Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe/Brasil, é graduado em Radialismo e Jornalismo pela mesma universidade Federal. É especialista e tem interesses de pesquisas e estudos em Cinema (sobretudo, o brasileiro), Política e Pornografia. Filiado à Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema.

Artigos deste autor:

Cinema
Wesley Pereira de Castro

Em defesa do documentário: “quando a imprensa se curva perante as autoridades, estas tratam mal os cidadãos”!

Dentre os títulos elegíveis para indicações ao Oscar 2021, o filme romeno “Colectiv” (2019, de Alexander Nanau) desponta como um dos favoritos às categorias Melhor Documentário e Melhor Filme Internacional. Além de ter recebido um dos principais prêmios no 25° Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, em 2020, recebeu mais uma vintena de láureas em festivais cinematográficos ao redor do mundo, além de variegadas indicações. É, desde já, um dos exemplares mais importantes do gênero neste início de século XXI…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“O povo está para a guerrilha como a água está para o peixe. Quem quiser acabar com o peixe, deve primeiro acabar com a água”…

Já foi dito, nesta coluna, que o terror é um gênero cinematográfico eminentemente político. A audiência ao filme guatemalteco “La Llorona” (2019, de Jayro Bustamante) – indicado ao Globo de Ouro 2021 de Melhor Filme em Idioma Estrangeiro – confirma de maneira grandiosa esta afirmação. Sobretudo porque o roteiro assume esta relação num viés perturbador: o que assusta no filme são os fantasmas de genocídios contemporâneos, ainda insuficientemente enfrentados pela História…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Sabe o que a cerca realmente quer dizer? ‘Resolva vossos problemas’!”: os perigos do assistencialismo fílmico

Se, em termos ritmicamente narrativos, “Adú” permanece entretenedor e agradável, em relação aos seus posicionamentos políticos e morais, ele demonstra-se reprovável em inúmeros aspectos, pois não esconde seus abundantes recursos de manipulação, servindo-se de câmeras lentas e de música altissonante, a fim de comover epidermicamente o espectador.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

(Título não autorizado)

Surpreendentemente indicado em quatro categorias importantes do prêmio Globo de Ouro (Melhor Filme Dramático, Melhor Direção, Melhor Atriz e Melhor Roteiro), “Bela Vingança” ajudou a concretizar algo histórico – e muitíssimo importante: pela primeira vez, dentre as cinco indicações destinadas a Melhor Direção, três delas foram ocupadas por mulheres. O filme chega num momento mais que pontual, adequadíssimo.

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Arte
Wesley Pereira de Castro

Aderindo ao côro reivindicativo: há alguma pessoa transexual em seu filme favorito?

Eleito o melhor filme ficcional brasileiro pelo Júri Popular da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e amplamente laureado no Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, em 2020, “Valentina” foi escolhido como sessão de encerramento para a Mostra Tiradentes do Cinema Brasileiro, em 30 de janeiro de 2021, um dia após a data consagrada à visibilidade transexual. Serviu muito bem!

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Arte
Wesley Pereira de Castro

A repetição na arte enquanto artifício político: homenageemos Paula Gaitán!

Além dos novos curtas e longas-metragens de uma geração mui recente de cineastas, há, nesta edição virtual de 2021 da Mostra Tiradentes, uma seleção de filmes destinada a homenagear a cineasta franco-colombiana Paula Gaitán, cuja filmografia condiz perfeitamente com aquilo que é apregoado pelos curadores da Mostra. Francis Vogner dos Reis, o coordenador curatorial da edição deste ano, refere-se costumeiramente a ela como instauradora de processos fílmicos que são contingenciais e intuitivos. São filmes que enfatizam justamente o processo, portanto, que não esgotam-se na filmagem ou posterior expectação. Requerem debate – e carecem disso para que funcionem efetivamente!

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

A política contemporânea é uma trama hitchcockiana invertida?

Sob a égide dos esforços propagandísticos de guerra em Hollywood, Alfred Hitchcock realizou, através de “Sabotador” (1942), uma obra externamente afim às convenções de gênero da época, sem a profusão dos rasgos sumamente autorais que o eternizaram enquanto “mestre do suspense”. Vendo o filme hoje em dia, percebemos que há muitas perspectivas indiciais em meio à sua estrutura enredística convencional.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“A tosquia é provisória, cansei de ser um andarilho!”: notas sobre uma minissérie clássica!

Depois de um ano tão tumultuado como foi 2020, é sobremaneira providencial que um espectador hipotético deparasse-se com uma reprise da minissérie “Pássaros Feridos”, num canal aberto de TV. Realizada em 1983 e dividida em quatro capítulos com durações distintas, esta minissérie é uma das mais qualitativamente elogiadas de todos os tempos. E os méritos são abundantes…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Sobre a importância política (da repressão) do gozo: celebrar o quê?

Protagonizado pela bela Sylvia Kristel [1952-2012], este filme é a segunda parte da cinessérie original sobre as aventuras eróticas da personagem criada pela escritora Emmanuelle Arsan [1932-2005]. No primeiro filme, a trama é passada na Tailândia, país natal da escritora, que deixa evidente, desde a homonímia, o caráter autobiográfico de sua jornada de autodescobrimento sexual. No segundo filme, há uma aparente repetição do percurso inicial, mas sobre outra perspectiva. Não é uma protagonista isenta de culpa, ainda que não haja qualquer tipo de questionamento acerca de suas atitudes. É um benefício abusado pelos ricos, não esqueçamos.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Laudo sobre 2020: resistir vai além das “estratégias étnicas para geração de renda”…

Ainda que evite os cacoetes de narrativização (não há qualquer clímax conflitivo em “City Hall”, por exemplo), o modo como Frederick Wiseman monta as suas obras faz com que a fruição do espectador assemelhe-se à percepção ficcional: a rotina da instituição em pauta (a prefeitura) é organizada de forma aparentemente linear, de modo que há um entrecho a desenvolver-se diante de nossos olhos. No caso, a História, com H maiúsculo!

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Anseio de final de ano: em defesa da noticiabilidade intemporal!

“Orinoko, Novo Mundo” tem como protagonista o rio que empresta seu nome ao título do filme. Seguindo o percurso do Orinoco, acompanhamos a reconstituição de mais de uma fase histórica da Venezuela, sem que haja uma linha narrativa definida: o diretor e roteirista prefere o alinhavamento da resistência. Como tal, somos apresentados aos rituais Yanomâmis logo na abertura – e eles terão um papel fundamental nos eventos apresentados, sem narração condutiva, mas com relevante abertura à sensibilidade do espectador.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Eu não estou conseguindo fazer filmes. Por isso, volto a mim mesmo”: não é um documentário, é um drama. Não se excluem, aliás!

Obcecado tematicamente por uma espécie de redenção romântica/sexual que advém de uma via-crúcis sadomasoquista, Kim Ki-Duk iniciou tardiamente as suas atividades cinematográficas, sem ter estudado especificamente para isso, aos 36 anos de idade, com o longa-metragem “Crocodilo” (1996). Nos anos seguintes, converteu-se num cineasta deveras prolífico, às vezes realizando mais de um filme por ano, entre eles, os mui elogiáveis “A Ilha” (2000), “Endereço Desconhecido” (2001) e “Casa Vazia” (2004). Tornou-se igualmente amado e odiado pelos críticos. Até acontecer o acidente que desencadeou a sua renascença pessoal e artística, via “Arirang”. É sobre este filme que falaremos a partir de agora…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Qual é o lado das árvores que possui mais galhos?” – ou: onde termina a Ecologia e começa o Capitalismo?

Baseado no romance “The Half-Life”, publicado em 2004 pelo co-roteirista habitual da diretora, Jon Raymond, “First Cow” é muito literal em termos sinópticos: fala sobre a primeira vaca a ser trazida para uma região rural em Oregon, na primeira metade do século XIX. A trama do filme pode ser resumida em pouquíssimas linhas, mesmo sendo uma das mais teleológicas de diretora. Afinal, o que realmente importa são os detalhes climáticos, aquilo que deslinda-se nas entrelinhas, à medida que os personagens interagem e conhecem-se melhor…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Quando nasce um filme? Às vezes, ele nasce de uma sentença de morte!”

Após estrear no Festival Internacional de Cinema de Veneza, “Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou” (2019, de Bárbara Paz) recebeu o prêmio de Melhor Documentário e um prêmio especial da Crítica Independente, iniciando assim a sua carreira de láureas. Ao ser escolhido pelo Comitê de Seleção da Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais como o representante para a possível indicação ao Oscar de Melhor Internacional em 2021, houve certa celeuma em razão de tratar-se de um documentário, gênero que alguns temem que não seja suficientemente popular (na acepção industrial do termo)…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Em que tempos vivemos? Entre a negação e a assimilação, (anti)racismo vende!

Atrevemo-nos a recomendar o filme infantil “Uma Invenção de Natal” (2020, de David E. Talbert), disponibilizado via Netflix no dia 13 de novembro de 2020. Trata-se de uma típica estória natalina, quase clicherosa em suas boas intenções familiares. Mas possui um diferencial digno de nota: o elenco é quase integralmente negro, sem que haja a necessidade interna de chamar a atenção para este aspecto.

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Arte
Wesley Pereira de Castro

A quem pertence “o dedo da mão que aperta o botão”? [um percurso essencialista]

Não obstante transcorrer-se em intimidadoras quatro horas e vinte minutos de duração, o longa-metragem “Luz Nos Trópicos” (2020, de Paula Gaitán) revela-se como um dos mais importantes filmes brasileiros do ano. Ele aborda algumas contradições da sociedade brasileira – e mundial – de maneira poética e desafiadora, sendo uma espécie de derivação mais sensorial e panteísta do clássico “A Idade da Terra” (1980, de Glauber Rocha). Como a realizadora foi casada com o polêmico cinemanovista, esta associação não é nada casual, visto que ela participou diretamente das filmagens e foi diretora de arte do filme em pauta.

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“O povo não vai embora!”: o testamento combativo de um gênio terceiro-mundista

No dia 06 de novembro de 2020, aos 84 anos de idade, Pino Solanas falece, em decorrência de complicações do CoronaVírus, na capital francesa, Paris. Em seu país, a quantidade de casos e mortos aumenta de forma acachapante, por causa da segunda onda da doença. O mundo atual confirma a impressão de “genocídio neoliberal” que o cineasta diagnosticou em vários de seus filmes, incluindo o recente documentário “Memórias do Saque” (2004). É acerca deste filme que deteremo-nos daqui por diante…

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Somos a região que mais paga impostos. E não recebemos quase nada por isso!”: um filme-síntese.

Tendo como assunto intermediário um projeto de emancipação nacional dos Estados sulistas do Brasil, este filme parte da dilaceração psicológica de um personagem para diagnosticar um fenômeno antitético que disseminou-se no país sob a expressão “pobre de direita”. O protagonista é Antônio Pitanga, que, no auge de seus oitenta anos de idade, entrega-nos uma interpretação bastante distinta de sua euforia habitual: está contido, oprimido, silencioso… Até que as condições externas obrigam-no a gritar, cantar um aboio de protesto!

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

“Sabe por que a cocaína é proibida no Brasil?” O filme como um contra-exemplo

Abordar as variáveis – tramáticas ou documentais – referentes às drogas é, uma questão muito delicada, em razão da tendência quase inevitável à criminalização. Sendo assim, o filme “Cracolândia” (2020, de Edu Felistoque) acrescenta alguns aspectos mui problemáticos a esta reflexão. Inclusive, porque uma breve análise da filmografia do diretor faz com que temamos aquilo que confirmar-se-á no primeiro instante: é um filme que escolhe a abordagem policialesca, a defesa das táticas de choque como necessidade emergencial de intervenção!

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Cinema
Wesley Pereira de Castro

Quem destrói o amor de quem? “Violência, né? Desde quando resolveu alguma coisa?”

É exatamente isso o que Daniel Nolasco faz em relação à naturalização da (homo)sexualidade em seu mais recente longa-metragem: repleto de cenas de sodomia, felação, cuspidas no rosto e insinuações masturbatórias, o filme tem sido surpreendentemente atacado por moralistas (inclusive, vinculados à esquerda partidária), que tacham de “inatural” a compulsão erótica do protagonista, quando há inaturalidades muito mais gritantes (e vilanazes) no enredo, sob o jugo do capitalismo. Avaliemos, portanto, a sinopse e os personagens de “Vento Seco”…

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