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Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe/Brasil, é graduado em Radialismo e Jornalismo pela mesma universidade Federal. É especialista e tem interesses de pesquisas e estudos em Cinema (sobretudo, o brasileiro), Política e Pornografia. Filiado à Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema.

Artigos deste autor:

Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Eu não sou criança! Eu nunca fui, nem mesmo quando eu era…”: das dificuldades de se condensar mais de cinco décadas de vida em duas horas de filme!

Interpretado de maneira intensa pelo pernambucano Jesuíta Barbosa, que reproduz com estudada maestria alguns cacoetes oculares e corporais do artista, Ney Matogrosso é mostrado, em “Homem com H” (2025, de Esmir Filho), como alguém que sempre quis ser livre, a despeito da extrema repressão de seu pai militar, Antônio (Rômulo Braga). Na infância, Ney é comumente espancado, mas irrita o pai por não chorar durante as surras. Expulso de casa, ele alista-se na Aeronáutica, a fim de superá-lo num campo familiar, mas logo será descoberto por causa de seu timbre vocal tão agudo quanto insigne. E, de maneira um tanto evasiva, mas assertiva em seu poder de síntese, acompanhamos as diversas fases musicais deste magnífico intérprete…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“A gente não descobre o que é nosso sozinho!”, ou de como tudo o que fazemos resvala na crítica, inclusive em termos não-verbais…

Na tarde do dia 06 de junho de 2025, uma sexta-feira, como parte da programação associada à décima sexta edição do Unimídia, evento anual do curso de Comunicação Social – Midialogia, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), no Estado brasileiro de São Paulo, três críticos reuniram-se num debate sobre as suas atividades profissionais: Juliano Gomes, Marcelo Hessel e Rian Oliveira. Cada um deles possui afinidades com públicos distintos: o primeiro é editor da revista Cinética, e sobremaneira admirado pelos fãs de filmes contra-hegemônicos e de produções advindas de nacionalidades inóspitas e/ou vinculadas a esquemas distributivos paralelos; o segundo é co-fundador do ‘site’ Omelete, e um modelo para quem possui formação universitária e deseja se estabelecer devidamente no mercado de trabalho; e o terceiro é um chamariz neogeracional, famoso por divulgar uma página de chistes cinematográficos, conhecida como Hulk Cinéfilo.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Quando a gente chama muita atenção, ninguém percebe que, na verdade, estamos escondendo alguma coisa”: à guisa de um exercício crítico

Filmado na pequena cidade paulista de Santa Branca, a noventa e um quilômetros da capital do Estado, São Paulo, “Os Três Reis”, em menos de uma hora e meia, conta a história de três irmãos que se reencontram por ocasião do estado agravado de saúde da mãe Alzira (Lucélia Maquiavelli), que sofre um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Ela é cuidada por um dos irmãos, Gaspar (Giovanni Venturini), que é mecânico e portador de nanismo. Ele se esforça para unificar a família, mas um dos irmãos, o mais velho, Baltazar (Murilo Meola, também co-produtor), está preso por ter assassinado um homem, enquanto o outro, Belchior (Rodrigo Dorado), o mais novo, reluta em aparecer em casa, por se sentir hostilizado por sua orientação sexual.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Diante de tudo aquilo que temos para descobrir, a tua vida realmente importa?”: a pergunta é outra; a ação, idem!

O Capitalismo a tudo apropria e, nalguns casos, os cacoetes de um declarado “cinema independente” convertem-se numa espécie de subgênero, em que os espectadores influenciáveis são atraídos por um “selo de autenticidade” que se revela tão ilusionista quanto as mais gritantes convenções hollywodianas. Podemos citar, como exemplo tipicamente norte-americano, as campanhas de divulgação da produtora e distribuidora A24, que realçam a “estranheza” dos enredos a ela relacionados. Em meio a esta grife, não são raros os produtos esteticamente falaciosos, direcionados àqueles que se deixam convencer pela aparência, em detrimento da essência. Temos a pretensão de afirmar que tu deves pensar num filme deveras específico, enquanto lês estas linhas…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“A vida real é o melhor dos mundos”, diz-se no começo de um curioso filme português — e é também o que se constata ao final!

Tomando-se como ponto de partida referencial um terremoto que destruiu Lisboa, em 1755, o roteiro desta obra – escrito pela própria diretora, em comunhão com o brasileiro João Cândido Zacharias – apresenta-nos a Marta (Sara Barros Leitão), uma professora universitária que é também pesquisadora numa equipe de sismologia. Estamos em 2027, e ela evita conversar com seus alunos fora do ambiente acadêmico, preservando um distanciamento estrito entre a sua vida pessoal e a sua vida profissional. Porém, ela envolve-se romanticamente com um colega de equipe, Miguel (Miguel Nunes), que luta para driblar o rigor excludente de sua amante, que não permite sequer que ele traga a sua escova de dentes para a casa dela.

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Globalização
Wesley Pereira de Castro

O que o Eurovision está servindo nesta sexagésima nona edição? Não há amor desperdiçado que resista ao gozo de uma sauna ígnea e alucinante!

A edição deste ano do Eurovision, cuja apresentação final ocorre em 17 de maio de 2025, conta com títulos interessantíssimos que, como sói acontecer no evento, garantem uma diversidade de idiomas e gêneros musicais, desde a celebração folclórica das jovens letãs do grupo Tautumeitas (“Bur Man Laimi”) até o ‘pop’ dançante da canção dinamarquesa “Hallucination” (cantada por Sissal) ou da maltesa “Serving” (por Miriana Conte). Vale destacar que esta última canção foi rebatizada, por motivos de censura erótica: antes, ela era chamada “Kant”, que estabelecia uma relação fonética com uma expressão chula em inglês. Porém, a artista conseguiu defender a sua interpretação sexualizada, o que também abunda na extraordinária “Ich Komme”, da finlandesa Erika Vikman.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Pr’eu te perdoar, tu precisas me pagar dez Reais. Eu não perdôo de graça, não!”: reflexão sobre uma perspectiva audiovisual contemporânea. A quem interessa isto?

Nos conteúdos transmitidos comumente pelo ‘youtuber’ Rafael Abreu, ele caminha pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro, em plena madrugada, aventurando-se por lugares desertos e conversando com os transeuntes que encontra, além de interagir com as pessoas que comentam no ‘chat’ da transmissão. Como ele realiza essas transmissões com assiduidade – ao interpelar as pessoas, Rafael refere a si mesmo como “super famoso” –, as pessoas que comentam no ‘chat’ fazem constantes referências a situações anteriores, como um instante em que o ‘youtuber’ foi assaltado ao vivo. Qual o interesse do público por esse tipo de transmissão?

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“A novela é uma ferramenta de transformação social”, lemos num folheto. Será que ainda procede?

Dirigido pelo mesmo realizador da ótima comédia “TOC: Transtornada Obsessiva Compulsiva” (2017), “A Vilã das Nove” (2024) conta a história de uma preparadora vocal chamada Roberta (Karina Teles, ótima como sempre) que, durante um passeio num aquário público com a sua filha Nara (Laura Pessoa), é chamada de Eugênia, por uma mulher que alega desconhecer. Ao ajudar um ator pernambucano (vivido por Rodrigo Garcia, que parece compartilhar um dilema que aconteceu consigo) a perder o seu sotaque característico, ela é convidada para a festa de lançamento de uma telenovela chamada “A Má Mãe”, e fica espantada ao acompanhar o enredo da mesma…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Eu deixei o telefone fora do gancho”: ou de quando precisamos nos desconectar para conseguir alguma conexão… (e/ou vice-versa)

Convém lançarmos novas luzes a obras que, num momento inicial, foram incompreendidas e sumamente rejeitadas. Um exemplo oportuno é a (aparente) comédia estadunidense “O Telefone” (1988), único longa-metragem cinematográfico dirigido pelo ator Rip Torn [1931-2019]. Lançado em janeiro de 1988, este filme foi um fracasso de bilheteria e recebeu péssimas e unânimes críticas, mas, sendo descoberto hoje em dia, quando os telefones celulares praticamente se converteram em extensões inorgânicas de seus usuários, demonstra-se sobremaneira advertente. Além de, claro, chamar a atenção para o extremo talento de Whoopi Goldberg, então insuficientemente reconhecido, em termos dramatúrgicos.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Não sou eu que dirijo os teus sonhos”: “tu te elevas ao receber o amor de uma pessoa morta?”

Em “Não Sou Eu”, Leos Carax compartilha bastante: a despeito de seu título negativo, trata-se de um filme positivamente confessional, em que ele ousa insinuar a possível colaboração nazista de seu pai, Georges Dupont, e se compara ao polonês Roman Polanski, já que ambos são “cineastas e baixinhos”, sem obliterar que este realizador é condenado pelo estupro de uma menor de idade, na década de 1970. Por mais que o diretor afirme a sua predileção pelos planos “já vistos”, esta autobiografia não convencional surpreende pela criatividade, ainda que não esconda o parentesco com a filmografia de Jean-Luc Godard [1930-2022], de quem Leos Carax é admirador confesso.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Tu jurarias, para mim, que manterás a tua fé, a despeito de qualquer pressão?”: não é apenas sobre religião!

Ao longo dos cento e vinte e nove minutos de duração do filme “Silêncio” (1971, de Masahiro Shinoda), acompanhamos demorados e impressionantes processos de tortura, como o instante em que uma esposa é amarrada num poste, enquanto o seu marido é enterrado no chão, prestes a ser pisoteado por um cavalo. Noutro momento, praticantes locais do cristianismo são crucificados numa praia, em meio à maré crescente, até que sejam completamente cobertos pelas águas. Crentes de que despertarão no Paraíso, após a morte, eles cantam, não obstante o sofrimento. Testemunhando o martírio destas pessoas, Sebastião começa a refletir sobre os motivos para o silenciamento de Deus…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Todo homem tem direito a algum vício”: um elogio reiterado às atividades cineclubistas

Ponto culminante de uma trilogia sobre terror ecológico, iniciada com “Mangue Negro” (2008), e continuada através de “A Noite do Chupacabras” (2011), “Mar Negro” (2013) surpreende pelo modo como comunga diversos núcleos de personagens, que terminam se encontrando na inauguração do Sururu’s Club, um prostíbulo interiorano comandado pela travesti Madame Úrsula (Cristian Verardi). Na primeira seqüência do filme, dois pescadores lamentam a ausência de peixes, enquanto navegam pelo mar, à noite. De repente, um deles puxa uma rede e percebe que capturou uma arraia contaminada. É apenas o começo de um jorro de sangue…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Tente usar a roupa que estou usando/ Tente esquecer em que ano estamos”: acerca da imponência de um artista imortal!

“Luiz Melodia – No Coração do Brasil” (2024, de Alessandra Dorgan) é uma produção documental que respeita aquilo de mais notável na produção do artista titular, que é a sua originalidade. Chama positivamente a atenção o fato de não haver uma narração em ‘off’, proveniente de alguma figura de autoridade, com voz empostada: quem comenta os eventos de sua vida e carreira é o próprio Luiz Melodia [1951-2017], através de depoimentos antigos, magistralmente resgatados.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Loucura, loucura, loucura, loucura, loucura. Doença, doença, doença… Caixa d’água!”: é lícito que um realizador escreva elogiosamente acerca de sua própria obra?

Sem ter a intenção de responder ao que foi perguntado, mas de estimular o debate sobre a capacidade de um diretor tornar-se espectador apaixonado daquilo que efetivou, trazemos à tona o célebre exemplo do cineasta Neville D’Almeida, que, ao ser questionado sobre qual seria o seu filme favorito de todos os tempos, não titubeia: “Rio Babilônia” (1982, de Neville D”Almeida). E ele explica os porquês de amar tanto o próprio filme, no sentido de que, quando o revê, assiste a exatamente aquilo que desejou filmar. Faz sentido a apreciação, portanto? Para muitas pessoas, isso seria um indicativo de extrema vaidade. Qual seria a maneira menos problemática de demonstrar afeto por algo correspondente àquilo que foi intentado, em âmbito artístico/discursivo?

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Antigamente, eu conhecia todo mundo; hoje em dia, quase ninguém”: o que será que mudou, depois que acabou a pandemia?

Ainda que ‘Tempo Suspenso” (2024, de Olivier Assayas) funcione como uma válida autocrítica acerca de como o diretor e seus amigos desenvolveram comportamentos obsessivos a partir da reiteração midiática do pavor de contágio, os diálogos não são tão inspirados quanto noutras produções do realizador: o desfecho é deveras anticlimático, resvalando numa lógica meramente explicativa de como funcionam as heranças familiares, que vai na contramão do que é exposto no impressionante “Horas de Verão” (2008), para ficar num contraponto imediato, quase invertido, em seu espelhamento contextual.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Eis o que eu desgosto nas bichas: elas não conseguem ficar apenas na amizade!”: um lamento sobre esnobados do Oscar 2025

Protagonizado pelo astro Daniel Craig, que interpreta uma versão ficcionalizada do escritor William S. Burroughs [1914-1997], autor do romance homônimo original, “Queer” fala sobre um período em William Lee refugiou-se no México, em busca de amor e das possibilidades telepáticas de uma planta alucinógena encontrada no Equador. Viciado em heroína, William Lee passa as tardes flertando com desconhecidos (um deles é o cantor Omar Apollo, que não tem pudor em se desnudar por completo), nas ruas latino-americanas, e fica obcecado por um jovem soldado expatriado, Eugene Allerton (Drew Starkey). Este alega não ser homossexual, mas permite que William lhe faça sexo oral, além de autorizar parcialmente as suas demonstrações excessivas de afeto. Até que o mais velho convida o mais novo para viajar consigo através de alguns países da América do Sul…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

É preciso um intervalo num filme com mais de três horas de duração para constatar que “este país [EUA] está podre”? (Algumas observações sobre a safra Oscar 2025)

Tudo em “O Brutalista” (2024, de Brady Corbet) é tão ambicioso quanto o projeto arquitetônico em que os personagens se envolvem, e que desembocará num epílogo estranhíssimo, que desagradou diversos espectadores, pela maneira opulenta com que expõe uma espécie de autocrítica em relação ao que é retratado: há como justificar o sobejo de vaidade, mediante efetividade das obras produzidas? Talvez o filme pergunte muito mais do que responda, não obstante ele incorrer em constrangedores instantes quase telenovelescos…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

A cada novo festival, a repetição do mantra: “curta-metragem também é filme – e muito, muito bom”!

Em suas listas de final de ano, alguns críticos chegam a estabelecer categorias distintas para a divulgação dos filmes favoritos, de modo que os curtas-metragens são elencados separadamente, o que contribui para a manutenção do estigma que estas produções ainda enfrentam por parte do grande público: quantos filmes de curta-metragem (ou seja, até trinta minutos de duração), tu já viste numa sessão comercial de cinema?

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“É fácil rimar utilizando nomes de manobras [de skate], pois quase tudo termina em -ip”: mais um elogio ao novíssimo cinema brasileiro!

Protagonizado por Sofia Librandi e Pedro Transfereti, que interpretam personagens cujos nomes sequer são pronunciados, “Kickflip” (2025, de Lucca Filippin) compartilha, ao longo de oitenta e oito minutos, situações que, na maneira como são montadas, metonimizam a manobra titular: os dois garotos estão quase sempre juntos, inventando maneiras ingênuas de entretenimento, como quem engole mais ‘marshmallows’, num desafio de Internet, ou quem adivinha qual parte do corpo está sendo tocada com o dedo, enquanto alguém está com os olhos vendados. Diante disso, a solidão de ambos é hipertrofiada através do excesso de exposição: quanto mais eles se afastam, mais sofrem…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Liberem os homens e mulheres que existem dentro de vocês”: da importância de filmar a realidade e revelar as estrelas do dia a dia…

O documentário “Madeleine à Paris” (2024, de Liliane Mutti) documenta o cotidiano de Roberto Chaves, um dançarino baiano que migrou para a França há mais de trinta anos e, lá, organizou a versão internacional de uma tradição do sincretismo religioso brasileiro, que é a lavagem das escadarias de igrejas católicas, por adeptos do candomblé. Orgulhoso de seus traços quase andróginos, Roberto conta histórias de sua vida, como a primeira paixão por uma mulher e que seu pai era obcecado por sexo. Mas o que está em destaque é a organização da lavagem supramencionada de uma igreja.

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