“O Ano da Morte de Ricardo Reis”, de Saramago, vira filme

Depois de realizar “Peregrinação”, em 2017, baseado no livro homónimo de Fernão Mendes Pinto, o cineasta João Botelho vai agora levar para o grande ecrã “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, escrito, em 1984, por José Saramago.

As filmagens já começaram e irão prolongar-se até maio. Lisboa, Coimbra e Entroncamento serão as cidades escolhidas para as rodagens. Segundo a revista Blimunda, o novo filme de João Botelho conta com o apoio do Instituto do Cinema e Audiovisual e do Instituto de História Contemporânea e será produzido pela Ar de Filmes.

Um tempo múltiplo. Labiríntico. As histórias das sociedades humanas. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de dezembro de 1935. Fica até setembro de 1936. Uma personagem vinda de uma outra ficção, a da heteronímia de Fernando Pessoa. E um movimento inverso, logo a começar: “Aqui onde o mar se acaba e a terra principia”; o virar ao contrário o verso de Camões: “Onde a terra acaba e o mar começa”.

Em Camões, o movimento é da terra para o mar; no livro de Saramago temos Ricardo Reis a regressar a Portugal por mar. É substituído o movimento épico da partida. Mais uma vez, a história na escrita de Saramago. E as relações entre a vida e a morte. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de dezembro e Fernando Pessoa morreu a 30 de novembro. Ricardo Reis visita-o ao cemitério. Um tempo complexo. O fascismo consolida-se em Portugal.

Já no elenco, o actor brasileiro Chico Diaz será o protagonista e Luís Lima Barreto, Catarina Wallenstein, Victoria Guerra, João Barbosa, Rui Morrison e Rui Mestre Amaro também farão parte do projecto.

Em declarações à agência Lusa, João Botelho disse que “José Saramago escreveu romances notáveis, criou personagens inesquecíveis e tratou como ninguém a língua portuguesa, sim, essa que nos une a todos, a que nos faz Pátria, como inventou num admirável texto, Fernando Pessoa” e revelou ainda que ficou “irremediavelmente atingido no cérebro e no coração” por este trabalho literário de José Saramago, o único Nobel da Literatura portuguesa.

O cineasta português, que já adaptou obras literárias de Agustina Bessa-Luís (“A corte do Norte”), de Fernando Pessoa (“Filme do desassossego”), Fernão Mendes Pinto (“Peregrinação”) e Eça de Queirós (“Os Maias”), afirmou ainda que “Para estar à altura deste notável romance de realismo fantástico, decidi filmar a preto e branco, para a verosimilhança e a clareza das luzes, das sombras, dos vários cinzentos onde os personagens se vão mover, aflitos ou entusiasmados. (…) Nos planos finais uma explosão de cores deve permitir transportar o espectador para os tempos contemporâneos“, disse João Botelho à agência Lusa.

Fonte: Comunidade Cultura e Arte

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