“Saúde, 10; Educação, zero. Média 5. Aprovado!”. Ou de como o cinema de guerrilha conquista espaço…


Por muito tempo, a versão integral de “Um é Pouco, Dois é Bom” (1970, de Odilon Lopez), primeiro longa-metragem gaúcho dirigido por um negro, esteve indisponível para os espectadores brasileiros. Graças a uma restauração completada em 2024, por uma equipe de profissionais cinematográficos abnegados, o filme está prestes a encontrar novas platéias, tal como aconteceu na noite de 24 de abril de 2026, quando ele foi exibido na cerimônia de abertura da segunda edição da Mostra Quarta Parede, organizada por estudantes vinculados à Universidade Federal de Sergipe.
“Este é o prenúncio de uma revolução. Impressione-me!”, ou ainda sobre (e finalmente) o Oscar 2026…


Conforme alguns esperavam, “Uma Batalha Após a Outra” (2025) consagrou-se como o grande vencedor da nonagésima oitava cerimônia do Oscar, ocorrida em 15 de março de 2026: o filme foi laureado em seis dentre as treze categorias em que esteve indicado. O diretor Paul Thomas Anderson – bastante celebrado pela crítica especializada, desde os lançamentos de “Boogie Night – Prazer Sem Limites” (1997) e “Magnólia” (1999), respectivamente, seus segundo e terceiro longas-metragens – confirmou a sua predileção por personagens socialmente deslocados e carentes de afeto, ainda que tenha efetivado algumas concessões narrativas, a fim demonstrar-se acessível às grandes platéias. Optou pela temática familiar, adaptando de maneira livre o romance “Vineland”, publicado em 1990 pelo escritor iconoclasta Thomas Pynchon.
Assim na Romênia como no Brasil — Parte 2: “Não brinque com isto. Os comunistas mataram milhões”?


O cinema permite que os debates sejam continuados através do desenvolvimento dos enredos, de modo que uma obra como “Kontinental ‘25” (2025), do cineasta romeno Radu Jude, surge como contraponto delicado: o seu diretor é conhecido pelo uso da ironia e da sátira, na exposição das contradições acachapantes de seu país natal e, nesta obra em particular, parte de um clássico de Roberto Rossellini [1906-1977], “Europa ‘51” (1952), sobre a esposa de um industrial que, deveras alienada quanto às condições sociais dos empregados de seu marido, torna-se uma ativista, depois que seu filho adolescente comete suicídio. No filme antigo, as boas intenções da protagonista correspondem a uma espécie de santificação compensatória. No filme contemporâneo, acontece exatamente o contrário…
“Meu pai era um homem justo. Por isso, ele fabricava balanças: uma sociedade que produz mais balanças é uma sociedade mais justa”! Procede? Até quando?


Acostumado aos temas sindicais, nesta sua mais recente produção, Fernando León de Aranoa inverte o olhar: agora, analisa a situação pelo ponto de vista de um dono de empresa, com todos os vícios e crimes insistentemente denunciados pelas orientações políticas do cineasta.
Quando o identitarismo é reconhecido por suas qualidades, o maior ganho está na representatividade!


A despeito das tensões provocadas pela variante Delta do CoronaVírus, muito mais transmissível e ainda insuficientemente estudada, as cerimônias de premiação artística retomam um ritmo quase normal: na primeira quinzena de setembro de 2021, dois importantes eventos aconteceram, o Festival de Cinema de Veneza e o VMA – Video Music Awards, promovido pela emissora MTV. Em ambos, os discursos de representatividade foram bastante exortados…
A ameaça mais que visível, em chave recorrente: quem acusa? Quem se defende?


Mesmo que “O Homem Invisível” não seja a obra revolucionária de terror hodierno que alguns apregoam, a total ruptura em relação à trama original é digna de nota mui elogiosa. Em verdade, exceto pelo título wellsiano, não há mais nada em comum com o enredo clássico: o que interessa ao diretor é denunciar a invisibilização das mulheres que denunciam agressões
Ponto para o cinema libanês – ainda que nem sempre as boas intenções sejam suficientes


Recebedor do Prêmio do Júri no Festival Internacional de Cinema de Cannes, em 2018, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e merecedor de inúmeras láureas internacionais, “Cafarnaum” foi um dos filmes mais elogiados no ano em que foi lançado. Entretanto, o roteiro desta obra é defeituoso justamente pela celeridade pretendida na resolução dos árduos conflitos trazidos à tona.
