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O Recomeço

O Recomeço

Quando tive tudo o que queria, compreendi que
tudo o queria era tudo o que não necessitava.

Quando parei de me doar em excesso, comecei a
valorizar-me.

Mas, antes disso, foi preciso cair.
Caí e, ao cair, senti o cristal de que sou feita,
partir-se em mil pedaços.
Pedaços que doem, que moem, devagar
até matar.

Já no chão chorei.
Chorei até escurecer, até esquecer.
Esquecer do meu sorriso. Esquecer do valor da
vida.

Foi então que vislumbrei uma imagem esbatida,
desfocada do outro eu do passado.

Confesso que, naquele momento, tive vergonha
do outro eu que se pavoneava pelo espaço, tão
feliz e dançante.

Mas foi esse outro eu quem me estendeu a mão,
dizendo-me:
– Levanta-te e vem comigo. Vem libertar-te do
passado e ser feliz novamente. Comigo! Contigo!

Levantei-me, sem hesitar, limpei as lágrimas e
sacudi a poeira que sujava a pessoa em que me
tinha tornado.

Aos poucos comecei a reunir os vários
microcristais que sobravam do que um dia fui.
Para trás deixei uma porta, pesada, fechada e,
com recurso a um pequeno e tosco pau de giz,
escrevi:
“Ausente. Libertei-me da raiz e fui por aí. De hoje
em diante, serei feliz”.

Ana Martins

Imagem (JillWellington) de uso gratuito em Pixabay

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