Recomendação musical de um aniversariante perpetuamente apaixonado pela violência dos paradoxos da vida: “o telefone nunca mais tocou/ Cadê você?”

Depois de assistir a um clássico hollywoodiano [“A Fonte dos Desejos” (1954, de Jean Negulesco)] que serviu como metonímia para a mudança de ciclo em questão, no que tange à percepção de que dificuldades românticas são enfrentadas com diálogo e apoio mútuo, o articulista refletiu acerca do que escrever em sua coluna semanal. E lembrou de um álbum brasileiro que mexeu bastante com seus sentimentos, de modo que faz questão de recomendá-lo publicamente. Trata-se de “Viver e Morrer de Amor na América Latina”, do pernambucano Johnny Hooker, lançado em 5 de dezembro de 2025.

“Eu gostaria que minha mãe tivesse feito um filme sobre o meu nascimento”: ou de como crianças que foram machucadas lutam para que outra(s) não sofra(m)…

Por ser um filme narrado como se fosse uma carta audiovisual para o nomeado Apolo, este longa-metragem consegue justificar os seus problemas formais, de cariz publicitário, atrelando-os aos pontos de vista de Ísis e Lourenzo, que decidem sair de Sergipe, por acharem que o Estado nordestino oferece poucas oportunidades para as suas respectivas carreiras artísticas e por sofrerem atos demarcados de transfobia. Em São Paulo, a gravidez atípica de Lourenzo pôde ser acompanhada por médico que trabalha num Centro de Referência Transexual, o que, lamentavelmente, não impede o casal de ser alvo do ódio gratuito de um taxista, que interrompe uma conversa íntima para destilar os seus preconceitos, durante uma corrida. Mesmo não sendo um filme que inove em termos lingüísticos – nem parece ter esta intenção –, “Apolo” é gracioso na maneira como direciona amor pelos seres humanos mencionados, sendo particularmente merecedor de atenção quando Ísis comenta que o que eles estão vivendo lembra aquilo que é exortado pela dupla Os The Dárma Lovers, na excelente canção “Peixes”…

O Passeio dos Tristes

Há um passeio à beira-rio Por onde passeiam almas apaixonadas Vazias num mundo vazio Num mar de águas calmas, afogadas! São açoitadas pelas doces vagas, Que se esmagam, uma a uma, no pontão, São imagens vivas de tristes sagas, Sonhos velhos encerrados num jovem coração. Somente elas reconhecem as faces da dor, No rio, e […]

Amanhã é sempre longe demais

Hoje venho falar de emoções; daquelas que nem sabemos que temos até ao momento em que é tarde demais… Sabem do que falo? Não. Não estou a falar de amor – pelo menos do carnal; não me refiro aquele frenesim apelidado de “borboletas na barriga” que é não saber se somos correspondidos numa paixão. Do […]

Poema: “Sempre”

Que sintas a beleza em todos os olhares… Que sintas a alegria em todos os lugares… Que sintas a paz em todos os caminhos… Que sintas o amor por onde passares! O sol te dá a beleza… O vento te traz a alegria… A lua te dá a paz… E o amor? Está sempre contigo! […]

De quando um filme português salva a vida do espectador

Extremamente autoral em cada minúcia, “Vitalina Varela” surge como a demonstração cuidadosa do estilo sumamente autoral do lisboeta Pedro Costa, um dos cineastas mais elogiados da década por seus méritos intrinsecamente cinefílicos. Mas há algo que transcende a própria magnificência da Sétima Arte neste filme: além de ser uma poderosa declaração de amor ao próximo e de requisitar uma função ressignificada da religião na contemporaneidade, é um manifesto em prol dos trabalhadores pobres (e imigrantes).