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País de ditadura é sempre saudoso de ditador.

País de ditadura é sempre saudoso de ditador.

As votações evidenciam que em países que viveram sobre ditadura, ou autocracia, as populações têm uma tendência para votar em partidos e candidatos linha dura, iliberais, autoritários, autocráticos, ou mesmo partidos que se declaram autoritários, herdeiros ou não dos que foram ditadores quando a ditadura estava institucionalizada nestes países.

É só revisitar os países onde houve ditaduras, e ver que nestes sempre ressurgem partidos que declaradamente dentro do desenvolvimento das suas propostas eleitorais pretendem um retorno ao autoritarismo, num revivalismo saudosista que busca resgatar os “valores”, os preceitos, as técnicas e os perfís dos antigos líderes, ditadores que existiram nestes países. Assim é com a Alemanha, a Áustria, a Rússia, Portugal, Itália, Hungria, Bulgária, Brasil; a lista é longa.

A caracterização desta patologia se dá por etapas, assim como sua manifestação, dependendo da intensidade, durabilidade, e dos efeitos que tiveram as ditaduras em cada um destes países, temos que o retorno, o saudosismo, pode demorar mais, pode coexistir com outras correntes, inclusive as mais opostas, até que volta a se institucionalizar. Na verdade este processo depende um pouco da existência ou não de lideranças mais ou menos fortes, populistas, que levem as massas a retornar aos valores da anterior ditadura.

A razão de que aconteça assim, esta diretamente relacionada com o fato de que os anteriores sistemas de governo nestes países tenham sido monarquias, absolutistas quase todas, deixando o ‘vício da mão forte’, esta ideia distorcida de que com uma mão forte que atue sobre os problemas, estes se resolvem, e estaremos rapidamente com as situações que nos afligem solucionadas, de mesmo modo o fator religioso contribuiu para criar a ideia da necessidade de um poder forte; cheguei mesmo a ouvir uma deputada e líder partidária sugerir a instituição de uma ditadura por um período, seis meses, para arrumar a casa. Como esta senhora desconhece a natureza humana ao propor tal coisa.

O fascismo campeia hoje na Europa, e por pouco não volta em todos os países em que já existiu, e já se institui como organizações partidárias, e mesmo em muitos casos volta e se instala. Se vai assumir ou não o poder efetivo do Estado poderá ser uma questão de tempo e sorte, melhor será dizer azar. Se o faz por via de um golpe ou por via democrática, para em seguida a se instalar promover alterações às regras do jogo, da Constituição ao regime eleitoral, isso dependerá de sua força em cada circunstância, e da eficiência do regime, democrático e não, que vija em cada país quando o fenômeno fascista se manifestar.

Complicadores:

  1. Redes sociais.
  2. Velocidades.
  3. Efeito das ruas.
  4. Cultura.
  5. Religião.
  6. Sanidade mental.

Hoje temos uma dinâmica muito particular onde o tempo atua com velocidade muito maior do que em qualquer época da Humanidade, em que a difusão da informação se dá com muito mais velocidade, em que as realidade se transformam também muito mais rapidamente. Isto leva a situações e a percepções cada vez mais imprevistas, abrindo espaços a ilusão, ou seja a uma visão destorcida da realidade, com narrativas que a distorcem, e gente muito interessada em criar esta falsa realidade, e os meios para fazer isto estão a disposição de quase toda gente, sendo o mais eficiente deles as redes sociais.

O poder das ruas se banalizou, os poderes que o convocavam, estão disseminado. Qualquer um com um telemóvel pode reunir um número expressivo de gente, fazendo parecer, logo fazendo crer, que determinada corrente, ou expressão, reune força e que é efetiva, quando em verdade é uma temeridade, e uma mentira.

O desenvolvimento da complexidade dos problemas, levou à necessidade de informação aprofundada, e capacidade analítica que não está ao dispor de qualquer um – por isso tantos comentaristas nas televisões, e tanta distorção do que efetivamente se passa. A cultura não é um capacidade ao alcance de qualquer um, necessita de tempo, orientação, cruzamento de dados, conhecimento histórico, etc.. etc.. São muitos os fatores necessários para cultivar um homem, portanto mais ainda para o fazer com uma sociedade. E não nos esqueçamos que as pessoas estão todas fazendo pela vida, não dispondo do tempo necessário a estudar as coisas, avaliá-las, ponderá-las; por isso tantas vezes são levadas ao erro.

A origem politeísta da imensa maioria das religiões primitivas, a crença animista poderosa, são formadoras de registros de entendimento e comportamento que admitem poderes vigorosos para resolver as diversas situações da vida, aos quais devemos nos entregar, criando forte dependência psicológica destes deuses/poderes, que nos “governam”.

E temos cada vez mais um outro factor que se vem verificando preponderante como complicador da situação social, ou política, como preferirem, que é o surgimento cada vez mais recorrente de gente sem a necessária sanidade mental, e que seduz a tantos, e tantos outros com pouca capacidade de avaliação do que deve ser um governante, que se deixam seduzir.

Se quisermos estes elementos de complicação podem ser postos numa outra perspectiva, vejamos-na: Com tanta mentira sendo disseminada tão rapidamente, criando hordas de gente mal informada e ignorante; insanos liderado por insanos, temos um caldo de cultura que permite a ascensão dos perfeitos imbecis que vemos hoje pelo mundo fora.

Em defesa da Democracia.

Só a Democracia, com todos os seus defeitos, com todas as dificuldades, com a necessidade absoluta do embate, do esclarecimento, da conscientização das massas, pode trazer uma situação onde se verifiquem e operem soluções que tragam efetiva melhoria para as populações, e se assim não fizerem, em curto período de tempo teremos novas eleições e serão substituídas por nova situação que seja mais adequada e que apresente as soluções misteres. Toda a ilusão de que outro sistema possa fornecer solução mais efetiva, rápida ou feliz aos problemas, não passa disso mesmo: ILUSÃO.

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