A arte de Eugène Green, ou os filmes que devem ser vistos por quem está se sentindo cansado…


Em sua utilização tramática de um rigoroso cabedal artístico, o cinema maiúsculo de Eugène Green talvez apresente um recorte mui privilegiado da ‘intelligentsia’, oportunamente (auto)criticado em “A Ponte das Artes”. Mas ele não é excludente. Muito pelo contrário, ele convida, ao inebriar-nos. Fica a proposta discursiva, portanto.
Empoderamento cotidiano (reflexão carnavalesca sobre a trajetória fílmica da cineasta Tata Amaral)


Tendo estreado no circuito comercial brasileiro em novembro de 2018, “Seqüestro Relâmpago” foi muito pouco visto, infelizmente. Beneficiou-se de nova sorte ao ser exibido na TV por assinatura, mas, ainda assim, permanece restrito a um público distinto da generalidade ao qual se direciona. Não por acaso, este é um problema que aflige toda a filmografia de Tata Amaral e a de várias outras cineastas de renome. É uma chaga a afligir quase todo o cinema brasileiro, na verdade: a invisibilidade denunciada como financiadora suplementar de inúmeros crimes é convertida em obnubilação espectatorial.
As promessas discursivas do Oscar – Parte I: análise antes da cerimônia


Como diz o sociólogo especializado na cerimônia Emanuel Levy, o Oscar “é um dos poucos eventos, juntamente com os Jogos Olímpicos, a emprestar credibilidade à noção do mundo como uma comunidade supranacional”. Esta edição 2019 promete!
Às vezes, é necessário mostrar novamente o que já foi visto… [Ou por que o vangoghismo não sai de moda?]


Repleto de seqüências conduzidas com a câmera na mão e reproduzindo brilhantemente o impacto cromático das telas do pintor pós-impressionista, o filme de Julian Schnabel diferencia-se dos anteriores pelo modo como convida o espectador a sentir a mesma aflição experimentada pelo protagonista, interpretado de maneira intensa pelo excelente Willem Dafoe.
Resistência e deboche: o cinema pornográfico de Alfredo Sternheim (1942-2018)


Falecido em 06 de dezembro de 2018, aos 76 anos de idade, o paulistano Alfredo Sternheim foi um dos mais importantes cineastas da Boca do Lixo, região de volumosa produção cinematográfica que ficou estigmatizada pelo erotismo, não obstante ter erigido um modelo autogerido de financiamento que desafiou as interdições da Ditadura Militar brasileira nas décadas de 1970 e 1980.
Cinema Paraíso…


Há pessoas que acham que ir passar uma tarde numa sala escura em lugar de ir apanhar sol é quase um crime de lesa-majestade! Coitados, em vez de estar a bronzear-se sob este sol brilhante, fecham-se numa sala escura e ainda pagam por cima! Além de fugir ao calor e às horas proibitivas do sol, […]
