Como há sempre um enigma em tudo
Se perder é se encontrar.
No mais fundo de sua alma
Há remansos ou cascatas?
Há pradarias ou vulcões?
Coisas confusas ou exactas?
Placidez ou erupções?
Sejam quais forem
Há que aceitá-las
Àquelas que proporem
Deve-se desvendá-las
Posto que há sempre um rumor que clama
Já que há também um desejo que calca e espalma
Uma vontade que, insatisfeita, reclama
Por emergir desde o mais fundo da alma
Porque lá no mais fundo
Se encontram o nada e o vasto mundo
Se encontram a nata e o mais profundo
E se perde a lógica do ser
Eis que no mais profundo de sua alma
Os turbilhões se farão remanso
A convulsão se tornará calma
A agitação encontrará descanso
Se tudo se fizer sentir no fundo de sua alma.
Antológicas página 54.



