Os mantos amarelos da depressão (in)adaptiva: a (re)existência identitária

Em novembro de 2019, a publicação francesa Cahiers du Cinéma divulgou um impactante editorial sobre filmes que abordam de maneira imersiva a tendência revoltosa característica dos tempos hodiernos. E, dentre os filmes elogiados pela revista, encontramos “Sinônimos” (2019), dirigido pelo cineasta israelense Nadav Lapid e premiado com o Urso de Ouro no Festival de Berlim do ano em que foi lançado. Merecidamente, aliás!

Impactos ambientais e outros voos picados…

“(…)para que serve um estudo de impacto ambiental se não para isto mesmo? A resposta “Sim, podem construir, mas têm de compensar o ambiente através de x, y e z.” é, simplesmente, o que é esperado de um estudo de impacto ambiental!”

Ainda há banco público em Portugal!?

É verdade, acertaram, as novidades da Caixa Geral de Depósitos (CGD), que surgiram entre ontem e hoje, constituem o tema desta semana – já lá vamos, nos próximos parágrafos, os mais impacientes podem ir já para lá. Antes disso, explico por que não escrevo já sobre os resultados eleitorais: após o meu artigo sobre a […]

Porque é cada vez mais importante falar sobre Bacurau!

Como este texto advém de uma revisão crítica sobre o filme, recomenda-se que ele seja lido por quem já assistiu ao mesmo, dado que aspectos centrais do enredo serão analisados, sob um prisma que está longe de esgotar o debate, visto que o filme pode (e deve) ser apreendido sob múltiplas perspectivas.

O fim das vacas em Coimbra!?


(…) regresso (…) com um tema bastante quente em Portugal: o fim da carne de vaca na Universidade de Coimbra (UC)! (…) esta decisão da UC, boa ou má, “compra” imediatamente várias guerras: com os alunos, com os fornecedores, com a opinião pública… Seria preferível, portanto, nada fazer?

“Lembre-se: puta também vota, visse?” (alegoria política e maneirismo cinematográfico)

Em diversas situações de “Bacurau”, ficará evidente o paralelismo entre a invasão armamentista forânea que ameaça a paz da cidade e as improbidades ideológicas do (des)governo brasileiro atual, de modo que o filme está sendo recebido com muito entusiasmo pela esquerda política, pois apresenta uma maneira catártica de lidar com a vilania de quem se compraz em matar…

You’ve Got Mail

Os tempos modernos trouxeram-nos muita informação… Bom; há quem discorde. Há quem diga que não foi bem informação aquilo que a internet nos trouxe, mas sim dados – data, como se diz agora; e a diferença principal é que com a informação podemos trabalhar e com os dados não. Os dados não são informação, mas […]

26º Congresso Mundial de Ciência Política será realizado em Lisboa

Será realizado em Lisboa o 26º Congresso Mundial de Ciência Política da IPSA (Associação Internacional de Ciência Política). Agende-se: o evento ocorrerá entre 25 e 29 de julho de 2020. O Congresso terá um programa diversificado sob o tema Novos Nacionalismos em um Mundo Aberto, que será coordenado pelos co-presidentes do programa, professor Bertrand Badie […]

Quando o DNA do Estado e o DNA do Cinema não se coadunam…

Em lugar do quase arquetípico protagonismo feminino, temos aqui uma reflexão sobre as interdições produtivas sofridas pela diretora Ana Carolina. Mas sem apelar para a tentação do alter-ego: aquele que aparece no filme como “o diretor” tem pouco a ver com a cineasta. Desgosta de cinema brasileiro, por mais paradoxal que pareça!

“Fizemos um acordo: eu filmava o trabalho; ele filmava a diversão!”

Ainda que descrevam uma rotina de labuta que consome mais da metade das horas de cada dia (incluindo os domingos), os toritamenses enumeram vantagens financeiras preferíveis em relação à estabilidade empregatícia. Acham ótimo que não recebam um salário fixo, mas alguns percebem que estão apartados dos benefícios previdenciários, sobretudo no que tange às possibilidades de aposentadoria. Com o enrijecimento das regras supracitadas, os malefícios só pioram…

A fome é a maior imoralidade de todas – mas esta, infelizmente, a censura deixa passar!

Se, em Hollywood, a autocensura do livre-mercado passou a desaparecer com a assimilação gradativa de aspectos contraculturais enquanto chamarizes vendáveis para produções benquistas pela crítica especializada, no Brasil, a situação era inversa: desde 1964, o país estava sob o jugo de uma ditadura militar, que intensificou a sua crueldade assassina em 13 de dezembro de 1968, com a promulgação do infame AI-5.

Administração Pública Gerencial nos Programas de Incentivo à Startup

No Estado de Direito, a Administração Pública assujeita-se a múltiplos controles, no afã de impedir-se que desgarre de seus objetivos que desatendam as balizas legais e ofendam interesses públicos ou dos particulares. Assim, são concebidos diversos mecanismos para mantê-la dentro das trilhas a que está assujeitada, como bem explica Celso Antônio Bandeira de Mello. Em […]

A recuperação da harmonia (muito além do resultado de uma competição…)

Repleto de momentos antológicos em sua exposição enternecedora de uma inaudita situação de miserabilidade japonesa, “Assunto de Família” demonstra-se bastante merecedor do prêmio máximo do Festival de Cannes por mesclar inteligentemente a perspectiva de condução autoral, com o auxílio de seus apanágios técnicos, e o clamor por transformação comunitária que unifica os laureados mais recentes.

Da necessidade de rever… e sentir… e discordar… e saber!

Nos tempos atuais, de fórmulas genéricas e clamor pela velocidade autotélica, a “estética da fome” é paulatinamente substituída por sua variação cosmética. E tudo isso, obviamente, tem muitíssimo a ver com a conjuntura (des)governamental chula em que vivemos, na qual os grandes educadores brasileiros são perseguidos por filiações ideológicas tachadas de nocivas pela corja malévola que beneficia-se do fomento à ignorância maciça da população. Tristes tempos nós vivemos…

Os desafios da sociedade e o recurso ao populismo

Presentemente assiste-se um pouco por todo o mundo, a um cenário de crescimento das tensões sociais e de polarização das sociedades, o que tem vindo a ameaçar a coesão social e política em diversos países e organizações supranacionais.  A montante deste fenómeno está a falta de vontade, visão e ou estratégias das lideranças para resolverem, […]

Quando o trabalho não dignifica…[um exemplo elíptico]

A fim de comentarmos a polêmica envolvendo a anunciada aprovação de uma reforma previdenciária que tende a tornar ainda mais calamitosa a situação dos trabalhadores brasileiros, servir-nos-emos de uma análise de um clássico filme japonês enquanto metáfora primeva do mal-estar hodiernamente generalizado. Trata-se de “A Mulher Inseto ou Tratado Entomológico do Japão” (1963), dirigido pelo mestre da ‘Nubaru vagu’ – nomeação particular para a ‘Nouvelle vague’ japonesa – Shohei Imamura (1926-2006).

Paradoxo metonímico da crítica cinematográfica contemporânea: pode-se ser contra o processo e a favor de seus produtos?

Enxergado como epítome de um vilanaz sistema que reinstaura o truste entre produção, exibição e distribuição, “Vingadores: Ultimato” foi comumente excluído dos textos críticos como tal. Motivo principal: temia-se terrivelmente a revelação de ‘spoilers’, informações tramáticas que supostamente estragariam o prazer de quem ainda não viu o filme. Decorrência imediata: pré-estréias com ingressos esgotados!