Poema “Canta o caboclo a cobra coral”

 

Farta argum acunchego

Entre eu e a bacorá

Ela me quis mordê

Eu a quis matá

Sôfrego temendo u veneno

Fui correndo lá sangrá

Tremendo fugi de medo

Cum medo de me pelá

Parecia saruê querendo pegá

Querendo mordê, querendo matá

Qui nem querequexé deixava passá

Pensav’in tudo vê  a cobracorá

Por isso bolava e rolava

Curria, trimia, fingia, quizília

C’a bacorá, fugia e rebolava

Ela mi qué matá, a do canhoto fi’a

  

Quem corre foge d’arguém

D’arguém qui lhi quer má

Já num vorto nem si nem

Memo si Deus mandá.

 

 

Pág 72 do Antológicas.

Ilustração de Rafaela Paraná Do Coutto.

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