Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe/Brasil, é graduado em Radialismo e Jornalismo pela mesma universidade Federal. É especialista e tem interesses de pesquisas e estudos em Cinema (sobretudo, o brasileiro), Política e Pornografia. Filiado à Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema.

Artigos deste autor:

Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Somos a região que mais paga impostos. E não recebemos quase nada por isso!”: um filme-síntese.

Tendo como assunto intermediário um projeto de emancipação nacional dos Estados sulistas do Brasil, este filme parte da dilaceração psicológica de um personagem para diagnosticar um fenômeno antitético que disseminou-se no país sob a expressão “pobre de direita”. O protagonista é Antônio Pitanga, que, no auge de seus oitenta anos de idade, entrega-nos uma interpretação bastante distinta de sua euforia habitual: está contido, oprimido, silencioso… Até que as condições externas obrigam-no a gritar, cantar um aboio de protesto!

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Sabe por que a cocaína é proibida no Brasil?” O filme como um contra-exemplo

Abordar as variáveis – tramáticas ou documentais – referentes às drogas é, uma questão muito delicada, em razão da tendência quase inevitável à criminalização. Sendo assim, o filme “Cracolândia” (2020, de Edu Felistoque) acrescenta alguns aspectos mui problemáticos a esta reflexão. Inclusive, porque uma breve análise da filmografia do diretor faz com que temamos aquilo que confirmar-se-á no primeiro instante: é um filme que escolhe a abordagem policialesca, a defesa das táticas de choque como necessidade emergencial de intervenção!

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Quem destrói o amor de quem? “Violência, né? Desde quando resolveu alguma coisa?”

É exatamente isso o que Daniel Nolasco faz em relação à naturalização da (homo)sexualidade em seu mais recente longa-metragem: repleto de cenas de sodomia, felação, cuspidas no rosto e insinuações masturbatórias, o filme tem sido surpreendentemente atacado por moralistas (inclusive, vinculados à esquerda partidária), que tacham de “inatural” a compulsão erótica do protagonista, quando há inaturalidades muito mais gritantes (e vilanazes) no enredo, sob o jugo do capitalismo. Avaliemos, portanto, a sinopse e os personagens de “Vento Seco”…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Com ou sem crise, os pneus furam”: o Capitalismo é o maior indutor de depressão que existe!

Para quem já está acostumado ao ótimo cinema comercial argentino, é sabido que um de seus mais consagrados méritos é inserir fatos socioeconômicos e políticos como essenciais para o desenvolvimento tramático. Seja numa simples comédia romântica ou num intricado enredo policial, os eventos nacionais são apresentados como corriqueiros, organicamente compartilhados entre os cidadãos.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Educação é um conceito eminentemente político. Caso contrário, incorre no lastro bancário!

A extinção do Ministério da Cultura e a inefetividade do Ministério da Educação são ferramentas acessórias de manutenção da ignorância denunciada por Paulo Freire há várias décadas, e a progressiva mecanização do ensino, no sentido mais behaviorista do termo, é ofertada como panacéia no extermínio da “doutrinação comunista” que, segundo a Extrema-Direita, existe nas universidades públicas e federais.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Sem a prerrogativa da dúvida, “quanto mais se pode ver, mais se pode cometer erros”!

O lançamento de um documentário como “Não Haverá Mais Noite” (2020, de Eléonore Weber) surpreende pela aplicação prática das teorias virilianas, numa conjuntura assaz contemporânea: é o corolário perfeito (e apavorante) do combate de narrativas, convertido em potenciais genocídios, que caracteriza a chegada ao poder das facções de extrema-direita, além de metonimizar a perene atividade destrutiva do imperialismo estadunidense ao redor do mundo.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

As más notícias ficam menos intranquilas em árabe? ‘la, lkn min aldrwryi altwasl!’

Conforme já foi enfatizado em mais de uma oportunidade, enquanto incentivo quarentenário para que o CoronaVírus não espalhe-se ainda mais pelas ruas, diversas plataformas fílmicas estão oferecendo catálogos maravilhosos de produções não tão acessíveis ao grande público. Um exemplo bastante aplaudível é a edição virtual da 2ª Mostra de Cinema Egípcio Contemporâneo, disponibilizada entre os dias 29 de julho e 23 de agosto de 2020. Vale a pena conferir!

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Dizer o que se quer e o que se deve precisam ser atos excludentes?

No terreno artístico, são inúmeras as apresentações disponibilizadas ‘on-line’, de modo que a palavra anglofílica ‘live’ foi naturalizada: é graças às apresentações transmitidas ao vivo de cantores, dançarinos e teatrólogos que muitas pessoas estão suportando uma quarentena que estende-se por tempo cada vez mais indeterminado.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

A toxicomania é um percurso? O cinema oferta uma posologia consciente!

O longa-metragem sul-africano “Barry Fritado” (2020, de Ryan Kruger) é bastante necessário: exibido com muito alarde crítico na décima sexta edição do Fantaspoa – Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre, que, em 2020, foi completamente virtual – este filme oferece-nos uma incursão deveras inusitada na temática toxicômana, assemelhando-se, em lógica discursiva geral, ao conto “O Alienista” (1882), do celebrado escritor brasileiro Machado de Assis [1839-1908].

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Ressignificando más notícias: “essa dor que sentes é porque estás a virar pajé”!

Numa má conjuntura noticiosa, que afeta de maneira determinante as comunidades indígenas do País, a disponibilização do filme “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos” (2018, de João Salaviza & Renée Nader Messora) surge como recomendação mais que benfazeja. Premiado na mostra ‘Un Certain Regard’ do Festival Internacional de Cinema de Cannes, este longa-metragem rodado em Tocantins destaca-se pela sensibilidade sobressalente de seu roteiro.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Quem goza, buzina; quem ama, perdoa. Enquanto isso, o preconceito (religioso) mata!

Enquanto forma de exortação sobrevivencial ao confinamento advindo da crescente mortalidade por COVID-19 no Brasil, “Azougue Nazaré” foi gratuitamente disponibilizado para audiência via ‘streaming’. Poucos anos após a sua realização, ele funciona não apenas enquanto prognóstico social mas enquanto registro mui verossímil da perniciosidade moral atrelada à extrema-direita política, em que a hipocrisia é a principal chave ativa.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Eu não tenho direito a uma segunda chance?”: eis a chaga aberta do cancelamentismo!

O filme “Cartas de Amor” (1953) foi um dos primeiros filmes japoneses a ser dirigido por uma mulher. Kinuyo Tanaka (1910-1977) estreou como diretora após ter voltado de uma viagem aos EUA, onde esteve como embaixadora da cultura nipônica. Foi bastante criticada por seus compatriotas após o seu retorno, sendo acusada de imitar hábitos estrangeiros e, por motivos óbvios, tudo isso está contido nas entrelinhas melodramáticas de seu ótimo filme.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

O tempo, a (in)justiça, o outro: aquém desses conceitos, a necessidade de (sobre)viver…

Último longa-metragem do pioneiro cineasta africano Djibril Diop Mambéty, “Hienas” (1992) surpreende pelo modo genialmente local com que adapta a peça “A Visita da Velha Senhora”, do dramaturgo suíço Friedrich Dürrenmatt, que é homenageado nos créditos finais do filme. Na trama original, uma senhora influente volta à cidade alemã de Güllen, a fim de vingar-se de uma extrema injustiça que a vitimou na juventude; na adaptação senegalesa, o argumento geral é mantido, mas o viés autoral permite que reflitamos adicionalmente sobre as mazelas advindas do colonialismo.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Os cocôs têm a habilidade do carinho da morte” e/ou sigamos gritando contra o fascismo!

“Pazúcus: A Ilha do Desarrego” (2017, de Gurcius Gewdner) é uma sugestão atípica porém deveras inspirada: em seu cabedal de imundícies, o filme revela muito sobre aquilo que corrói-nos nacionalmente, num viés extrema e propositalmente tosco e metafórico. Desrespeita todas as regras narrativas possíveis, incluindo aquelas que atrelam-se às convenções limítrofes de um alegado bom gosto: é um filme feio, repleto de defeitos, esculhambado, confuso, irregular, porém genial!

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Cultura
Wesley Pereira de Castro

A vontade de suicídio às vezes é tédio inassumido: ouçamos música, portanto!

Composto por apenas nove faixas, o novo álbum de Adriana Calcanhotto reflete bem o espírito de resistência íntima em meio ao confinamento: foi gravado em menos de dois meses e composto de maneira quase automática. Segundo entrevistas, a cantora já acordava inspirada para escrever as canções, incluindo-as no álbum à maneira que foram surgindo. E ela merece aplausos por isso: o disco é ótimo!

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