Por muito que me custe, gosto de ser criticado.
Sei, e assumo: falho muitas vezes com compromissos assumidos e metas traçadas (por minha culpa, minha tão grande culpa).
A maior dificuldade é manter-me confiante sobre as minhas escolhas, especificamente (no meu caso, e cada caso é um caso), a de continuar a escrever, e de continuar a leccionar, a de continuar a viver na busca da (minha) felicidade.
Talvez o mais comum fosse almejar algum tipo de perfeição mas a realidade é que muito mais facilmente vejo nos outros virtudes que admiro, do que em mim mesmo.
Contudo, quando faço a minha autocrítica fico feliz, porque me apercebo que tenho muito com que me entreter.
Não sou – nem de perto, nem de longe – o escritor que um dia espero vir a ser. Muito menos no que se refere à arte de ser professor.
Vejo nas minhas falhas a possibilidade de crescer, de ser amanhã, melhor do que sou hoje.
Quando falho, sinto um desamor por mim próprio, uma falta de valorização pessoal, uma desmotivação para continuar um caminho que só a mim pertence.
Nesses momentos apercebo-me que existe uma diferença fundamental entre falhar e desfalecer, e essa diferença é acreditar que o único caminho que me levará não a um fim, mas a uma forma de caminhar na direcção da minha felicidade, é um caminho com falhas.
Acredito que a expressão “crítica construtiva” pode ser substituída por “análise de falhas construtivas a caminho da felicidade buscada do próprio ser”.
Talvez não sejam as críticas “construtivas”, mas sim as falhas do caminho na busca da felicidade do próprio ser, que mostram o caminho.
Talvez.


