Ainda hoje, eu posso?

O mundo corre lá fora,mas aqui posso respirar.O pensamento demora,sem pressa de chegar. Depois, talvez, melhora.Posso sonhar, recomeçar.Lá fora, a pressa devora,mas cá dentro, posso parar. O tempo é breve e escasso,não se compra, não se guarda.Se vou noutro compasso,Serei eu uma fachada? Não posso ser só um reflexo,de algo que eu não sou.Prefiro um […]

“Quando o corpo morre, o câncer também morre”: livremo-nos do luto que adoece, via ressignificação artística (e política)!

A fim de converter nalgo intelectualmente produtivo a aflitiva sensação de perda deixada pela notícia supracitada (o falecimento do crítico Jean-Claude Bernardet), convém assistir ao ótimo longa-metragem “O Senhor dos Mortos” (2024 – “As Mortalhas”, tradução do título original, em Portugal), mais recente produção do mestre do horror corporal David Cronenberg. Neste roteiro, evidentemente autobiográfico, o cineasta parte de uma reflexão sobre o vazio deixado após a morte de sua esposa Carolyn Zeifman [1950-2017], com quem vivia desde 1979, e que era operadora de câmera e produtora cinematográfica. Para validar a experiência de imersão, o protagonista Vincent Cassel está fisicamente muito parecido com o diretor. Porém, a narrativa parte para os rumos intricados que caracterizam os seus enredos…