É menos pior chegar atrasado que faltar? (ou de como lidar com a falta induzida de assunto)


Se tu moras na região metropolitana da capital do menor Estado do Brasil, convido-te a comparecer nas sessões da “Mostra Cinematográfica de Cinema e História: o Oscar® e o ‘Zeitgeist’”, cujas inscrições estão abertas no sistema SIGAA da Universidade Federal de Sergipe; se tu não moras, reitero o pedido de todas as semanas: conversemos, puxem assuntos, questionem o que está publicado, tragam novas contribuições dialogísticas para a esfera pública.
“Este é o prenúncio de uma revolução. Impressione-me!”, ou ainda sobre (e finalmente) o Oscar 2026…


Conforme alguns esperavam, “Uma Batalha Após a Outra” (2025) consagrou-se como o grande vencedor da nonagésima oitava cerimônia do Oscar, ocorrida em 15 de março de 2026: o filme foi laureado em seis dentre as treze categorias em que esteve indicado. O diretor Paul Thomas Anderson – bastante celebrado pela crítica especializada, desde os lançamentos de “Boogie Night – Prazer Sem Limites” (1997) e “Magnólia” (1999), respectivamente, seus segundo e terceiro longas-metragens – confirmou a sua predileção por personagens socialmente deslocados e carentes de afeto, ainda que tenha efetivado algumas concessões narrativas, a fim demonstrar-se acessível às grandes platéias. Optou pela temática familiar, adaptando de maneira livre o romance “Vineland”, publicado em 1990 pelo escritor iconoclasta Thomas Pynchon.
“Os branquelos adoram ‘blues’, mas não gostam de quem criou esse tipo de música”, ou de quando o filme mais indicado não é precisamente o favorito…


O título do filme “Pecadores” (2025, de Ryan Coogler), confirmando uma predicação do pastor Jedidiah, possui interessante conotação crítica, no sentido de que a religião imposta como falsa apaziguadora de conflitos surge como motivação para as atitudes dos vilões, sendo mui representativo o instante em que Samuel, a fim de livrar-se de um ataque vampiresco, começa a rezar o Pai-Nosso, e surpreende-se ao perceber que o agressivo Remmick (Jack O’Connell), de origem irlandesa, completa a oração, dizendo que este foi o ensinamento que os invasores de seu povo impuseram-lhe à força. Que este personagem seja um vampiro perseguido por nativos indígenas e desejoso de apropriar-se da musicalidade negra é algo deveras significativo!
“Não peças a teu pai algo que eu já te neguei”: acerca da experiência esquizofrênica de ser mãe em tempo mais que integral!


Produzido, entre outros, pelo cineasta Josh Safdie – o que explica a adesão à temática da ansiedade no enredo –, “Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria” traz à tona uma questão assaz recorrente na contemporaneidade, em termos de percepção de algo que esteve invisibilizado por muito tempo: o esgotamento físico e emocional das mães dedicadas a filhos que carecem de cuidados especais – e que ainda são cobradas por isso!
“Às vezes, mesmo quando tu perdes, és o vencedor” ou “de onde eu venho, é cada um por si”: reconhecem a lógica nacional cinematográfica embutida nestas frases?


Dirigindo sem a cooperação de seu irmão Benny Safdie – cuja interrupção súbita de uma parceria longeva está envolta em diversas polêmicas –, o realizador de “Marty Supreme” (2025) confirma um frenesi rítmico associado à ansiedade progressiva e incessante, recorrente em obras como “Bom Comportamento” (2017) e “Jóias Brutas” (2019), bastante elogiadas pela crítica especializada. Porém, este elemento autoral revela um descompasso entre a direção eficiente e o roteiro escrito em comunhão com o parceiro habitual Ronald Bronstein: os atores gritam o tempo inteiro e isto faz com que não se perceba que as conseqüências de seus atos não são tão cumulativas quanto deveriam.
‘Almost no surprises!’: saíram as indicações ao Oscar 2026. E daí?


A divulgação dos indicados ao Oscar 2026, ocorrida em 22 de janeiro de 2026, despertou expectativas nos brasileiros, acerca de quais categorias o longa-metragem “O Agente Secreto” (2025, de Kleber Mendonça Filho) seria lembrado. Celebramos o feito, em termos industriais, para o cinema nacional, visto que a produção brasileira foi nomeada em quatro categorias [Filme, Ator (Wagner Moura), Filme Internacional e a recém-criada Seleção de Elenco]. Porém, conforme esperado, os filmes mais celebrados foram as produções estadunidenses “Pecadores” (2025, de Ryan Coogler) – com o recorde de dezesseis indicações – e “Uma Batalha Após a Outra” (2025, de Paul Thomas Anderson), nomeado a treze categorias, além do vencedor de Globo de Ouro – Drama, “Hamnet – A Vida Antes de Hamlet” (2025, de Chloe Zhao), com oito indicações. Tudo indica que a concessão do principal prêmio da noite acontecerá entre um desses três filmes, que já foram sobremaneira reconhecidos em premiações anteriores.
“— Quando um homem não enfrenta a guerra, ele é um covarde… — Se mais homens fossem covardes, não existiriam guerras!”: vamos falar sobre a temporada hollywoodiana de premiações cinematográficas?


Enquanto não saem as indicações oficiais ao Oscar 2025, e alguns fãs dos filmes listados digladiam-se como se estivessem representando torcidas de futebol – o que, em nossa opinião, é inadequado no cotejo entre obras de arte –, outro longa-metragem que surge como potencialmente favorito na categoria Melhor Filme Internacional é o italiano “Vermiglio” (2024, de Maura Delpero) que, tal qual “Ainda Estou Aqui”, estreou no Festival de Cinema de Veneza. Enquanto o filme brasileiro foi premiado com a láurea de Melhor Roteiro, “Vermiglio” recebeu o Leão de Prata (ou Grande Prêmio do Júri), além de outros prêmios setoriais – como “Melhor Filme Italiano” em competição, por exemplo.
É preciso sempre voltar aos clássicos! (conselho da arte, conselho na vida)


Vencedor do Oscar de Melhor Diretor por “Gigi” (1958), o norte-americano Vincente Minnelli [1903-1986] realizou em 1952 a obra-prima dramática “Assim Estava Escrito”, que sintetiza com maestria os cacoetes produtivos que engendraram a magnificência dos filmes estadunidenses. Era a época dos grandes gêneros, das superproduções, do ‘studio’ e do ‘star system’. E é tudo brilhantemente retratado neste longa-metragem, cujo título original é ‘The Bad and the Beautiful’ [“O Bruto e a Bela”], mas foi batizado em Portugal como “Cativos do Mal”. Afinal, cada país incutia nos títulos dos filmes chamarizes específicos para suas audiências nacionais…
Pois rever é, também, reviver: a importância de (re)encontrar quem está mais à frente, no caminho!


Não obstante a entusiástica aclamação, por parte da crítica internacional, ao filme “Nomadland” (2020, de Chloé Zhao) – que culminou no recebimento do Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza e nos prêmios Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz, entre tantas outras láureas –, foi reclamado que este longa-metragem registraria […]
“É complicado”, eles repetem: “a heroína alivia um pouco a dor, mas tudo volta depois, pior que antes”!


Conforme o próprio título deixa evidente, conheceremos um pouco dos percalços envolvendo a trajetória artística da cantora Billie Holiday [1915-1959], que faleceu aos 44 anos de idade, em decorrência de complicações da cirrose, após uma vida trágica e uso contínuo de opiáceos. Entretanto, conforme percebemos no mesmo título, a abordagem jornalístico-judicial sobrepuja-se aos demais aspectos biográficos, de modo que, mais uma vez, escolhe-se uma imponente personalidade negra como coadjuvante de sua própria história…
“O pior não é pertencer ao Sistema, mas ser ignorado por ele”: eu comento ou vocês comentam?


Não obstante já ter sido exibido no Festival de Veneza e de receber a atenção positiva de alguns críticos, este filme surge quase como um contra-exemplo nessa lista, havendo a possibilidade de ele ser tão desprestigiado pelo público, com o passar do tempo, quanto os títulos mencionados no primeiro parágrafo. Afinal, é um filme que não sustenta as intenções pretensamente denuncistas do pasticho greenawayniano de seu roteiro: chega a parecer uma comédia involuntária, em mais de um momento!
Em defesa do documentário: “quando a imprensa se curva perante as autoridades, estas tratam mal os cidadãos”!


Dentre os títulos elegíveis para indicações ao Oscar 2021, o filme romeno “Colectiv” (2019, de Alexander Nanau) desponta como um dos favoritos às categorias Melhor Documentário e Melhor Filme Internacional. Além de ter recebido um dos principais prêmios no 25° Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, em 2020, recebeu mais uma vintena de láureas em festivais cinematográficos ao redor do mundo, além de variegadas indicações. É, desde já, um dos exemplares mais importantes do gênero neste início de século XXI…
“Quando nasce um filme? Às vezes, ele nasce de uma sentença de morte!”


Após estrear no Festival Internacional de Cinema de Veneza, “Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou” (2019, de Bárbara Paz) recebeu o prêmio de Melhor Documentário e um prêmio especial da Crítica Independente, iniciando assim a sua carreira de láureas. Ao ser escolhido pelo Comitê de Seleção da Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais como o representante para a possível indicação ao Oscar de Melhor Internacional em 2021, houve certa celeuma em razão de tratar-se de um documentário, gênero que alguns temem que não seja suficientemente popular (na acepção industrial do termo)…
Nas rebarbas do Oscar 2020: “quando tu consegues um pouco de poder, podes te converter num monstro”


Apesar de ser republicano, a filmografia de Clint Eastwood ultrapassa o esquerdismo explícito de alguns cineastas afobados ao erigir um ‘corpus’ sobremaneira sólido, em que protagonistas injustiçados são defendidos de maneira incisiva. Ou seja, tal cineasta é um patriota irrepreensível, mas não esquiva-se quando é necessário denunciar as más ações de homens poderosos e do “lado certo da Lei”.
Pergunta supratextual: no feminismo orgânico, há lugar para as patricinhas?


“Adoráveis Mulheres” (2019), indicado a seis categorias no Oscar 2020 mas preterido na categoria de Melhor Direção, engendrou polêmicas acerca do machismo dominante na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Em paralelo a estas polêmicas, foi muito criticado o olhar excessivamente “branco” (porque privilegiado) da diretora Greta Gerwig. Em que sentido tais polêmicas favorecem ou denigrem o filme em si?
Dois filmes, as mazelas da guerra, e o silenciamento daquilo que dói mais…


Em “1917”, as proezas técnicas do fotógrafo Roger Deakins soam gratuitas ou pouco expressivas na nulidade dramática do percurso efetuado por um soldado aparentemente imbatível. Politicamente, isso chega a ser torpe. É neste momento que o documentário “Para Sama” surge como brilhante contra-exemplo.
Abstrações financeiras do amor cinematográfico no século XXI: mais um irritante caso baumbachiano


Produzido pela plataforma Netflix, “História de um Casamento” foi o filme mais indicado no anúncio dos concorrentes ao prêmio Globo de Ouro, cuja cerimônia ocorrerá em 05 de janeiro de 2020, sendo lembrado em seis categorias: Melhor Filme – Drama, Melhor Roteiro, Melhor Trilha Musical e três categorias interpretativas, comentadas a posteriori.
