Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe/Brasil, é graduado em Radialismo pela mesma universidade Federal. É especialista e tem interesses de pesquisas e estudos em Cinema (sobretudo, o brasileiro), Política e Pornografia.

Artigos deste autor:

Cinema
Wesley Pereira de Castro

A política contemporânea é uma trama hitchcockiana invertida?

Sob a égide dos esforços propagandísticos de guerra em Hollywood, Alfred Hitchcock realizou, através de “Sabotador” (1942), uma obra externamente afim às convenções de gênero da época, sem a profusão dos rasgos sumamente autorais que o eternizaram enquanto “mestre do suspense”. Vendo o filme hoje em dia, percebemos que há muitas perspectivas indiciais em meio à sua estrutura enredística convencional.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“A tosquia é provisória, cansei de ser um andarilho!”: notas sobre uma minissérie clássica!

Depois de um ano tão tumultuado como foi 2020, é sobremaneira providencial que um espectador hipotético deparasse-se com uma reprise da minissérie “Pássaros Feridos”, num canal aberto de TV. Realizada em 1983 e dividida em quatro capítulos com durações distintas, esta minissérie é uma das mais qualitativamente elogiadas de todos os tempos. E os méritos são abundantes…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Sobre a importância política (da repressão) do gozo: celebrar o quê?

Protagonizado pela bela Sylvia Kristel [1952-2012], este filme é a segunda parte da cinessérie original sobre as aventuras eróticas da personagem criada pela escritora Emmanuelle Arsan [1932-2005]. No primeiro filme, a trama é passada na Tailândia, país natal da escritora, que deixa evidente, desde a homonímia, o caráter autobiográfico de sua jornada de autodescobrimento sexual. No segundo filme, há uma aparente repetição do percurso inicial, mas sobre outra perspectiva. Não é uma protagonista isenta de culpa, ainda que não haja qualquer tipo de questionamento acerca de suas atitudes. É um benefício abusado pelos ricos, não esqueçamos.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Laudo sobre 2020: resistir vai além das “estratégias étnicas para geração de renda”…

Ainda que evite os cacoetes de narrativização (não há qualquer clímax conflitivo em “City Hall”, por exemplo), o modo como Frederick Wiseman monta as suas obras faz com que a fruição do espectador assemelhe-se à percepção ficcional: a rotina da instituição em pauta (a prefeitura) é organizada de forma aparentemente linear, de modo que há um entrecho a desenvolver-se diante de nossos olhos. No caso, a História, com H maiúsculo!

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Anseio de final de ano: em defesa da noticiabilidade intemporal!

“Orinoko, Novo Mundo” tem como protagonista o rio que empresta seu nome ao título do filme. Seguindo o percurso do Orinoco, acompanhamos a reconstituição de mais de uma fase histórica da Venezuela, sem que haja uma linha narrativa definida: o diretor e roteirista prefere o alinhavamento da resistência. Como tal, somos apresentados aos rituais Yanomâmis logo na abertura – e eles terão um papel fundamental nos eventos apresentados, sem narração condutiva, mas com relevante abertura à sensibilidade do espectador.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Eu não estou conseguindo fazer filmes. Por isso, volto a mim mesmo”: não é um documentário, é um drama. Não se excluem, aliás!

Obcecado tematicamente por uma espécie de redenção romântica/sexual que advém de uma via-crúcis sadomasoquista, Kim Ki-Duk iniciou tardiamente as suas atividades cinematográficas, sem ter estudado especificamente para isso, aos 36 anos de idade, com o longa-metragem “Crocodilo” (1996). Nos anos seguintes, converteu-se num cineasta deveras prolífico, às vezes realizando mais de um filme por ano, entre eles, os mui elogiáveis “A Ilha” (2000), “Endereço Desconhecido” (2001) e “Casa Vazia” (2004). Tornou-se igualmente amado e odiado pelos críticos. Até acontecer o acidente que desencadeou a sua renascença pessoal e artística, via “Arirang”. É sobre este filme que falaremos a partir de agora…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Qual é o lado das árvores que possui mais galhos?” – ou: onde termina a Ecologia e começa o Capitalismo?

Baseado no romance “The Half-Life”, publicado em 2004 pelo co-roteirista habitual da diretora, Jon Raymond, “First Cow” é muito literal em termos sinópticos: fala sobre a primeira vaca a ser trazida para uma região rural em Oregon, na primeira metade do século XIX. A trama do filme pode ser resumida em pouquíssimas linhas, mesmo sendo uma das mais teleológicas de diretora. Afinal, o que realmente importa são os detalhes climáticos, aquilo que deslinda-se nas entrelinhas, à medida que os personagens interagem e conhecem-se melhor…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Quando nasce um filme? Às vezes, ele nasce de uma sentença de morte!”

Após estrear no Festival Internacional de Cinema de Veneza, “Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou” (2019, de Bárbara Paz) recebeu o prêmio de Melhor Documentário e um prêmio especial da Crítica Independente, iniciando assim a sua carreira de láureas. Ao ser escolhido pelo Comitê de Seleção da Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais como o representante para a possível indicação ao Oscar de Melhor Internacional em 2021, houve certa celeuma em razão de tratar-se de um documentário, gênero que alguns temem que não seja suficientemente popular (na acepção industrial do termo)…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Em que tempos vivemos? Entre a negação e a assimilação, (anti)racismo vende!

Atrevemo-nos a recomendar o filme infantil “Uma Invenção de Natal” (2020, de David E. Talbert), disponibilizado via Netflix no dia 13 de novembro de 2020. Trata-se de uma típica estória natalina, quase clicherosa em suas boas intenções familiares. Mas possui um diferencial digno de nota: o elenco é quase integralmente negro, sem que haja a necessidade interna de chamar a atenção para este aspecto.

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Arte
Wesley Pereira de Castro

A quem pertence “o dedo da mão que aperta o botão”? [um percurso essencialista]

Não obstante transcorrer-se em intimidadoras quatro horas e vinte minutos de duração, o longa-metragem “Luz Nos Trópicos” (2020, de Paula Gaitán) revela-se como um dos mais importantes filmes brasileiros do ano. Ele aborda algumas contradições da sociedade brasileira – e mundial – de maneira poética e desafiadora, sendo uma espécie de derivação mais sensorial e panteísta do clássico “A Idade da Terra” (1980, de Glauber Rocha). Como a realizadora foi casada com o polêmico cinemanovista, esta associação não é nada casual, visto que ela participou diretamente das filmagens e foi diretora de arte do filme em pauta.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“O povo não vai embora!”: o testamento combativo de um gênio terceiro-mundista

No dia 06 de novembro de 2020, aos 84 anos de idade, Pino Solanas falece, em decorrência de complicações do CoronaVírus, na capital francesa, Paris. Em seu país, a quantidade de casos e mortos aumenta de forma acachapante, por causa da segunda onda da doença. O mundo atual confirma a impressão de “genocídio neoliberal” que o cineasta diagnosticou em vários de seus filmes, incluindo o recente documentário “Memórias do Saque” (2004). É acerca deste filme que deteremo-nos daqui por diante…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Somos a região que mais paga impostos. E não recebemos quase nada por isso!”: um filme-síntese.

Tendo como assunto intermediário um projeto de emancipação nacional dos Estados sulistas do Brasil, este filme parte da dilaceração psicológica de um personagem para diagnosticar um fenômeno antitético que disseminou-se no país sob a expressão “pobre de direita”. O protagonista é Antônio Pitanga, que, no auge de seus oitenta anos de idade, entrega-nos uma interpretação bastante distinta de sua euforia habitual: está contido, oprimido, silencioso… Até que as condições externas obrigam-no a gritar, cantar um aboio de protesto!

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Sabe por que a cocaína é proibida no Brasil?” O filme como um contra-exemplo

Abordar as variáveis – tramáticas ou documentais – referentes às drogas é, uma questão muito delicada, em razão da tendência quase inevitável à criminalização. Sendo assim, o filme “Cracolândia” (2020, de Edu Felistoque) acrescenta alguns aspectos mui problemáticos a esta reflexão. Inclusive, porque uma breve análise da filmografia do diretor faz com que temamos aquilo que confirmar-se-á no primeiro instante: é um filme que escolhe a abordagem policialesca, a defesa das táticas de choque como necessidade emergencial de intervenção!

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Quem destrói o amor de quem? “Violência, né? Desde quando resolveu alguma coisa?”

É exatamente isso o que Daniel Nolasco faz em relação à naturalização da (homo)sexualidade em seu mais recente longa-metragem: repleto de cenas de sodomia, felação, cuspidas no rosto e insinuações masturbatórias, o filme tem sido surpreendentemente atacado por moralistas (inclusive, vinculados à esquerda partidária), que tacham de “inatural” a compulsão erótica do protagonista, quando há inaturalidades muito mais gritantes (e vilanazes) no enredo, sob o jugo do capitalismo. Avaliemos, portanto, a sinopse e os personagens de “Vento Seco”…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Com ou sem crise, os pneus furam”: o Capitalismo é o maior indutor de depressão que existe!

Para quem já está acostumado ao ótimo cinema comercial argentino, é sabido que um de seus mais consagrados méritos é inserir fatos socioeconômicos e políticos como essenciais para o desenvolvimento tramático. Seja numa simples comédia romântica ou num intricado enredo policial, os eventos nacionais são apresentados como corriqueiros, organicamente compartilhados entre os cidadãos.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Educação é um conceito eminentemente político. Caso contrário, incorre no lastro bancário!

A extinção do Ministério da Cultura e a inefetividade do Ministério da Educação são ferramentas acessórias de manutenção da ignorância denunciada por Paulo Freire há várias décadas, e a progressiva mecanização do ensino, no sentido mais behaviorista do termo, é ofertada como panacéia no extermínio da “doutrinação comunista” que, segundo a Extrema-Direita, existe nas universidades públicas e federais.

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