imaginar baratas fazendo música no lixão…

Estreado no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em outubro de 2025, reprisado numa seção destinada às crianças, na Mostra de Cinema de Tiradentes, e selecionado para participar do Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 2026, o longa-metragem “Papaya” (2025, de Priscilla Kellen) encanta-nos pelo modo como estende uma situação bastante simples – a trajetória de uma semente de mamão, do instante em que cai no chão até a sua reencarnação enquanto inseto alado –, a fim de denunciar os efeitos destrutivos do agronegócio e valorizar os esforços individuais na persecução de um sonho.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

‘Almost no surprises!’: saíram as indicações ao Oscar 2026. E daí?

A divulgação dos indicados ao Oscar 2026, ocorrida em 22 de janeiro de 2026, despertou expectativas nos brasileiros, acerca de quais categorias o longa-metragem “O Agente Secreto” (2025, de Kleber Mendonça Filho) seria lembrado. Celebramos o feito, em termos industriais, para o cinema nacional, visto que a produção brasileira foi nomeada em quatro categorias [Filme, Ator (Wagner Moura), Filme Internacional e a recém-criada Seleção de Elenco]. Porém, conforme esperado, os filmes mais celebrados foram as produções estadunidenses “Pecadores” (2025, de Ryan Coogler) – com o recorde de dezesseis indicações – e “Uma Batalha Após a Outra” (2025, de Paul Thomas Anderson), nomeado a treze categorias, além do vencedor de Globo de Ouro – Drama, “Hamnet – A Vida Antes de Hamlet” (2025, de Chloe Zhao), com oito indicações. Tudo indica que a concessão do principal prêmio da noite acontecerá entre um desses três filmes, que já foram sobremaneira reconhecidos em premiações anteriores.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Cuidado, nem todo mundo que te faz um afago gosta de ti”, ou de quantos Brasis existem dentro do cinema brasileiro…

Recebedor do prêmio Novos Olhares, no Festival Internacional de Curitiba Olhar de Cinema, “Idade da Pedra” (2024) dá continuidade aos experimentos narrativos e discursivos que o diretor Renan Rovida empreendera em “Pão e Gente” (2021), a saber, a musicalidade brechtiana, a exortação de esforços coletivos no enfrentamento ao Capitalismo e o aproveitamento actancial de um elenco, que ele próprio encabeça como ator, que possui vasta experiência teatral. Se, na produção anterior, a influência do dramaturgo alemão era mais explícita, nesta mais recente produção, há um flerte com as temáticas e intenções do chamado Cinema Marginal. Porém, há algo de excessivamente “limpo” no tratamento das imagens e situações, não obstante os personagens comumente revolverem o lixo.

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Música
Wesley Pereira de Castro

Recomendação musical de um aniversariante perpetuamente apaixonado pela violência dos paradoxos da vida: “o telefone nunca mais tocou/ Cadê você?”

Depois de assistir a um clássico hollywoodiano [“A Fonte dos Desejos” (1954, de Jean Negulesco)] que serviu como metonímia para a mudança de ciclo em questão, no que tange à percepção de que dificuldades românticas são enfrentadas com diálogo e apoio mútuo, o articulista refletiu acerca do que escrever em sua coluna semanal. E lembrou de um álbum brasileiro que mexeu bastante com seus sentimentos, de modo que faz questão de recomendá-lo publicamente. Trata-se de “Viver e Morrer de Amor na América Latina”, do pernambucano Johnny Hooker, lançado em 5 de dezembro de 2025.

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Cultura
Wesley Pereira de Castro

“- Vai tudo acabar numa grande orgia, como o final de ‘Matrix’? – Não… A não ser que tu queiras!”: a propósito de uma telessérie e o eterno recomeço audiovisual

Atualizando as referências esperadas a clássicos da ficção científica [“Vampiros de Almas” 1956, de Don Siegel) e “No Mundo de 2020” (1973, de Richard Fleischer), à frente], o roteiro da série “Pluribus” surpreende pelo modo como mantém a atenção do espectador ativa, sem subestimar a nossa inteligência, mesmo em episódios em que apenas Carol está em cena, enfrentando uma solidão crônica, agravada por problemas decorrentes de sua sujeição passada ao vício em substâncias tóxicas e ao trauma de uma tentativa de suicídio. Pouco a pouco, o ponto de partida científico será a deixa para valiosas reflexões dramáticas e para um questionamento político sobre o que nos caracteriza enquanto indivíduos e se é defensável a supressão do livre-arbítrio, quando isto nos leva a cometer erros graves.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Uma dica de filme, de livro e talvez uma música: nas tradições de final de ano, o que acontece quando “o filme termina e a realidade continua”?

Sendo este o derradeiro texto desta coluna, em 2025, era esperado que, tal como acontece na quase totalidade dos veículos de comunicação, dedicássemo-nos a uma retrospectiva de lançamentos do ano em questão. Ao invés disso, permitir-nos-emos uma leve subversão: que tal indicar um livro que fala obsessivamente sobre um filme que, por sua vez, foi baseado em dolorosos eventos reais? A sanha por estarmos permanentemente atualizados acerca das novidades artísticas e audiovisuais eventualmente faz com que obliteremos um aspecto básico: há muito a conhecer sobre produtos de anos anteriores, que merecem ser descobertos…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Assim na Romênia como no Brasil — Parte 2: “Não brinque com isto. Os comunistas mataram milhões”?

O cinema permite que os debates sejam continuados através do desenvolvimento dos enredos, de modo que uma obra como “Kontinental ‘25” (2025), do cineasta romeno Radu Jude, surge como contraponto delicado: o seu diretor é conhecido pelo uso da ironia e da sátira, na exposição das contradições acachapantes de seu país natal e, nesta obra em particular, parte de um clássico de Roberto Rossellini [1906-1977], “Europa ‘51” (1952), sobre a esposa de um industrial que, deveras alienada quanto às condições sociais dos empregados de seu marido, torna-se uma ativista, depois que seu filho adolescente comete suicídio. No filme antigo, as boas intenções da protagonista correspondem a uma espécie de santificação compensatória. No filme contemporâneo, acontece exatamente o contrário…

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