Como sabemos, a constituição de embriões humanos fora do corpo da mulher resultou de investigação biológica e clínica, cujo objetivo era tratar casais inférteis que procuravam ajuda médica por causa da incapacidade para procriarem. Desde o nascimento, em 25 de julho de 1978, do primeiro ser humano – Louise Brown, no Reino Unido – resultante da fecundação de ovócitos, retirados por técnica cirúrgica do ovário da mulher, com espermatozoides emitidos pelo homem após estimulação peniana, sendo esta fecundação seguida da constituição de embriões em laboratório (in vitro) e da sua introdução no útero, que se instalou um debate técnico-científico, ético-moral, sociojurídico, religioso e político, primeiro no Reino Unido, depois na Europa. O embrião humano, desde que a técnica de reprodução humana artificial surgiu, tem sido um sinal de contradição na sociedade atual, tornando este debate, quer do ponto de vista emocional, quer intelectual complexo por se estar diante de uma questão que ultrapassa a própria técnica. Nem tudo o que é a técnica permite fazer é eticamente desejável e aceitável realizar.