Neutralização e Neutralidade na Guerra Fria (1946-1963) em quatro figuras históricas.

Neutralização e Neutralidade na Guerra Fria (1946-1963) em quatro figuras históricas.

As figuras históricas identificadas neste ensaio comungam do movimento de alianças que se estabeleceram durante a Guerra Fria (1946-1963), umas com fim a neutralizar o conflito, outras com a finalidade de se neutralizarem perante o conflito, através de dinâmicas independentistas, como a descolonização da década de 1950. Relativamente ao primeiro caso destaca-se a participação activa de Harry S. Truman (1884-1972) contra a União Soviética, e a de Deng Xiaoping (1904-1997) a favor desta num primeiro momento, e  contra esta posteriormente. No segundo caso destacaram-se Gamal Abdel Nasser Hussein (1918-1970) e Kwame Nkrumah (1909-1972).

  1. Breve contextualização sobre a Guerra Fria (1946-1991) e o seu legado

Se as alianças políticas e militares são relativamente coesas durante o conflito, dada a vitória, seguem-se momentos de reavaliação diplomática, bem como tensões acerca da estratégia a adoptar sobre os territórios que foram palco desses conflitos. A Guerra Fria resulta de vários fatores, contudo, o mais proeminente foi a bipolaridade política e ideológica das duas superpotências mundiais, os EUA e a URSS. Com distintos modelos democráticos, competiam por impor os seus modelos num braço de ferro que desequilibrava uma Europa já drenada. Naturalmente, as circunstâncias extrapolaram para os territórios e comunidades dependentes dos países colonizadores.
Apesar da inexistência de um conflito armado, gerou-se um clima de tensão global que envolvia manifestações de poder bélico e tecnológico, de que é exemplo o recurso ao armamento nuclear, tendo em vista a afirmação e o desencorajamento. Deste contexto derivam duas alianças, a NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que contemplava os países ocidentais opositores ao comunismo da URSS, e o Pacto de Varsóvia, os aliados da União Soviética, antagonistas da NATO. Depois da divisão da Alemanha em dois países distintos, a RDA e a RFA, das manifestações de força feitas através testagens nucleares (bomba de hidrogénio) encabeçadas por cada uma das superpotências, das tensões na Coreia do Sul entre a China e os EUA, Aquando da morte do líder Soviético, Estaline, as relações atenuam e é proposta uma coexistência pacífica, apesar de posteriormente se ter ainda construído o muro de Berlim (1961) e a crise dos mísseis de Cuba (1962).

De todo o legado político e militar da Guerra Fria, releva-se o da paz, digo, da neutralização do conflito, e o da descolonização, isto é, da tentativa de neutralidade. Quanto ao legado da paz, isto é, da possibilidade de coexistência pacífica entre os países, da cooperação mundial e de respeito pelas soberanias, apresentam-se dois estudos de caso, isto é, duas personalidades políticas que desempenharam papéis significativos no rescaldo da Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra Fria.

Relativamente ao legado da neutralização, ou seja, da descolonização, destaca-se a formação de um movimento de recuo do imperialismo europeu e emancipação das colónias, fosse pela via pacífica ou bélica. Os movimentos de libertação e independência iniciaram-se na Ásia, ecoaram pela África e terminaram na América Latina. No tocante à África, este processo ocupou as décadas de 1950, 1960 e termina em 1975. A título de exemplo tomemos o sucedido no Egipto através da figura de Nasser, e no Gana através da figura de Kwame Nkrumah.

2. Figuras da Guerra Fria e da descolonização

Harry S. Truman (1884-1972)
Sucedeu a Theordore Rosevelt a 12 de Abril d 1945, tornando-se no 33º Presidente dos Estados Unidos da América (1945-1953) aos 61 anos de idade. Descendente de uma família de terratenente e agricultores americanos no Estado de Misouri, participou na Primeira Guerra Mundial na qualidade de capitão da artilharia. No decorrer da Segunda Guerra Mundial promoveu políticas internacionais assentes em estratégias militares que visavam conter a ofensiva soviética, implicando intervenções profundas na economia e política americanas.No contexto da Guerra Fira, responsável pela decisão do envio das tropas americanas para mitigar a ofensiva chinesa comunista na Coreia do Sul, que era então apologista do modelo democrático ocidental.

Deng Xiaoping (1904-1997)
Nasceu em Guangan, na província de Sichuan, ingressa no Partido Comunista Chinês (PCC) em 1924 aquando da sua estadia em França. Em 1926 viaja para Moscovo, onde prosseguiu estudos. A sua carreira política e militar inicia-se durante a Longa Marcha de 1934-1935, onde é noemado director do departamento político e, posteriormente, comissário político do Primeiro Corpo de Exército. Mais tarde, em 1937, após o início da guerra com o Japão, é declarado comissário político da 129ª Divisão do Exército Comunista da Oitava Rota de Liu Bocheng, tendo crescido em poderio durante a guerra. Em 1946 pariticipa na guerra civil e, nas batalhas de Huai-Hai (1948-1949), serviu como secretário do Comité Especial da Frente Geral, formado por apenas cinco membros, para coordenar a estratégia das tropas comunistas e encabeçar as ações militares. Entre 1949 e 1950, o Segundo Exército de Campo conquistou o Sudoeste da China e Deng Xiaoping tornou-se o líder do partido no início da década.
No início da Guerra Fria, Deng Xiaoping foi partidário da União Soviética, todavia, mais tarde alterou algumas das convicções políticas herdadas de Mao Tse Tung e adoptou uma política modernizadora da China, levando a cabo reformas económicas de base capitalista que abrangeram a agricultura, a indústria, a defesa, a ciência e a tecnologia, fomentando políticas de arrendamento das terras para exploração individual.

Gamal Abdel Nasser Hussein (1918-1970)
Jamāl ʿAbd al-Nāṣīr foi primeiro-ministro do Egipto entre 1954 e 1956, e Presidente entre 1956-1970, tendo liderado o movimento que derivou na queda da monarquia em 1952. Foi um apologista e defensor da “neutralidade positiva”, surge como líder mundial na Conferência de Bandung das nações asiáticas e africanas em 1955. Foi responsável pela nacionalização do Canal de Suez em 1956. Foi responsável por reformas agrárias, que destruíram as propriedades privadas, e pelo fomento da industrialização. Concedeu direitos às mulheres como o de voto. Durante o seu governo surgiu uma nova classe média natural do Egipto que começa a aceder aos cargos de administração do país.

Kwame Nkrumah (1909-1972)
Foi primeiro-ministro de Gana em 1952, tornando-se no seu primeiro Presidente posteriormente. Kwame Nkrumah, liderou o movimento de independência da Costa do Ouro, e foi responsável pela sua transformação no Gana moderno. Tal como sucedeu com Nasser, Nkrumah acabou por inspirar movimentos independentistas em toda a África, e concentrou os seus esforços e fomentos em obras públicas e na promoção do pan-africanismo. Tendo-se tornado num chefe de estado autoriátio, terminou a sua carreira política derrubado por golpe militar e pela polícia em 1966.

Monografias
Rémond, R. (1994). Quarta parte: De 1914 aos Nossos Dias. In Introdução à História do Nosso Tempo, Do Antigo Regime aos Nossos Dias (pp. 281-455). Portugal, Lisboa: Gradiva.

Capítulos de Monografias

Rémond, R. (1994). A Guerra Fria. In Introdução à História do Nosso Tempo, Do Antigo Regime aos Nossos Dias. (pp. 384-391). Portugal, Lisboa: Gradiva.

Artigos electrónicos

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Webgrafia Geral
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Imagem de capa D.R. “The Cold War” (1999) by Sandy Skoglund. Disponível em: https://www.pakocampo.com/the-cold-war/

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