Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe/Brasil, é graduado em Radialismo e Jornalismo pela mesma universidade Federal. É especialista e tem interesses de pesquisas e estudos em Cinema (sobretudo, o brasileiro), Política e Pornografia. Filiado à Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema.

Artigos deste autor:

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Wesley Pereira de Castro

Atendimento à distância, adoecimento lado a lado: um segundo olhar sobre os atendentes de telemarketing

Segundo estatísticas, perda de audição, depressão e deficiências ósseas decorrentes de problemas posturais são os mais freqüentes no telemarketing. Existem vários estudos sobre a profissão, visto que a mesma é a principal demonstração do que se convencionou chamar de precariado, neologismo que advém da expressão “proletarizado precarizado”.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Quando o trabalho não dignifica…[um exemplo elíptico]

A fim de comentarmos a polêmica envolvendo a anunciada aprovação de uma reforma previdenciária que tende a tornar ainda mais calamitosa a situação dos trabalhadores brasileiros, servir-nos-emos de uma análise de um clássico filme japonês enquanto metáfora primeva do mal-estar hodiernamente generalizado. Trata-se de “A Mulher Inseto ou Tratado Entomológico do Japão” (1963), dirigido pelo mestre da ‘Nubaru vagu’ – nomeação particular para a ‘Nouvelle vague’ japonesa – Shohei Imamura (1926-2006).

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Paradoxo metonímico da crítica cinematográfica contemporânea: pode-se ser contra o processo e a favor de seus produtos?

Enxergado como epítome de um vilanaz sistema que reinstaura o truste entre produção, exibição e distribuição, “Vingadores: Ultimato” foi comumente excluído dos textos críticos como tal. Motivo principal: temia-se terrivelmente a revelação de ‘spoilers’, informações tramáticas que supostamente estragariam o prazer de quem ainda não viu o filme. Decorrência imediata: pré-estréias com ingressos esgotados!

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Sociedade
Wesley Pereira de Castro

O novo petardo do preto que, definitivamente, não “passou a vida em branco”…

Em 2019, o ‘rapper’ Djonga volta à cena com “Ladrão” e presta-se magistralmente à explanação de seus temas-chave, dialogando tanto com admiradores quanto detratores. Na faixa-título do novo disco, a sexta, ele dispara: “você piscou, eu já tô no terceiro/ Tem gente que nem entendeu o primeiro inteiro/ Arte é pra incomodar, causar indigestão/Antes de tu engolir, te trago um prato cheio”. Definitivamente, precisamos falar sobre este artista!

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Das possíveis concatenações entre política e religião

Divergências ideológicas à parte, não é um despautério afirmar que o papa atual demonstra-se bem mais progressista que os seus antecessores, conforme percebemos no documentário “Papa Francisco: Um Homem de Palavra” (2018), dirigido pelo consagrado cineasta alemão Wim Wenders.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Quando estivermos prontos, acontecerá algo; quando acontecer algo, estaremos prontos!”

A fórmula contida no título foi extraída do filme de guerrilha intelectual “Partner” (1968), terceiro longa-metragem do genial cineasta Bernardo Bertolucci (1941-2018). Na cena em pauta, um professor de teatro desafia a sua turma a criar ação a partir de situações banais do cotidiano: “o teatro é uma das vias para se chegar à realidade”, gritava ele. O desafio é para nós, espectadores!

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

A simplicidade orquestrada da beleza cotidiana: um triunfo do cinema mineiro

Voltando ao discurso emocionado de seu diretor – que é negro – um dos méritos mais altissonantes deste filme tem a ver justamente com o protagonismo racial defendido pelo realizador, naturalizado em sua grandiosidade corriqueira, em suas epifanias triviais. Grace Passô firma-se como uma das atrizes mais valiosas do cinema brasileiro contemporâneo.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Deontologia da crítica anti-recomendativa: a perfídia em forma de mau documentário!

A despeito de quaisquer juízos de valor sobre o delicado tema do abuso sexual de menores – e, infelizmente, tudo leva a crer que o cantor realmente tenha cometido vários dos crimes dos quais foi acusado – este filme opta pelos mais nojosos estratagemas de condução espectatorial. Técnica e eticamente, “Deixando Neverland” soçobra em seu tom revanchista e em sua pusilânime unilateralidade expositiva de fatos anteriormente negados em julgamentos públicos.

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Globalização
Wesley Pereira de Castro

Adoecimento físico e psicológico no telemarketing: esgotamento induzido do precariado

Por conta disso, o setor de telemarketing é o grande bode expiatório do precariado, sobretudo em sua vertente toyotista – ou seja, embasada na fragmentação de classe, a partir de uma lógica pretensamente participativa que desespecializa os funcionários, visto que estes realizam funções genéricas, em que o fruto de seu trabalho não engendra produtos, mas o serviço em si, que não pode ser mensurado.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Quando ver um filme torna-se uma necessidade sociológica ou a falibilidade proposital das convenções de gênero como evento (auto)crítico

Ao final da sessão, não faltarão hordas de espectadores e/ou críticos que apressar-se-ão em “explicar” os significados ocultos do versículo bíblico reiteradamente apresentado ao longo da projeção, o décimo primeiro versículo do capítulo 11 do livro de Jeremias, que prediz: “portanto, assim diz o Senhor: eis que trarei mal sobre eles, de que não poderão escapar; e clamarão a mim, mas eu não os ouvirei”. O que este vitupério acrescenta à nossa leitura alardeada de um dos filmes mais fascinantes deste ano recém-iniciado?

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

A arte de Eugène Green, ou os filmes que devem ser vistos por quem está se sentindo cansado…

Em sua utilização tramática de um rigoroso cabedal artístico, o cinema maiúsculo de Eugène Green talvez apresente um recorte mui privilegiado da ‘intelligentsia’, oportunamente (auto)criticado em “A Ponte das Artes”. Mas ele não é excludente. Muito pelo contrário, ele convida, ao inebriar-nos. Fica a proposta discursiva, portanto.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Reflexão (auto)crítica – ou por que precisamos falar sobre a Netflix, mas não somente sobre a Netflix!

Não é necessário assistir ao filme para sabermos como ele terminará e/ou será conduzido enredisticamente: ao promulgar uma rejeição chistosa da suposta falta de criatividade dos roteiros mais tradicionais do cinema estadunidense, esta peça fílmica obedece-os rigorosamente, obtendo um sucesso arrebatador e imediato, ainda que o filme não tenha sido programado para estrear nas salas de cinema.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Empoderamento cotidiano (reflexão carnavalesca sobre a trajetória fílmica da cineasta Tata Amaral)

Tendo estreado no circuito comercial brasileiro em novembro de 2018, “Seqüestro Relâmpago” foi muito pouco visto, infelizmente. Beneficiou-se de nova sorte ao ser exibido na TV por assinatura, mas, ainda assim, permanece restrito a um público distinto da generalidade ao qual se direciona. Não por acaso, este é um problema que aflige toda a filmografia de Tata Amaral e a de várias outras cineastas de renome. É uma chaga a afligir quase todo o cinema brasileiro, na verdade: a invisibilidade denunciada como financiadora suplementar de inúmeros crimes é convertida em obnubilação espectatorial.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

As promessas discursivas do Oscar – Parte II: análise depois da cerimônia

Houve bastante insatisfação em relação ao premiado na categoria principal, afinal não de todo imerecido. Não era o melhor dentre os indicados nem muito menos o mais relevante, mas obedece rigorosamente a uma certa cartilha de adequação genérica. A cerimônia é famosa justamente por não excluir as tendências formulaicas: rendeu-se à previsibilidade um tanto anódina deste premiado, mas também abriu portas (ou “pontes, ao invés de muros”) em relação a categorias antes bastante excluídas ou desprivilegiadas.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Às vezes, é necessário mostrar novamente o que já foi visto… [Ou por que o vangoghismo não sai de moda?]

Repleto de seqüências conduzidas com a câmera na mão e reproduzindo brilhantemente o impacto cromático das telas do pintor pós-impressionista, o filme de Julian Schnabel diferencia-se dos anteriores pelo modo como convida o espectador a sentir a mesma aflição experimentada pelo protagonista, interpretado de maneira intensa pelo excelente Willem Dafoe.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Medo, dor, perda, vitimização, ressentimento… e aquilo que precisamos aprender com a História! (um vívido elogio fassbinderiano)

Totalizando quinze horas e trinta um minutos de duração, “Berlin Alexanderplatz” (1980) é uma versão mui pessoal de um romance homônimo bastante cultuado, publicado em 1929, com o intuito explícito de reagir à gestação nacional-socialista então em curso numa Alemanha econômica e moralmente falida.

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