Até quando a dor é nossa amiga? Um relato íntimo, a partir de um filme de terror gráfico francês…


Associado estilisticamente ao subgênero extremo dos filmes de terror franceses contemporâneos – que rendeu produções tão polêmicas quanto impactantes, como “Alta Tensão” (2003, de Alexandre Aja), “Mártires” (2008, de Pascal Laugier) e “Grave” (2016, de Julia Ducournau) –, “Em Minha Pele” (2002, de Marina de Van) possui várias situações em que enxergamos os ambientes através do olhar de Esther (a seqüência do supermercado, por exemplo, ou o desfecho, num quarto de hotel), de modo que o filme reproduz o enfado existente no cotidiano empregatício da protagonista, a fim de converter-se em perturbador, enquanto acompanhamos os sangramentos continuados de Esther: as reuniões parecem intermináveis, tanto quanto os instantes mais sanguinolentos.
“Eu não estou conseguindo fazer filmes. Por isso, volto a mim mesmo”: não é um documentário, é um drama. Não se excluem, aliás!


Obcecado tematicamente por uma espécie de redenção romântica/sexual que advém de uma via-crúcis sadomasoquista, Kim Ki-Duk iniciou tardiamente as suas atividades cinematográficas, sem ter estudado especificamente para isso, aos 36 anos de idade, com o longa-metragem “Crocodilo” (1996). Nos anos seguintes, converteu-se num cineasta deveras prolífico, às vezes realizando mais de um filme por ano, entre eles, os mui elogiáveis “A Ilha” (2000), “Endereço Desconhecido” (2001) e “Casa Vazia” (2004). Tornou-se igualmente amado e odiado pelos críticos. Até acontecer o acidente que desencadeou a sua renascença pessoal e artística, via “Arirang”. É sobre este filme que falaremos a partir de agora…
