Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe/Brasil, é graduado em Radialismo e Jornalismo pela mesma universidade Federal. É especialista e tem interesses de pesquisas e estudos em Cinema (sobretudo, o brasileiro), Política e Pornografia. Filiado à Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema.

Artigos deste autor:

Cinema
Wesley Pereira de Castro

“O jornalista não sabe de nada. Mas conhece quem sabe” – e o nosso biografado sabia muitíssimo!

Validando o lançamento de “Mestre Zu” (2026, de Zelito Viana & Luciana Savaget) no circuito exibidor brasileiro, na segunda metade de outubro de 2026, é oportuno notar que isto antecede a eleição presidencial em que Luiz Inácio Lula da Silva tenta o seu quarto mandato, mas é perseguido e atacado por um oponente que não disfarça os seus flertes com o fascismo nem consegue obnubilar os seus vínculos com as milícias cariocas. Uma das grandes reportagens do jornalista biografado é o acompanhamento da primeira Caravana da Cidadania, efetivada pelo então candidato à presidência pelo Partido dos Trabalhadores, entre 23 de abril e 12 de maio de 1993. Na ocasião em pauta, jornalista e político atravessaram, durante três semanas e mais de quatro mil e quinhentos quilômetros, rincões de extrema pobreza, em que líderes espontâneos surgiram, declarando que “quem tem fome, tem pressa”, conforme foi repetido em campanhas de combate à fome, na mesma década.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Outubro de 2026: “de que adianta?” (um questionamento cinematográfico/eleitoral)

A produção hispano-argentina “Às Vezes Sinto Tristeza, Outras Vezes Revolta” (2026, de María Aparício), que traz em seu bojo a pergunta que repetimos no título deste texto. Num mundo em que um político com atitudes neofascistas como Javier Milei é eleito pela decisão da maioria da população, de que adianta ainda pesquisar, ler, estudar, resistir? A resposta surge na prática sobrevivencial dos encontros…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Da necessidade de publicar algo – nem que seja a declaração mais óbvia que se possa proferir…

A política é algo que traz conseqüências tanto para nós quanto para quem está ao nosso redor, pois abrange decisões públicas, concernentes à vida em sociedade. Como encarar esta constatação, de maneira sóbria, quando se percebe, de maneira tão escancarada, um país rachado ao meio? Há ainda tempo para se propor uma guinada educacional, mediante a sugestão de filmes como o que agora exortamos? É a nossa opção, a despeito de qualquer resultado amedrontador…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Eu tive mais [votos] do que eu merecia, e menos do que eu precisava…”: quem aniversaria em 6 de outubro?

Enquanto esforço local para que o “picolé de merda” não se converta num sabor eleitoral assaz difundido, alguns cinéfilos sergipanos propuseram a audiência, com debate, ao longa-metragem documental “Entreatos” (2004, de João Moreira Salles). Neste filme, o realizador e sua equipe acompanham o então candidato petista nos derradeiros dias antes da confirmação de sua vitória das urnas, em 2002: inicia-se o período de cobertura em 25 de setembro e termina-se em 27 de outubro do mesmo ano, quando Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente do Brasil pela primeira vez, após ter concorrido em três eleições anteriores por este cargo…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Acho que a beleza da vida está nas imperfeições”, ou de como algo simples, dito com inteligência e sinceridade, faz a diferença em nosso cotidiano…

Um filme tão divertido e criativo como “Memória da Princesa Mumbi” (2025, de Damien Hauser) traz uma reflexão pertinente sobre apanágios da contemporaneidade, sobretudo no que diz respeito ao uso indiscriminado das ferramentas de Inteligência Artificial, que, obviamente, surrupiam os traços autorais dos indivíduos, ao imitá-los algoritmicamente. Analisemos como isso ocorre na trama…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Meu pênis não é diferente do de nenhum touro!”: eleitoralmente e na luta de classes, não é bem assim… [crítica em primeira pessoa]

Estamos em ano eleitoral, no Brasil: em 04 de outubro de 2026, elegeremos deputados, senadores, governadores e o presidente da Nação. Mas ninguém é capaz de exercer as suas funções isoladamente: o carma do maniqueísmo partidário seguirá engendrando a sua quota de sabotagens institucionais. Em Aracaju, capital de Sergipe, um cinema de rua está sob ameaça de fechar as portas, até que seja publicado um edital concernente à gestão do espaço…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Se tu não queres dinheiro e poder, o que tu queres?”: em noventa anos, o que mudou no cinema hollywoodiano?

As prerrogativas do ‘studio system’ faziam com que os componentes fílmicos se combinassem de maneira mecânica, com vistas a um resultado planejado minuciosamente, com pouca abertura à espontaneidade. Os realizadores destacavam-se pela acurácia na execução de tarefas e controle de grandes equipes, não pela autoralidade ou detecção de um “estilo”. Ainda assim, pouco a pouco, eles eram reconhecidos. Mervyn LeRoy [1900-1987], por exemplo, recebeu um Oscar especial (prêmio Memorial Irving G. Thalberg) em 1976 e, hoje, é reconhecido por sua versatilidade, ainda que um de seus maiores sucessos, “Adversidade” (1936), tenha sido indicado a sete prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (A.M.P.A.S.), mas não à categoria de Melhor Direção.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“O prato que eu vi do Lula foi uma comestia boa (maçã, uva, pêra). Não foi arma!”: uma declaração cinematográfica de voto!

Nesta semana, o documentário “Não Existe Almoço Grátis” (2023, de Marcos Nepomuceno & Pedro Charbel) estréia nos cinemas, depois de receber um prêmio de Público e uma Menção Honrosa do Júri Oficial na quinquagésima sexta edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. E é assaz oportuna esta estréia, no sentido de que, apesar de não ser inventivo em termos de linguagem cinematográfica, este filme defende um senso de trabalho comunitário e esforço coletivo que tem tudo a ver com aquilo em que acreditamos, em termos de organicidade política!

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“O trabalhador rala tanto, mas tanto, que, ao final do dia, não tem nem olhos para ver nem ouvidos para escutar…”: devemos assistir a filmes brasileiros, para além dos prêmios e/ou indicações que eles recebem…

Devido ao impacto noticioso do Oscar de Filme Internacional recebido pelo Brasil, em 2025, a lista de pré-selecionados a uma possível indicação nesta mesma categoria, em edições vindouras do prêmio estadunidense, é divulgada como se estivéssemos a acompanhar uma lista de convocados para jogar uma partida em defesa da Seleção Brasileira de Futebol. Seria muito interessante se isso, de fato, motivasse o público em geral a conferir mais filmes brasileiros, porém tal incremento de audiência ocorre sob o viés meramente competitivo – e, atualmente, sob a égide da polarização político-partidária. Cadê a torcida organizada dirigindo-se, em massa, às salas de cinema, para acompanhar a estréia de “Nosso Segredo” (2026, de Grace Passô)?

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“E existe tipo bom de hétero?”: identitarismo, per si, não assegura a qualidade de um filme!

Por mais que estejamos dispostos a divulgar e elogiar a empreitada de incentivo à autoaceitação que é “Quinze Dias” (2026, de Daniel Lieff) – baseado num livro juvenil homônimo de Vítor Martins, co-roteirista do filme –, a submissão da obra a clichês narrativos de cariz classista dificulta a adesão emocional ao que é romanticamente embalado, enquanto arremedo hollywoodiano. Neste sentido, a anedótica oposição entre “o pior filme brasileiro” e o “melhor filme norte-americano” fica prejudicada em seu viés militante, pois é atravessada por uma assunção imitativa, que homogeneiza aquilo que deveria ser evitado…

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Política
Wesley Pereira de Castro

“Minha vida nunca foi assunto de jornal. Até a última quinta-feira”… Quando é o próximo episódio?

A série “Desperate Housewives” tornou-se um fenômeno cultural, no início do século XXI. Esperava-se com ansiedade pelo episódio da semana posterior, enquanto os eventos recém-exibidos estimulavam as conversas entre amigos, as teorias especulativas sobre os ganchos tramáticos deixados em aberto, entre um episódio e outro. Segredos familiares eram desenterrados e expostos o tempo inteiro. A hipocrisia da felicidade de “comercial de detergente” era descortinada. Adultérios, frustrações, advertências sobre o mal-estar feminino e reflexões sobre o desejo eram recorrentes. Por que deixou-se de conversar sobre esta série?

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Hoje é a correia; amanhã, pode ser a roda…” – e quem não viu o filme, como faz? “Não me pergunte nada/ Tá tudo boiando no ar”!

Apesar de ter feito parte da seleção competitiva da vigésima oitava edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, na seção Aurora, e de ter recebido críticas elogiosas de alguns críticos, o longa-metragem capixaba “Margeado” (2025, de Diego Zon) foi preterido nas seleções de festivais vindouros e desconsiderado pelas distribuidoras, quiçá pela intimidação decorrente de sua longa duração (duas horas e meia) e do estilo rebuscado da produção, cujo roteiro é considerado assaz hermético por seus espectadores. Trata-se, entretanto, de um filme inaudito em vários aspectos, a ponto de ser considerado “uma ilha no cinema brasileiro”, pelo crítico e pesquisador Marcelo Ikeda. É nossa missão divulgá-lo, portanto!

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Arte
Wesley Pereira de Castro

“Eu tive uma vida maravilhosa, não foi?” E de que adiantou?

Toda e qualquer vida é importantíssima, e transforma as existências de quem está ao redor, direta ou indiretamente. E esta é a prerrogativa da série “Veneno”, concebida pelos espanhóis Javier Ambrossi e Javier Calvo, em 2020. Os diretores – conhecidos em comunhão como ‘Los Javis’, pois costumam trabalhar juntos e tiveram um relacionamento amoroso por mais de uma década – foram premiados na septuagésima nona edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes, onde receberam o troféu de Melhor Direção – compartilhado com o polonês Pawel Pawlikoswi, por “A Terra de Meu Pai” – pelo aplaudidíssimo longa-metragem “La Bola Negra” (2026), desde já um dos títulos mencionados como certamente indicados à vindoura cerimônia do Oscar, em 14 de março de 2027…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Locutores de rádio devem ser ótimos pais de família…”, ou de como é importante defender filmes involuntariamente menosprezados

Lançado no circuito comercial estadunidense em 09 de janeiro de 2026, ‘Dead Man’s Wire’ – traduzido no Brasil como “63 Horas de Pânico” (2025, de Gus Van Sant) –, foi tão pouco visto que, em seu país de origem, já está disponível nas plataformas de ‘streaming’. Quando o filme estreou na França, sob o título ‘La Corde au Cou’(algo como ‘com a corda no pescoço’), causou comoção entre os críticos, recebendo vários elogios e merecendo a reportagem de capa da edição de Abril (número 830) da revista Cahiers du Cinéma. Será que o filme faz jus a tanta empolgação? Se assim for, por que parece que o seu lançamento foi negligenciado?

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“O luxo e a aristocracia caem-me muito bem!”: do elogio à democracia estadunidense enquanto hipocrisia (in)voluntária

Na noite de 16 de março de 1934, quando aconteceu a sexta cerimônia da premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (A.M.P.A.S.) – ainda não apelidada oficialmente como Oscar, o diretor de origem italiana Frank Capra [1897-1991] submeteu-se a um ato extremamente vexatório: ao ouvir Will Rogers, o mestre de cerimônias do evento, gritar “Frank, venha buscar o seu prêmio!”, ele saltou da cadeira, ciente de que era o favorito. Ocorre que o prêmio em questão foi para um homônimo, Frank Lloyd, pelo longa-metragem “Cavalgada” (1933), que, na mesma noite, recebeu também os prêmios de Melhor Filme e Melhor Direção de Arte. O filme dirigido por Frank Capra, “Dama por um Dia” (1933), foi indicado em quatro categorias (Melhor Filme, Direção, Atriz e Roteiro), mas não ganhou em nenhuma. Em sua autobiografia, o diretor disse que a caminhada de volta para o assento foi “a mais longa e constrangedora de sua vida”.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Quando foi a última vez que te masturbaste no banho, debaixo do chuveiro?” (o cotidiano, a beleza, a circunstancialidade, os efeitos colaterais: uma reflexão)

Transladando as nossas reflexões para um exemplo fílmico, falamos sobre “A Paixão Segundo G.H.B.” (2026, de Gustavo Vinagre & Vinícius Couto), exibido na seção Novos Olhares da décima quinta edição do Festival Internacional de Curitiba, Olhar de Cinema, que ocorreu entre 04 e 13 de junho de 2026. No longa-metragem em pauta, que parafraseia o título do romance “A Paixão Segundo GH”, de Clarice Lispector – que surge como aporte psicanalítico –, o protagonista é recém-chegado de Portugal e está vivendo em São Paulo, onde costuma relacionar-se com homens que conhece através de um aplicativo destinado a encontros sexuais. Paradoxalmente, o orgasmo é menos desejado, nestes encontros, que o prazer induzido pelo consumo desenfreado de substâncias químicas – algumas delas, injetáveis. A euforia toxicomaníaca instaura-se como substituto vendável e imediato do gozo, o que traz consigo alguns inevitáveis efeitos colaterais.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Quando uma mulher é injustiçada, todas nós sofremos!”: acerca de necessidade de reescritura das estórias (e da História) a partir das vozes femininas

Em “O Segredo Sagrado” (2026, de Everlane Moraes), filmado em um belíssimo preto-e-branco, com toques de sépia nos traços computadorizados, o enredo translada para a perspectiva afro-americana o tipo de mitologia convencionalmente associada às anedotas bíblicas, inclusive no que tange à menção aos nomes dos patriarcas e seus parentes. Contando com equipe majoritariamente feminina, este filme fascina pelo modo como reconfigura os fatos, a partir da voz que assume a narração. Ao invés do deslumbramento, a diretora opta pela contestação e pela exortação da autocrítica espectatorial.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“O bom dos carros de bombeiros é que todos saem da frente!”: a persistente crença spielberguiana na religião da atenção

Mesmo que o cineasta Steven Spielberg experimente incursões em diversos gêneros fílmicos, ele permanece fortemente associado à ficção científica, com pendor indisfarçado para a aliança desejada entre seres humanos e alienígenas: foi assim em “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977) e em “E.T. – O Extraterrestre” (1982), e volta a ser em “Dia D” (2026), que, segundo o diretor, finaliza uma trilogia indireta.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Territórios não são propriedades, mas cenários”: ou aquilo que aprendemos (e fazemos) nos colóquios sobre cinema e nas conversas sobre premiações…

Na noite de 09 de junho de 2026, na Universidade Federal de Sergipe, aconteceu a abertura da décima segunda edição do COCAAL – Colóquio de Cinema e Arte da América Latina. Junto a algumas professoras da universidade em pauta, a pesquisadora de origem boliviana Yanet Aguilera leu um texto de apresentação, em que, servindo-se da metáfora identitária de um melro que mostra-se e é percebido em seu ambiente, defendeu a necessidade de inventar “novos dispositivos de atenção”, em que as maneiras de aparição estariam relacionadas a modos de afeto. Estimulando a valorização de cinemas que enfrentem a dominação hollywoodiana, a pesquisadora perguntou-se, em compartilhamento com a audiência: “o que fazer com a nossa branquitude, já que não conseguimos nos desfazer dela?”. É uma questão procedimental recorrente!

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