A seleção brasileira de futebol masculino, com a derrota para a seleção norueguesa no último domingo (05/7), foi eliminada da Copa do Mundo de 2026. O time brasileiro não apresentou um bom desempenho na competição, sofreu principalmente nos jogos contra os marroquinos (13/6), os japoneses (29/6) e os noruegueses (05/7). O que dizer diante deste novo fracasso?
A seleção brasileira já não figura, há uns bons anos, entre as seleções mais competitivas e entre aquelas que apresentam um futebol bonito e bem jogado. Não. Talvez ela seja atualmente apenas uma seleção de segundo ou terceiro escalão que, por sua vez, possui uma bela história no futebol.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é uma entidade privada, filiada à FIFA (Fédération Internationale de Football Association), que lucra muito dinheiro com a história e a imagem da seleção brasileira. Mesmo com todo o sucesso financeiro da CBF, esta entidade não se preocupa em dar alguma retribuição para a sociedade brasileira. Aparentemente tudo é feito na CBF somente com o intuito do lucro financeiro sem nenhuma preocupação social ou educativa.
A CBF poderia utilizar as suas receitas bilionárias para fomentar o futebol de base e, ao mesmo tempo, para promover a inclusão social e a melhoria da educação básica oferecida para crianças e adolescentes pobres do Brasil. A CBF poderia utilizar as suas receitas bilionárias para a construção e a manutenção dos campos de futebol de várzea, para a manutenção das quadras poliesportivas das escolas públicas do Brasil, e para a valorização das escolas públicas e dos professores brasileiros.
A CBF, por um lado, não consegue colocar a seleção brasileira numa posição de protagonismo no cenário mundial, não consegue mais oferecer alguma euforia para a população brasileira durante as Copas do Mundo. E, por outro lado, não é capaz de desempenhar um papel de relevância social no território brasileiro junto à população pobre e periférica.
Por muito tempo a questão da corrupção dos dirigentes da CBF e dos seus interesses escusos foi minimizada justamente porque a seleção brasileira ainda oferecia algum encanto e alguma euforia para a população brasileira. A seleção brasileira não oferece mais encanto através do futebol e a questão da corrupção e dos interesses escusos está longe de ser resolvida.
Mas não é somente isso. Além da corrupção e dos interesses escusos dos seus dirigentes, a CBF atualmente desempenha, sim, um papel social pernicioso no Brasil. Por quê? Porque a CBF continua sendo patrocinada por empresas que lucram em cima da dependência da população, seja lucro com a venda de bebidas alcoólicas ou com as apostas online. A CBF não toma uma atitude para coibir e evitar que o futebol brasileiro e os jogadores da seleção brasileira estejam constantemente associados com bebidas alcoólicas e com casas de apostas (bets).
Um dos maiores jogadores da seleção brasileira, nos últimos anos, tornou-se uma referência negativa para os jovens jogadores e para a população brasileira em geral. Neymar tem sido considerado um atleta que não cuida do próprio corpo e que não contribui para o jogo coletivo das equipes de futebol. Sua imagem é amplamente associada às bebidas alcoólicas, às apostas online, às criptomoedas, ao pôquer, às festas, aos carros de luxo, às sonegações fiscais, aos crimes ambientais, etc. Por exemplo, para celebrar sua convocação para a Copa do Mundo de 2026, Neymar simplesmente faz uma postagem com uma propaganda de uma casa de apostas (bet).
Para finalizar e retomando a pergunta inicial: O que dizer diante deste novo fracasso da seleção brasileira? Trata-se principalmente do fracasso da CBF, uma instituição que insiste em permanecer podre. Mas também indica que o Brasil como um todo está deixando de lado o papel educativo do esporte. O futebol brasileiro é um patrimônio cultural muito importante que pode e deve ser utilizado para promover o bem-estar da população pobre, o futebol brasileiro não deve promover e exaltar a cafajestagem.
* Imagem de domínio público: “brazil football cbf fifa world cup ball”.
Referências:
Furtado, O. “Neymar usa engajamento da convocação para Copa e anuncia site de apostas.” Veja, Rio de Janeiro, 19 mai. 2026.
Mattos, R. “CBF tem três presidentes afastados por corrupção em 7 anos e não muda nada.” UOL, Rio de Janeiro, 11 mar. 2018.