EnglishFrenchGermanItalianPortugueseSpanish
EnglishFrenchGermanItalianPortugueseSpanish

Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe/Brasil, é graduado em Radialismo e Jornalismo pela mesma universidade Federal. É especialista e tem interesses de pesquisas e estudos em Cinema (sobretudo, o brasileiro), Política e Pornografia. Filiado à Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema.

Artigos deste autor:

Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Eu gostaria que minha mãe tivesse feito um filme sobre o meu nascimento”: ou de como crianças que foram machucadas lutam para que outra(s) não sofra(m)…

Por ser um filme narrado como se fosse uma carta audiovisual para o nomeado Apolo, este longa-metragem consegue justificar os seus problemas formais, de cariz publicitário, atrelando-os aos pontos de vista de Ísis e Lourenzo, que decidem sair de Sergipe, por acharem que o Estado nordestino oferece poucas oportunidades para as suas respectivas carreiras artísticas e por sofrerem atos demarcados de transfobia. Em São Paulo, a gravidez atípica de Lourenzo pôde ser acompanhada por médico que trabalha num Centro de Referência Transexual, o que, lamentavelmente, não impede o casal de ser alvo do ódio gratuito de um taxista, que interrompe uma conversa íntima para destilar os seus preconceitos, durante uma corrida. Mesmo não sendo um filme que inove em termos lingüísticos – nem parece ter esta intenção –, “Apolo” é gracioso na maneira como direciona amor pelos seres humanos mencionados, sendo particularmente merecedor de atenção quando Ísis comenta que o que eles estão vivendo lembra aquilo que é exortado pela dupla Os The Dárma Lovers, na excelente canção “Peixes”…

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

O que faz um filme ser esquecido? Como impedir que isso ocorra? (À guisa de reflexão ativa, mais uma vez, com base num título argentino contemporâneo)

Protagonizado por um inspiradíssimo ator adolescente, Fernando Vergara – que aprendeu a dançar, para compor o seu personagem, Nelson –, “Vinchuca” (2024, de Luis Zorraquin) é assim intitulado porque associa as habilidades do protagonista na invasão de residências à letalidade do inseto barbeiro, transmissor da Doença de Chagas. O diretor e roteirista estabeleceu uma metáfora entre esta doença e a própria violência do narcotráfico, que atormenta historicamente a América Latina.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Eu gostava de ouvir a voz do Armando, em meu ‘headphone’…”: a propósito, quem lembra?

Sobre o que é este filme: como o diretor é sobremaneira ativo nas redes sociais (principalmente, o Twitter) e manifesta-se de maneira ranzinza quanto a opiniões divergentes acerca de sua opulenta produção, arriscamo-nos a tornamo-nos ‘personae non grata’ por manifestarmos nossas insatisfações quanto a alguns aspectos da obra. Arriscaremos ficar sob este ônus: a despeito da excelência técnica da obra e da magistral seleção de atores e músicas, algo na intenção teleológica – recorrente na ótima filmografia do realizador – não funciona tão bem ao amarrar as inúmeras pontas (intencionalmente) soltas do ambicioso roteiro. Nas bordas, referentes à exposição de dramas pontuais, o filme é genial; na totalidade enredística, problemático em suas simplificações e decepções – inclusive, quanto ao seu desfecho, que reitera a mesma conclusão pessimista (mas crente em alguma transformação mediante apelo à nostalgia) que aparece em “Retratos Fantasmas” (2023)…

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Não filmes a morta. Dá azar!”: quando nos distanciamos de quem amamos, distanciamo-nos também de nossos lugares de pertença…

Vencedor de dois importantes prêmios – Melhor Longa-Metragem, segundo o Júri Jovem e o Júri Oficial – na terceira edição do Festival Internacional de Cinema de Maceió (Revoada), “Uma Casa Sem Cerimônia” (2025, de Bichun Yang) rememora algumas situações imediatamente posteriores à quarentena preventiva para a COVID-19, na Região Administrativa Especial de Hong Kong, agora reintegrada à China. No filme, Ricky é mostrado como um violonista em crise com a própria arte, que volta para a casa dos pais, e tenta convencê-los a se mudarem do lugar onde viveram por mais de quatro décadas, por conta das más condições do edifício. Eles relutam, o que instaura um primeiro desentendimento familiar.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Quanto custa para recuperar a memória de um país?”: uma resposta pragmática, via excelente documentário.

Depois de quase cinco anos buscando financiamento para pagar a cinematecas européias pela aquisição de imagens e sons relacionados ao seu próprio país, o cineasta Juanjo Pereira finalizou o documentário “Sob as Bandeiras, o Sol” (2025), que tematiza, justamente, os fatos ocorridos, no Paraguai, durante as mais de três décadas do governo de Alfredo Stroessner. Começa-se com a apresentação de animações sobre o caráter subdesenvolvido da nação, que faz fronteira com Argentina, Brasil e Bolívia, estando politicamente eclipsado pelos dois primeiros; em seguida, acompanhamos os desfiles celebrando a chegada do ditador ao poder. Por fim, acompanhamos as notícias sobre o seu falecimento e as condições de sucessão governamental, através de manobras efetuadas por seu próprio genro, Andrés Rodríguez Pedotti [1923-1997], mui oportunista e associado ao tráfico de drogas.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Eu não posso fazer isso contigo. Tu és muito quente lá embaixo!”: ou por que esta obsessão espetaculosa pelas biografias de psicopatas?

Roteirizado integralmente por Ian Brennan, que dirige os quarto e quinto episódios, “Monstro: a História de Ed Gein” é dividido em oito capítulos, dirigidos por Max Winkler (exceto nos dois supracitados) e mistura, além de fatos relacionados aos relacionamentos entre Ed e sua mãe e entre ele e sua vizinha Adeline (Suzanna Son), situações derivadas de uma história em quadrinhos sobre Ilse Koch [1906-1967], a “Cadela de Buchenwald” – capitã nazista que foi celebrizada negativamente por construir móveis com as peles esfoladas de prisioneiros judeus –, além das filmagens de longas-metragens inspirados nos atos mórbidos cometidos por Ed Gein, como “Psicose” (1960, de Alfred Hitchcock), “O Massacre da Serra Elétrica” (1974, de Tobe Hooper) e “O Silêncio dos Inocentes” (1991, de Jonathan Demme). Como tal, o roteiro exagera ao tentar conectar todas estas referências, o que fica ainda mais gritante quando entra em cena a cantora Christine Jorgensen [1926-1989], primeira personalidade norte-americana a se submeter a uma cirurgia de redesignação sexual, e que é mostrada como uma musa do protagonista, por causa de seu fascínio por roupas femininas.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Não se deve combinar ‘crack’ com amor. O efeito bate ruim demais!”: acerca de um filmaço sobre “as idiossincrasias das ruas dominicanas”!

É bastante pitoresco que, em A BACHATA DE BIÔNICO (2024, de Yoel Morales), nas diversas vezes em que o protagonista decide largar o ‘crack’, ele fique preocupado que, com isso, a documentação cinematográfica de sua vida deixe de ser interessante, o que nos leva a pensar no quão ético é o relacionamento entre a equipe técnica – no filme dentro do filme – e os personagens reais, antes que descubramos que não se trata de um documentário efetivo – cujas maiores suspeitas para tal têm a ver justamente com a presença hiperativa e indumentariamente refinada de Calvita. Mas, ainda assim, mesmo em seu auge artificioso, o enredo nos obriga a refletir acerca dos sentimentos de interdependência existentes entre aquelas pessoas…

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Quando passar o estado de choque, será algo atroz!”, ou de como a ansiedade cinéfila provoca atropelos…

Se a trama de “Sirât” aprisiona o potencial desta obra em certas convenções narrativas, no que tange à temática da reconciliação e na lida lisérgica com os sentimentos de luto e perante as injustiças contemporâneas, soa muito problemático que o roteiro – escrito pelo próprio diretor, em parceria com o argentino Santiago Fillol, seu colaborador habitual – acate as justificativas pretensamente despolitizadas daqueles personagens, através do pretexto simplista de que “já estamos vivenciando o fim do mundo”, conforme eles dizem em reação à transmissão apocalíptica de uma emissora de rádio.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

É válida uma cobertura de festival baseada em apenas metade da programação vista? Por que torcemos por obras específicas em premiações?

Neste texto, comentamos algumas experiências vivenciadas na quinquagésima oitava edição do Festival de Cinema Brasileiro de Brasília, que ocorreu entre 12 e 20 de setembro de 2025. Esta última data corresponde à noite de premiação, em que serão conhecidos os filmes eleitos pelos jurados e público presente nas diversas seções competitivas do evento. Porém, a lista de laureados não esgota o interesse no que foi visto, pois quase uma centena de produções, entre curtas e longas-metragens, foi exibida na edição atual deste festival, vários deles em mostras paralelas e não competitivas.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Ela morreu bem velhinha, mas lúcida — e ainda contava histórias”… (uma resenha ensaística)

Chamamos a atenção para a produção sergipana “Donas da Terra” (2025, de Ana Marinho), que dá continuidade àquilo que foi mostrado em “Velho Chico, a Alma do Povo Xokó” (2024, de Caco Souza), que concorreu no Festival de Cinema de Gramado, em 2024. Neste filme, fala-se sobre a perene luta dos indígenas que vivem na Ilha de São Pedro, no município de Porto da Folha, localizado em Sergipe, menor Estado do Brasil, onde vivem os habitantes do povo Xokó, infelizmente negados, por muito tempo, em seu direito elementar à identidade e à terra nativa. Neste curta-metragem, acompanhamos os depoimentos de mulheres que, segundo a sinopse, “ao retornarem às lembranças do período de lutas pelo território indígena Xokó, (…) destacam na narrativa coletiva novos personagens”.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Alguém tem que ficar e varrer isso daqui”: ainda sobre curtas-metragens e festivais!

Retomando a musicalidade que já adotara no extraordinário “Fantasma Neon” (2021, Premiado no Festival Internacional de Cinema de Locarno, entre outros) e em “Pássaro Memória” (2023), o carioca Leonardo Martinelli emociona-nos ao contar a história de um gari que não conseguiu uma troca de turno durante o Carnaval, já que ele queria acompanhar o desfile de blocos, pois isso faz com que ele relembre uma irmã falecida, que amava esta festividade. Numa interessante imbricação entre delírio e memória, este personagem, de nome Ângelo (Alexandre Amador), encontra um garotinho – também batizado com seu nome (interpretado por Miguel Leonardo), que pode ser ele na infância – que segura um livro, e tem a intenção de devolvê-lo. É a deixa para uma apaixonante execução coletiva da canção “Drão”, de Gilberto Gil, que faz uma participação especial no filme.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Subindo o altar do cinema”, ou de como curtas-metragens podem ser transformadores!

Um trabalho que se destaca na seleção do Kinoforum deste ano é o mais recente curta-metragem do paulistano Lincoln Péricles (LK), cineasta deveras apreciado por Jean-Claude Bernardet, “Filme sem Querer” (2025), que, de maneira espontânea, aborda os sonhos de três jovens que passam a estudar técnicas audiovisuais, graças ao Instituto Levando Cinema, e realizam um filme sobre aquilo que desejam, sobre aquilo que aprenderam, sobre aquilo que são… Todos eles esperam conseguir uma residência melhor para as suas respectivas famílias e sentem orgulho das gírias características que eles falam. Para tal, têm esperança de serem contemplados por editais públicos, que financiem as suas histórias sobre vivências periféricas.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Não falha nunca: quanto maior o vigarista, mais ele pede a proteção da lei”. Parece um laudo contemporâneo, mas é a fala de um filme cinqüentista!

Dirigido por um cineasta acerca do qual não se sabe quase nada, o longa-metragem “Sanha Diabólica” (1959, de Edward Dein) surpreende pelo modo como amalgama elementos do faroeste e do terror – de forma brilhante, aliás. Na primeira seqüência, um médico e um pastor comentam as suas respectivas filiações à ciência e à religião, enquanto tratam de uma estranha moléstia, que, de repente, acomete as jovenzinhas da cidade em que eles vivem. O médico, Dr. Carter (John Hoyt), afirma que, “se fosse supersticioso, diria estar sob o jugo de uma maldição”. Fica desolado quando a garota morre, ao proferir um grito de horror. O pastor Dan (Eric Fleming), entretanto, nota duas feridas ensangüentadas no pescoço da moça…

Ler Artigo »
Cultura
Wesley Pereira de Castro

“— Não é justo reduzir toda uma relação a uma data no calendário. Há coisas mais importantes! — O que, por exemplo? — O trabalho…”!

Enquanto produção biográfica, “Chespirito: Sem Querer, Querendo” incorre num defeito típico do subgênero, que é o sobejo de condescendência em relação ao biografado – sobretudo porque o roteiro é baseado no livro de memórias do personagem real, publicado originalmente em 1995. É interessante como se desvela as suas fontes de inspiração, aproveitando jargões do cotidiano e lembranças do que ele próprio vivera quando criança, pois teve de se afastar de sua mãe por um ano. A minissérie é conduzida segundo os clichês telenovelescos, mas consegue entreter ao retratar com simpatia alguém que era bastante hábil na manipulação enredística da pieguice.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“O que levou o comunismo ao fracasso foi a negação da religião”: afinal, todo mundo tem opinião!

Da maneira a que está habituada, Petra Costa preenche a sua narração com frases evasivas e/ou circunloquiais, declarando que está descobrindo relações a partir daquilo que ela apresenta, como se estivesse se surpreendendo, tanto quanto ela parece projetar no espectador. Para isso, ela não hesita em rebobinar uma determinada seqüência, a fim de esmiuçar movimentos cúmplices entre Jair Bolsonaro e Silas Malafaia, além de repetir frases e explicar sentenças que, por si só, são demasiado evidentes. Contrariando uma definição senso-comunal, Petra Costa não permite que seu documentário seja didático ou imparcial, e chega a ser repetitiva naquilo que pretende expor enquanto tese, partindo de um pressuposto deveras errôneo: ela refere-se aos evangélicos de maneira sempre coletiva, em bloco, negligenciando as distinções que ocorrem entre congregações e doutrinas.

Ler Artigo »
Arte
Wesley Pereira de Castro

“Para pensar na desgraça, é necessário senti-la!”: mais uma vez, falemos sobre a ressignificação da dor através da arte…

O documentário “A Lembrança de um Futuro” (2001, de Yannick Bellon & Chris Marker) foi realizado pela filha da personalidade homenageada e pelo idealizador do que hoje conhecemos como cinema-ensaio. Este média-metragem, com pouco mais de quarenta minutos de duração, homenageia os feitos de Denise Bellon [1902-1999], uma fotógrafa francesa que, ao registrar imagens do pós-guerra, captando situações ocorridas após a I Guerra Mundial, captou, por similaridade previdente, elementos concernentes ao pré-guerra, no sentido de que evidenciam questões que balizariam os eventos da II Guerra Mundial, ocorrida entre 1939 e 1945. Exemplo: ao flagrar os relances de pessoas despidas, celebrando a própria nudez enquanto indicativo de liberdade, ela chamou atenção para o culto à perfeição corporal que se tornaria uma das bases ideológicas do Nazismo.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Quando o corpo morre, o câncer também morre”: livremo-nos do luto que adoece, via ressignificação artística (e política)!

A fim de converter nalgo intelectualmente produtivo a aflitiva sensação de perda deixada pela notícia supracitada (o falecimento do crítico Jean-Claude Bernardet), convém assistir ao ótimo longa-metragem “O Senhor dos Mortos” (2024 – “As Mortalhas”, tradução do título original, em Portugal), mais recente produção do mestre do horror corporal David Cronenberg. Neste roteiro, evidentemente autobiográfico, o cineasta parte de uma reflexão sobre o vazio deixado após a morte de sua esposa Carolyn Zeifman [1950-2017], com quem vivia desde 1979, e que era operadora de câmera e produtora cinematográfica. Para validar a experiência de imersão, o protagonista Vincent Cassel está fisicamente muito parecido com o diretor. Porém, a narrativa parte para os rumos intricados que caracterizam os seus enredos…

Ler Artigo »
Cultura
Wesley Pereira de Castro

“De onde eu venho, as pessoas são acostumadas a não ter papas na língua”: a propósito da segunda temporada de uma excelente telessérie

Situada no início da década de 1920, “Boardwalk Empire – O Império do Contrabando” teve cinco temporadas e é protagonizada por Steve Buscemi, que interpreta Nucky Thompson, tesoureiro corrupto de Atlantic City, que arregimenta a sua riqueza através do tráfico de bebidas alcoólicas, durante o período da Lei Seca. Ele apaixona-se por Margaret Schroeder (Kelly Macdonald), que apanha constantemente do marido, o que a leva a aceitar o convite de Nucky para morar consigo, depois que este ordena o assassinato de seu rival amoroso. Nucky é constantemente acompanhado por Jimmy Darmondy (Michael Pitt), um veterano de guerra que, em determinado momento, decide tornar-se, ele próprio, um chefe do crime organizado, enquanto lida com as rusgas entre a sua esposa infeliz, Angela (Aleksa Palladino), e sua mãe controladora, Gillian (Gretchen Mol), além de contar com o apoio do taciturno Richard Harrow (Jack Huston), um ex-soldado que teve o rosto deformado na I Guerra Mundial.

Ler Artigo »
Música
Wesley Pereira de Castro

“Ele cuspiu na minha boca como se estivesse fazendo uma oração”: da recusa à autocensura enquanto garantia de expressividade emocional

Dando prosseguimento a um caminho já trilhado por Patti Smith, Joni Mitchell, Alanis Morissette e pela própria Madonna, entre tantas outras, Lorde oferece-nos canções inteligentes e entremeadas por paradoxos rítmicos (às vezes, a melodia é contagiante, mas a letra é depressiva), servindo como porta-voz orgânica, em contínua transmutação, de uma conjuntura musical que não disassocia os devaneios íntimos das motivações coletivas. Afinal, o direito ao prazer sexual – ainda subestimado, em sua faceta estrogênica, por causa do machismo estrutural que atravessa a nossa sociedade – é uma exigência política que merece ser cantarolada, enquanto ressignificamos os traumas psicológicos, geralmente derivados de abusos adolescentes, provenientes de parentes, cônjuges ou estupradores disfarçados de companheiros.

Ler Artigo »
Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Tu só me encontraste porque ontem choveu”…: que tal mais um exercício crítico, envolvendo a audiência imediata a um filme pouco conhecido?

Originalmente nomeado “The Fastest Gun Alive” [“A arma mais rápida do mundo” – rebatizado “A Vida ou a Morte” em Portugal], “Gatilho Relâmpago” (1956, de Russell Rouse) surpreende pela maneira com que desenvolve a sua trama, afinal elementar: logo no começo, o personagem Vinnie Harold (Broderick Crawford, brilhantemente odioso) busca o xerife de uma cidadezinha, que, ao aparecer, não compreende o porquê de estar sendo procurado, já que não reconhece o seu opositor. Este afirma que soube de sua fama como o “pistoleiro mais rápido do Oeste”, e assassina o xerife de maneira impiedosa, o que logo se espalha, enquanto fofoca, até chegar à cidadela de Cross Creek, onde vive o nosso protagonista, George Kelby Jr. (Glenn Ford), que possui uma mercearia junto à sua esposa grávida Dora (Jeanne Crain). Ele dedica várias horas de seu dia ao treinamento de tiros, mas nunca é visto portando um revólver ou bebendo em público. Em breve, descobriremos as razões por detrás desta decisão, que causa estranhamento entre os cavalheiros locais.

Ler Artigo »

LOGIN

REGISTAR

[wpuf_profile type="registration" id="5754"]