Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe/Brasil, é graduado em Radialismo pela mesma universidade Federal. É especialista e tem interesses de pesquisas e estudos em Cinema (sobretudo, o brasileiro), Política e Pornografia.

Artigos deste autor:

Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Infelizmente, os policiais não conseguem resolver nada utilizando poderes mágicos”: leiamos nas entrelinhas, urgentemente!

Em termos proporcionais, há um fosso considerável entre aquilo que fundamentou a ascensão do Nazismo, por exemplo, e a instalação do bolsonarismo no Brasil. Os parâmetros pretensamente intelectuais são radicalmente distintos, mas os aspectos em comum também destacam-se. Sobretudo no aproveitamento paranóico dos apanágios econômicos da contemporaneidade: a inflação acachapante dos preços segue assombrando os brasileiros. O desemprego, idem.

Ler Artigo »
Arte
Wesley Pereira de Castro

“La gente purtroppo parla/ Non sa di che cosa parla”: algumas notas sobre (quem venceu) o Eurovision 2021

A fim de comprovar que a vitória dos italianos não foi imerecida, convém ouvirmos o recém-lançado álbum da banda, “Teatro d’Ira: Vol. 1”, cuja faixa inicial é justamente a laureada “Zitti i Buoni”. Seus acordes agressivos demonstram a vitalidade dos quatro integrantes, com destaque para o vocalista Damiano David, então com vinte e dois anos de idade. Curiosamente, os petardos contidos na letra da canção adequam-se à controvérsia que seguiu-se à vitória da banda, quando o referido vocalista foi acusado de cheirar cocaína durante o evento, o que foi negado após a efetivação de alguns testes de sangue.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

Sobre um quê de brasilidade: “eu não entendo como um cristão percorre léguas e léguas com o bico fechado”…

Quando pensamos nas artes brasileiras, o orgulho nacional reinstala-se: a música produzida neste país é mundialmente conhecida e sua literatura e cinema também possui inúmeros representantes egrégios. Falaremos sobre as duas últimas categorias, a partir da análise de uma eficiente adaptação cinematográfica para um conhecido romance local, “Inocência”, publicado em 1872 pelo Visconde de Taunay [1843-1899].

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

Diálogo com o público: “Para que o povo lute, ele precisa saber que houve quem lutasse antes”!

Apesar de ser o protagonista do filme que leva seu título, Carlos Marighella não vive isolado. Pelo contrário: é cercado de jovens motivados – e atravessados por inevitáveis contradições sociais –, que o ajudam a pôr em prática os seus ataques contra a violência ditatorial. Porém, o filme parece duvidar da melhor abordagem ativista: por vezes, adere às táticas de guerrilha baseadas na lógica do “olho por olho, dente por dente”; na grande maioria das cenas, opta por digressões familiares que não funcionam a contento.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“É complicado”, eles repetem: “a heroína alivia um pouco a dor, mas tudo volta depois, pior que antes”!

Conforme o próprio título deixa evidente, conheceremos um pouco dos percalços envolvendo a trajetória artística da cantora Billie Holiday [1915-1959], que faleceu aos 44 anos de idade, em decorrência de complicações da cirrose, após uma vida trágica e uso contínuo de opiáceos. Entretanto, conforme percebemos no mesmo título, a abordagem jornalístico-judicial sobrepuja-se aos demais aspectos biográficos, de modo que, mais uma vez, escolhe-se uma imponente personalidade negra como coadjuvante de sua própria história…

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

De quando a realidade nos invade, e algumas descobertas ritmadas progridem…

Surgido no curta-metragem confessional “Feio, Velho e Ruim” (2015) e interpretado pelo próprio Marcus Curvelo, Joder Oliveira Carvalho possui não apenas sobrenome, como também um Cadastro de Pessoa Física. E ele retorna em mais de um filme, de modo que protagoniza, como elemento de uma disrupção psicanalítica, o primeiro (e ótimo) longa-metragem do diretor, “Eu, Empresa” (2021, co-dirigido por Leon Sampaio), que diagnostica brilhantemente as aflições socioeconômicas da contemporaneidade…

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

O que ainda podemos fazer para tornar a nossa civilização menos desumana?

Após a promulgação do Ato Institucional número 5, em 13 de dezembro de 1968, que restringiu a liberdade dos cidadãos brasileiros na fase mais cruel da ditadura militar que governou o país por vinte e um anos, os idealizadores da Belair são intimidados, de modo que precisam refugiar-se em países estrangeiros. E, sob essas condições atordoadas, foi realizado, entre outras obras, “Memórias de um Estrangulador de Loiras”, considerado inacessível por muito tempo …

Ler Artigo »
Arte
Wesley Pereira de Castro

“O pior não é pertencer ao Sistema, mas ser ignorado por ele”: eu comento ou vocês comentam?

Não obstante já ter sido exibido no Festival de Veneza e de receber a atenção positiva de alguns críticos, este filme surge quase como um contra-exemplo nessa lista, havendo a possibilidade de ele ser tão desprestigiado pelo público, com o passar do tempo, quanto os títulos mencionados no primeiro parágrafo. Afinal, é um filme que não sustenta as intenções pretensamente denuncistas do pasticho greenawayniano de seu roteiro: chega a parecer uma comédia involuntária, em mais de um momento!

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Não escute os poços. Eles são traiçoeiros”: uma ou outra palavra sobre a Memória enquanto resistência…

Analisando-se “A Voz da Lua” (1990, de Federico Fellini) hoje, num contexto muito diferente da era em que foi realizado, percebemos o quanto o diretor parecia clamar por algo que, por mais óbvio que estivesse, não foi bem compreendido durante o lançamento: os admiradores do realizador esperavam encontrar no filme a confirmação de seus apanágios autorais, mas depararam-se também com um enredo que tematiza metaforicamente as derrotas recorrentes da esquerda política…

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

Em qual situação “um distintivo é mais assustador que uma arma”? Pensaram no racismo?

A biografia do líder dos Panteras Negras no Estado de Illinois é contada numa narrativa que mescla o gênero policial com os rompantes de drama familiar. O protagonista é personificado com uma intensidade mui aplaudível, de maneira que todo e qualquer prêmio que Daniel Kaluuya receber por este papel é deveras merecido. Mas a contrapartida actancial de Lakeith Stanfield é ainda mais drástica: afinal, ele interpreta alguém que está interpretando um papel, de modo que o agente do FBI Roy Mitchell (Jesse Plemons) chega a comentar, após observar o seu comportamento gregário: “tua interpretação merece um Oscar”.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“De que serve um criado sem patrão?” (lições fílmicas de oportunismo capitalista)

Adaptado a partir de um romance do escritor indiano Aravid Andiga, “O Tigre Branco” possui muitas similaridades rítmicas com os filmes do cineasta britânico Danny Boyle, tanto que, em determinado momento, faz uma emulação distintiva de caráter chistoso, quando o protagonista declara que não participou de nenhum programa televisivo de perguntas e respostas para poder modificar o seu destino…

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

Em defesa do documentário: “quando a imprensa se curva perante as autoridades, estas tratam mal os cidadãos”!

Dentre os títulos elegíveis para indicações ao Oscar 2021, o filme romeno “Colectiv” (2019, de Alexander Nanau) desponta como um dos favoritos às categorias Melhor Documentário e Melhor Filme Internacional. Além de ter recebido um dos principais prêmios no 25° Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, em 2020, recebeu mais uma vintena de láureas em festivais cinematográficos ao redor do mundo, além de variegadas indicações. É, desde já, um dos exemplares mais importantes do gênero neste início de século XXI…

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“O povo está para a guerrilha como a água está para o peixe. Quem quiser acabar com o peixe, deve primeiro acabar com a água”…

Já foi dito, nesta coluna, que o terror é um gênero cinematográfico eminentemente político. A audiência ao filme guatemalteco “La Llorona” (2019, de Jayro Bustamante) – indicado ao Globo de Ouro 2021 de Melhor Filme em Idioma Estrangeiro – confirma de maneira grandiosa esta afirmação. Sobretudo porque o roteiro assume esta relação num viés perturbador: o que assusta no filme são os fantasmas de genocídios contemporâneos, ainda insuficientemente enfrentados pela História…

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Sabe o que a cerca realmente quer dizer? ‘Resolva vossos problemas’!”: os perigos do assistencialismo fílmico

Se, em termos ritmicamente narrativos, “Adú” permanece entretenedor e agradável, em relação aos seus posicionamentos políticos e morais, ele demonstra-se reprovável em inúmeros aspectos, pois não esconde seus abundantes recursos de manipulação, servindo-se de câmeras lentas e de música altissonante, a fim de comover epidermicamente o espectador.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

(Título não autorizado)

Surpreendentemente indicado em quatro categorias importantes do prêmio Globo de Ouro (Melhor Filme Dramático, Melhor Direção, Melhor Atriz e Melhor Roteiro), “Bela Vingança” ajudou a concretizar algo histórico – e muitíssimo importante: pela primeira vez, dentre as cinco indicações destinadas a Melhor Direção, três delas foram ocupadas por mulheres. O filme chega num momento mais que pontual, adequadíssimo.

Ler Artigo »
Arte
Wesley Pereira de Castro

Aderindo ao côro reivindicativo: há alguma pessoa transexual em seu filme favorito?

Eleito o melhor filme ficcional brasileiro pelo Júri Popular da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e amplamente laureado no Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, em 2020, “Valentina” foi escolhido como sessão de encerramento para a Mostra Tiradentes do Cinema Brasileiro, em 30 de janeiro de 2021, um dia após a data consagrada à visibilidade transexual. Serviu muito bem!

Ler Artigo »
Arte
Wesley Pereira de Castro

A repetição na arte enquanto artifício político: homenageemos Paula Gaitán!

Além dos novos curtas e longas-metragens de uma geração mui recente de cineastas, há, nesta edição virtual de 2021 da Mostra Tiradentes, uma seleção de filmes destinada a homenagear a cineasta franco-colombiana Paula Gaitán, cuja filmografia condiz perfeitamente com aquilo que é apregoado pelos curadores da Mostra. Francis Vogner dos Reis, o coordenador curatorial da edição deste ano, refere-se costumeiramente a ela como instauradora de processos fílmicos que são contingenciais e intuitivos. São filmes que enfatizam justamente o processo, portanto, que não esgotam-se na filmagem ou posterior expectação. Requerem debate – e carecem disso para que funcionem efetivamente!

Ler Artigo »

LOGIN

REGISTAR