D. Pedro IV em 1832/3, há 90 anos.
Parto do porto,
Do Porto parto,
E nesse porto
Meu embaraço
Mesmo que parta
Minha prisão
Pois fica nele
Meu coração
Todas as lutas
Toda a glória
Fizeram dele
A minha história
Parto, não parto,
Acabo morto
Sou parte e porto
De desconforto.
Perco o caso?
Acaso ganho…
Assim o azo
Decerto estranho.
Parco e desperto
Todo esse povo
Todos tão perto
Decerto é novo!
Parto do porto
Do Porto parto
E nesse porto
Meu desconchavo
Foi tanto tempo
Foi tanto povo
Que velho ou novo
Me amparou
É claro e puro
Seu sentimento
É cavo e fundo
Seu desalento
Mas não fugiu
Nem hesitou
Foi firme e forte
Foi bravo e a sorte
Nos bafejou
Pois são do norte
E nem a morte
Os abalou…
Parto do porto
Do Porto parto
E nesse porto
Meu real laço
Como esquecer?
Como olvidar?
Esse compasso
É gratidão
Aos que eu faço
Por bem amar
E entregar
Meu coração.
Antológicas, página 107.



