No final de 2018, talvez inspirado pela escritora Toni Morrison, comecei a acreditar que, enquanto investigador na área da ética empresarial, a necessidade primordial, complementar à investigação, é reflectir sobre problemáticas que, apesar de inconvenientes, expõem o impacto do capitalismo nas empresas, organizações, pessoas, e na sociedade.
A ideia foi crescendo e neste momento materializa-se.
Toni Morrison disse: “Se há um livro que quer ler, mas ainda não foi escrito, então deve escrevê-lo.”
Ao longo das próximas semanas será feito um esforço de produzir conteúdos que depois de publicados culminarão, se Deus quiser, num livro: “A Ética Empresarial que humaniza a virtude da gestão”.
Nesse sentido, a problemática central é a seguinte: Será possível que a virtude do capitalismo seja intencionalmente humanizadora?
Este livro não contém fórmulas secretas ou universais que possam ser aplicadas em qualquer situação, por qualquer pessoa ou empresa/instituição.
Igualmente não contém segredos para o sucesso. Contudo, é a autêntica expressão da esperança de um humano, para a humanidade a que pertence.
Ninguém é responsável pelo tempo em que nasce. Contudo, somos todos reféns do tempo e das circunstâncias que não dependendo de nós, são as nossas.
Fazer sentido de nascermos no nosso tempo e não num tempo passado ou num futuro porvir é testar o limite da sanidade.
Nascemos num mundo aonde as regras do jogo já existem. Temos a obrigação de fazer das regras o tabuleiro sobre o qual transformamos o mundo.
O mundo precisa e agradece a intervenção humana. De igual modo, a intervenção humana nada mais é, do que a expressão da componente transformativa do mundo.
O ser humano, é o único elemento biológico no contexto natural que tem a capacidade de escolher o seu processo de transformação. Nesse processo de escolhas permitisse, a si mesmo, ser o motor que gera o futuro.
A história, é por isso o reflexo de escolhas passadas que forçaram o presente a existir. O futuro será o resultado da história, que o contexto contemporâneo obrigará a emergir.
A história da humanidade não é imputável ao acaso. O acaso nada tem que, seja útil, ao homem. O acaso existe apenas como sendo uma expressão de inevitabilidades forjadas pela multiplicidade de acções levadas a cabo por seres humanos independentes entre si, cúmplices na sua essência, e complementares na sua partilha do seu contexto.
Todos os seres humanos são chamados a ser intervenientes na história da humanidade.
É reservado aos académicos, o privilégio de serem os portadores da interpretação, reprodução, criação, explicação e transferência de competências criticas ao desenvolvimento humano.
Não existindo uma fórmula universal para que o ser humano encontre o seu propósito, é óbvio ou evidente que algumas funções ou profissões humanas tornam a vida de alguns, mais simples do que a de outros.
Nem todas as profissões geram o mesmo prazer do seu exercício ou prática. Nem todas as profissões geram a mesma criação de valor económico e consequente estabilidade financeira. Nem todas as profissões geram o mesmo valor social e impacto na sociedade.
Entre outras questões, as três anteriores, são de forma directa, objectiva e clara, o inconsciente da verdadeira virtude do capitalismo.
É imperativo interpretar o capitalismo como um paradigma transformador da humanidade.
Este é o desafio que ao longo das próximas semanas será partilhado de forma honesta e comprometida fazendo o que Toni Morrison sugere, “sonhando antes de pensar”.


