“Se paramos de respirar, morremos; se paramos de resistir, o mundo morre!”

Apesar de ser vendido publicitariamente como um exemplar modelar do cinema romântico, “Casablanca” o é também na acepção mais idealizada do termo. Seu discurso é predominantemente político, ainda que atravessado pelos interesses vendáveis do ‘studio system’. Divertia e conscientizava em iguais medidas. E, revisto hoje, demonstra-se ainda bastante atual, inclusive em relação à caótica situação hodierna do Brasil…

Paradoxo metonímico da crítica cinematográfica contemporânea: pode-se ser contra o processo e a favor de seus produtos?

Enxergado como epítome de um vilanaz sistema que reinstaura o truste entre produção, exibição e distribuição, “Vingadores: Ultimato” foi comumente excluído dos textos críticos como tal. Motivo principal: temia-se terrivelmente a revelação de ‘spoilers’, informações tramáticas que supostamente estragariam o prazer de quem ainda não viu o filme. Decorrência imediata: pré-estréias com ingressos esgotados!

Quando ver um filme torna-se uma necessidade sociológica ou a falibilidade proposital das convenções de gênero como evento (auto)crítico

Ao final da sessão, não faltarão hordas de espectadores e/ou críticos que apressar-se-ão em “explicar” os significados ocultos do versículo bíblico reiteradamente apresentado ao longo da projeção, o décimo primeiro versículo do capítulo 11 do livro de Jeremias, que prediz: “portanto, assim diz o Senhor: eis que trarei mal sobre eles, de que não poderão escapar; e clamarão a mim, mas eu não os ouvirei”. O que este vitupério acrescenta à nossa leitura alardeada de um dos filmes mais fascinantes deste ano recém-iniciado?

Reflexão (auto)crítica – ou por que precisamos falar sobre a Netflix, mas não somente sobre a Netflix!

Não é necessário assistir ao filme para sabermos como ele terminará e/ou será conduzido enredisticamente: ao promulgar uma rejeição chistosa da suposta falta de criatividade dos roteiros mais tradicionais do cinema estadunidense, esta peça fílmica obedece-os rigorosamente, obtendo um sucesso arrebatador e imediato, ainda que o filme não tenha sido programado para estrear nas salas de cinema.