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Lusofonia: Português de hoje e do amanhã é tema de debate

Lusofonia: Português de hoje e do amanhã é tema de debate

Na passada quinta-feira, a Lusa Language School promoveu um seminário – webinar – intitulado “Português de hoje e Português de amanhã –  novo idioma Português”, que teve transmissão em direto na página de Facebook daquela instituição de ensino, especializada no ensino do Português para estrangeiros.  A aprendizagem do português como língua estrangeira ou língua não materna foi o ponto de partida para este fórum de discussão, que visava “a reflexão das inúmeras questões que o ensino ( e a aprendizagem ) do português para estrangeiros suscita e o caminho que a língua portuguesa tem que percorrer para alcançar mais falantes“, refere a organização.

A moderação esteve a cargo da gestor de projetos e consultora de comunicação Ana Clara Quental. Entre os oradores esteve o coordenador da Comissão temática para a promoção e difusão da Língua Portuguesa da CPLP, Rui Lourido, a professora, investigadora e coordenadora do Portal da Língua Portuguesa, Margarita Correia, do Instituto Internacional da Língua Portuguesa e o editor-chefe d’A Pátria – Jornal da Comunidade Científica de Língua Portuguesa. A Alta Comissária para as Migrações, Sónia Pereira, inicialmente prevista como oradora, demonstrou ainda a sua disponibilidade para colaborações futuras, conforme referido pela organização.

A organização refere a possibilidade de encetar “um diálogo conjunto e de partilha, com vista à discussão do presente e  futuro da língua portuguesa, falada e escrita, tanto na lusofonia como também em outros continentes, e de que forma o ensino se pode adaptar para abraçar as mudanças linguísticas“. Na certeza de uma crescente procura pela “aprendizagem da língua portuguesa por estrangeiros não lusófonos, não só na Europa, como nos restantes continentes” e atendendo o facto do Português poder constituir-se como uma poderosa língua na globalização, ” que caminhos irá percorrer?“, foi a principal questão levantada neste seminário.

Neste evento foi destacada a importância da valorização e difusão da Língua e dos autores da lusofonia e foi dada uma perspetiva histórica da construção linguística, além de uma análise à instrumentalização da língua como argumento político e económico na sociedade contemporânea. E destacada a inviabilidade da cooperação à escala internacional, nomeadamente com as instituições de ensino, comunicação social e mercado editorial brasileiro e dos países africanos de Língua Portuguesa, para adquirir uma vantagem competitiva na circulação de autores e do pensamento do espaço da lusofonia.

Para André Teixeira, fundador da Lusa Language School, “as escolas de português para estrangeiros estão na linha da frente desta procura, logo, este é o momento certo para uma reflexão abrangente das várias perspetivas dos envolvidos neste processo, pelo decidimos apostar na realização, pela primeira vez, de um ciclo de webinars, na expectativa de identificar os novos desafios que o ensino da língua portuguesa para estrangeiros enfrenta e de que forma o mesmo contribui para o multilinguismo e a diversidade cultural.

De acordo com a UNESCO e com a CPLP, a Língua Portuguesa é uma língua falada por mais de 260 milhões de pessoas nos cinco continentes, em 2050 serão quase 400 milhões e em 2100 deverá superar os 500 milhões de falantes, segundo estimativas das Nações Unidas. Na União Europeia, cerca de 3% da população fala português, sendo um dos 24 idiomas oficiais e de trabalho. É, de facto, a 3.ª língua oficial da UE mais falada no mundo.

De acordo com a Ponte Editora, detentora d’A Pátria, a realidade do mercado editorial científico de língua portuguesa evidencia uma execução precária e uma quase ausência da grande circulação das edições de livros publicados por universidades de língua portuguesa ou de publicações periódicas. Estima-se que o mercado editorial lusófono represente cerca de 3,7% da população mundial e detendo 4% da riqueza global. Também de acordo com a UNESCO entre docentes, investigadores e alunos de ensino superior, a comunidade científica ascende a cerca de 8 milhões de pessoas.  


Fonte: BuenoPress / Lusa Language School

O historiador Rui Lourido, Presidente do Observatório da China, falava no Webinar na qualidade de responsável pela Comissão Temática para a Promoção e Divulgação da Língua Portuguesa, que funciona integrada na União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, UCCLA, organismo de que é coordenador cultural. De acordo com este especialista, “o português é uma língua em movimento”, ou seja, é uma língua viva que se vai modificando naturalmente pelo uso e pela criatividade dos seus falantes, com a inclusão de novos vocábulos, o que revela que é um instrumento em utilização intensa. “Não temos que ter medo do Português do futuro. Não sei que Português será falado em, por exemplo, 2100. Sei que será necessariamente diferente do Português que hoje falamos, assim como o nosso Português de hoje é diferente do falado pelos nossos antepassados. E ainda bem. É esta dinâmica que garante o Português no futuro” , referiu Rui Lourido.

Em resposta à questão como será a Língua Portuguesa no futuro (atendendo que é já a terceira língua europeia internacional, a quinta a nível global e a primeira falada no Hemisfério Sul), o investigador sublinhou que: “É um futuro com certeza risonho“, lembrando que hoje em dia nos Estados Unidos 275 a 300 universidades têm cursos de português, a par de 100 a 120 escolas secundárias, e na China – o maior país difusor de Português no mundo de um país não lusófono – há ensino de Português em, pelo menos, 50 universidades em 22 províncias, um total de mais de 8.000 alunos.

Em nota enviada às redações, a organização do webinar, fez destaque ao papel do jornal A Pátria, na difusão da Língua, referindo-se ao mote deste jornal: a frase de Fernando Pessoa “a minha pátria é a língua portuguesa”. Diogo Goes, acabou por “realçar a crescente comunidade de falantes lusófonos a nível global, diferente da concepção política do termo pátria”, refere a nota. Sobre o futuro do Português lembrou que “a construção de uma língua faz-se pela sua própria diversidade” e pela sua capacidade de agregar e envolver em vez de fechar. Agregar e envolver, nomeadamente, diferentes culturas, diferentes influências. Colocarmo-nos numa argumentação determinista de autoridade “nós e os outros” é parar de evoluir e prejudicar as vantagens competitivas que asseguram a difusão da língua defendeu. o editor-chefe do jornal.

A comunidade lusófona representa 3,7% do mercado editorial mundial, cabendo aos portugueses, ter a capacidade de alicerçar projetos tendo em conta “os outros” numa cultura de efetiva inclusão, com a língua no centro deste processo de coesão social”. Sobre a questão de uma política para a difusão do Português, Diogo Goes considerou que “não é uma lei que determina o nosso comportamento em termos linguísticos”, defendendo a dinâmica e a criatividade natural das diferentes comunidades lusófonas. “No dia em que estancarmos a nossa cultura estamos a incorrer na nossa própria finitude” – realçou ainda.
O próximo webinar da Lusa Language School terá como tema “As novas tecnologias e a aprendizagem da língua portuguesa” e está previsto para Janeiro de 2022. O primeiro e segundo webinars já realizados vão estar disponíveis gratuitamente na página https://www.lusaschool.com/pt-pt/lusa-school-talks/

Foto: Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra, por Pixabay

Fonte: BuenoPress / Lusa Language School

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