O sol madrugara. Na volta da padaria sou ultrapassada por uma jovem e sua cadela. Tem um pequeno laço na cabeça, a cadela. Leva uma garrafa nas mãos, a moça. Veste uns shorts e chinelos. Roupas de quem tem pressa. Lança-se por sobre os carros. Não aguarda o sinal. Trota rijo.
Mais adiante, vejo-a sob a marquise de uma construção asquerosa. Esquecida do mundo. Sentada. Seus jovens pés quicam nos chinelos brancos como a garrafa que traz às mãos. Não noto a cor do laço que enfeita a pequena cadela.
Chega um homem. Este já bem adulto. Um amor proibido? Estaria explicada a urgência. E seria linda! Sem palavras ou beijos, o homem estica uma mão fechada com a qual dá alguma coisa à garota. Ela lhe retribui com outra mão fechada. Ambos guardam algo nos bolsos.
Seguem por caminhos opostos, ele e ela. Ele, sumido na curva da primeira esquina. Ela, caminhando a passos largos rumo ao pequeno bosque da vizinhança.
Ela, pouco mais que uma criança, para frente a uma moita. Serpenteia para se esconder. A cadela é deixada ao léu. A garrafa não. De dentro, sai algo como um canudo de prata. Surge uma chama que se apaga em seguida. Torna a brilhar sucessivamente até parar em definitivo.
Finda a chama, esquecida a moita, a menina e sua cadela com laço de fita partem já sem pressa no caminho de volta.
Os ponteiros ainda não marcam oito horas.



