Corria o ano de 2015, e eu, que não sou ninguém, fiz o ALERTA pelas redes sociais, enviei carta às autoridades prevenindo a invasão da vespa asiática que, vinda de França, continuava sua marcha imparável pela Europa. NADA FOI FEITO. NADA. Esses são os políticos que temos, e essa ignorância a meu aviso, vai custar centenas de milhões de euros. Os ninhos vão ter de ser atacados um a um, individualmente portanto, e enquanto não vencermos as inimigas, milhares de colmeias vão ser destruídas, o que vai representar diminuição efetiva das colheitas, que dependem da polinização que as abelhas fazem. Os outros insetos não dão conta de tão vasta tarefa nos enormes campos, pomares e hortas. Em Portugal de 2015 havia a possibilidade de termos eliminado as vespas asiáticas, hoje estou mais em crer serão elas que eliminarão as abelhas com graves danos a produção agrícola. Foi o alerta de então:
ALERTA
A vespa asiática avança 100 kms/ano, tendo entrado por Bordeaux, já está no norte de Portugal, e vai se espalhando por toda a Europa. Quando chegar a costa portuguesa terá completado toda a península e terá uma amplitude de abrangência territorial inédita para um inseto em toda a Europa.!!!
E continuava com a explicação do perigo que as vespas representam, era no particípio, mas é no presente do indicativo hoje, multiplicado por milhares. Milhares de ninhos, milhões de vespas. E dizia assim: É terrível esta situação porque estas vespas são inimigas poderosas das abelhas, destruindo colmeias inteiras na sua luta por alimento de alto teor nutritivo, tendo como alvo principal a abelha europeia, a Apis mellifera, um inseto manso e praticamente indefeso frente a agressividade da vespa asiática, a Vespa velutina nigrithorax, que se compararmos com a da Vespa crabro, europeia, a nativa, a indígena, essa última é um anjinho, sendo, portanto, a asiática muito mais predadora, muito mais mortal. As abelhas que por várias outras razões conjugadas têm visto seu número decrescer assustadoramente, agora encontram-se sob mais esta ameaça, que tem força mui intensa, que pode mesmo a médio prazo exterminar a Apis mellifera.
E insistia que: Temos (Tínhamos em 2015) mais uma primavera para vermos se o avanço da nigrithorax continuará imparável ou se por razões climáticas ficará circunscrito ao norte de Portugal ou se desce até o Algarves, dominando todo o país. O reconhecimento desta vespa é muito fácil, porque diferentemente das nacionais tem o abdômen muito mais escuro e faz-se logo identificar. A presença e expansão das africanizadas é outro grande problema que sofre as populações da Apis mellifera, tendo todo um equilíbrio muito antigo no continente sido posto em risco.
E contava como o problema começou: Um erro de 2004 ocorrido em França, liberou esta vespa asiática para o meio ambiente em 2010, tendo se firmado na antiga Gália, invadiu Espanha, no ano seguinte era a Bélgica, e logo em 2012 ainda, invadia a Itália. Tendo dominado Espanha, atingiu Portugal onde há dois anos tem feito razias por todo o norte do país, podendo neste 2015 expandir-se vigorosamente em direção ao sul.
Tudo isto se deve a um único fator, ao nicho desta vespa estar desocupado, não havia em seu padrão e em sua capacidade existencial nenhum outro inseto que lhe bloqueasse a passagem, ou lhe controlasse o número, nenhuma barreira natural que lhe impedisse a proliferação, nenhum predador que lhe controlasse a população, permitindo-lhe ocupar este espaço numa cadeia onde semelhante animal não existia, porque não se produziu neste ambiente, no continente europeu não havia nada semelhante a nigrithorax, logo com sua introdução se lhe permitiu acesso pleno e livre por poder ocupar um nicho vazio.
Fui monitorando as vespas para ver como evoluia sua ação no território. Foi uma catástrofe! Em 21/5/2019 publiquei em “A Pátria” o artigo intitulado UM NICHO VAZIO, no sentido de sensibilizar a Academia para o problema que se espalhava. Buscando fazer ver que as vespas continuavam sua marcha, e do perigo se atingissem o Algarves, dominando toda a península.
Nem um comentário tive.
Às cartas que enviei ninguém se dignou responder.
Indicando que a introdução de um predador (Abelharuco, Bútio-vespeiro, etc…) poderia resultar em algum controle, fiz ainda outros alertas, inclusive indicando o que fazer por quem encontrasse um ninho de vespas, com telefone e mail para onde comunicar.
N A D A.
Hoje as vespas asiáticas já estão no Algarves e em todo o território português e ibérico. Agora é o combate, e vamos todos penar para as tentar conter. Como, com as alterações climáticas, muitos outros insetos que estudo irão se espalhar pelo território, trazendo doenças e morte, eximi-me de comentar seja o que for, porque pregar no deserto é inútil, e o deserto aqui é de responsabilidades, ninguém dá atenção, e o estudioso vai vendo tudo que previra se concretizar, e, creiam, É HORRÍVEL TER RAZÃO.