Corrupio, corrupios
Corrupios, corrupiar
Nas voltas dos corrupios
O que sei jogar
Jogos de amor, ou de pião
Afã de vida e prontidão
Cata-vento e muita tensão
Andar à roda, rodopiar
Corrupio, corrupios
Corrupios, corrupiar
Nas voltas dos corrupios
O que sei jogar
Ferrão e roda-viva
Anseios e pulsar
Jogos de chacha
E de chalaças
Sempre enroscar
Corrupio, corrupios
Corrupios, corrupiar
Nas voltas dos corrupios
O que sei jogar ?
Roda a água
Roda o vento
A Terra sempre a rodar
Nem mais um pio
Há que se calar
Essa terra é desvario
Desalinho do qual há que se curar
Corrupio, corrupios
Corrupios, corrupiar
Nas voltas dos corrupios
O que sei jogar!
Concriz tão vivaz
Eu lindo corrupião
Mas que a vida fugaz
Negou permissão
Corrupio, corrupios
Corrupios, corrupiar
Nas voltas dos corrupios
Já não sei jogar. . .
Sofrê a sofrer se decreta
Que ninguém cantará
Tão pouco tão avantajado poeta
Ode nenhuma existirá
Corrupio, corrupios
Corrupios, corrupiar
Muitas voltas em corrupios
Ainda se irão jogar
Ninguém notará a formosura
Ou me fará regressar à terra ou ao céu
De minha pátria, e em loucura
Serei pária exposto sem véu
Corrupios e mais corrupios,
Corrupio sempre a corrupiar
Ainda mais voltas aos corrupios
Irão me fazer jogar
Faço laço, dou as voltas
Rodo sem parar
Rodopios, assobios…
Cepas tortas, torgas mortas
Não param de rodar
Corrupios no vazio
As águas correm, seguem rios
E as pontes as deixam passar
Sou restolho, sou rescaldo, dos bem frios
Nunca mais irei queimar
Corrupio em corrupios
Que a vida faz rolar
Tantas voltas e corrupios
Para não poder mais jogar
Tonto, trôpego
Perdido de tanto rodar
E mais voltas, eterno cio
Já não sei rolar
Serão sempre
Corrupios, corrupios
Corrupios para corrupiar
Nas voltas dos corrupios
Será que ainda irei jogar?
Página 25 do Antlógicas.




