Perder-nos-emos nesse tempo? (ou daquilo que um filme nos faz sentir e pensar…)

O ótimo filme “A Noite Amarela” (2019, de Ramon Porto Mota), produzido antes da pandemia de COVID-19, que dividiu o primeiro quartel do Século XXI em períodos radicalmente distintos, exibe de maneira involuntariamente nostálgica como os jovens se divertiam em Campina Grande, cidade paraibana. A fim de celebrarem o fim do Ensino Médio, um grupo de sete adolescentes, com sexualidades múltiplas, resolve passar alguns dias na casa do avô de uma delas, Mônica (Ana Rita Gurgel), quando coisas estranhas começam a acontecer…

“Basta colocar a panela em cima do fogo e comer o que sair, uai!” – ou de como é urgente contextualizar o que testemunhamos…

Num excelente livro, escrito em colaboração com a sua esposa Kristin Thompson, o teórico fílmico norte-americano David Bordwell analisa várias obras hollywoodianas através de um escopo aleatório, a fim de demonstrar algumas recorrências narrativas moldadas pelas convenções de gênero e pelas determinações do ‘studio system’ e do ‘star system’. E é assim que chegamos ao musical “As Garçonetes de Harvey” (1946, de George Sidney – rebatizado como “A Batalha do Pó de Arroz”, em Portugal), que – mesmo visto por acaso, numa sessão dominical de algum canal de TV – traz consigo lições valiosas sobre a lida cotidiana…