Até quando a dor é nossa amiga? Um relato íntimo, a partir de um filme de terror gráfico francês…

Associado estilisticamente ao subgênero extremo dos filmes de terror franceses contemporâneos – que rendeu produções tão polêmicas quanto impactantes, como “Alta Tensão” (2003, de Alexandre Aja), “Mártires” (2008, de Pascal Laugier) e “Grave” (2016, de Julia Ducournau) –, “Em Minha Pele” (2002, de Marina de Van) possui várias situações em que enxergamos os ambientes através do olhar de Esther (a seqüência do supermercado, por exemplo, ou o desfecho, num quarto de hotel), de modo que o filme reproduz o enfado existente no cotidiano empregatício da protagonista, a fim de converter-se em perturbador, enquanto acompanhamos os sangramentos continuados de Esther: as reuniões parecem intermináveis, tanto quanto os instantes mais sanguinolentos.

Quem destrói o amor de quem? “Violência, né? Desde quando resolveu alguma coisa?”

É exatamente isso o que Daniel Nolasco faz em relação à naturalização da (homo)sexualidade em seu mais recente longa-metragem: repleto de cenas de sodomia, felação, cuspidas no rosto e insinuações masturbatórias, o filme tem sido surpreendentemente atacado por moralistas (inclusive, vinculados à esquerda partidária), que tacham de “inatural” a compulsão erótica do protagonista, quando há inaturalidades muito mais gritantes (e vilanazes) no enredo, sob o jugo do capitalismo. Avaliemos, portanto, a sinopse e os personagens de “Vento Seco”…