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Título: “O Funeral das Tendências” e o Nascimento do Ativo Mais Raro no Jornalismo 

Título: “O Funeral das Tendências” e o Nascimento do Ativo Mais Raro no Jornalismo 

Legenda da foto: Neusa e Silva, autora

Original: newsletter “Do Terreno ao Global”, Neusa e Silva, 24.03.2026

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Hoje ofereço de forma gratuita um dos capítulos centrais do meu livro “O Mapa que Nasceu no Terreno”. O capítulo chama-se “O ativo mais raro”! Na sequência terá reflexões sobre a tese de que a independência editorial deixou de ser apenas um princípio ético para se tornar a principal vantagem competitiva de um jornalista no cenário internacional.

  • Vamos refletir sobre os três fatores críticos que tornam a independência editorial um bem escasso, na minha opinião.
  • Refletir sobre o ecossistema freelance como habitat natural deste ativo.
  • E fazer algumas reflexões académicas sobre o tema, incluindo comentários de especialistas que têm acompanhado esta viragem no mercado da mídia global.

O ativo mais raro, e a independência editorial como alicerce do jornalista do futuro

Sobre a diferenciação da capacidade humana e a da inteligência artificial, a segunda ajuda a reorganizar volumes de dados através do comando humano, e a primeira tem a capacidade de construir relações de confiança que geram credibilidade junto do público leitor. A confiança não nasce da perfeição técnica, mas da consistência na entrega de um produto que atenda os padrões esperados pelo leitor, e também da transparência e isenção continuada na construção da narrativa. Este último “bastião” da relação com o público é insubstituível.

Todo jornalista capaz de construir esta relação e consistência na produção da notícia, que conserve a sua independência editorial, tem meio caminho andado para a construção da sua trajetória no jornalismo internacional. Porque independência editorial é o ativo mais raro na atualidade mediática global, e um ativo quase que exclusivo dos jornalistas independentes que trabalham através de plataformas reservadas aos freelancers.

Eu defendo tal teoria e associo-a à convergência de três fatores críticos, nomeadamente, a crise de credibilidade da mídia tradicional, a economia da atenção global e a valorização estratégica da autenticidade.

Se considerarmos a raridade como sendo um valor, do ponto de vista da  perspetiva da  lei da oferta e da procura, verificamos que a independência editorial absoluta tornou-se um bem escasso. Em um cenário global onde grandes conglomerados midiáticos estão sujeitos a interesses de acionistas e anunciantes, e alinhamentos geopolíticos nacionais ou ainda linhas editoriais que refletem um nicho de mercado ou posição ideológica,  a voz que conseguir manter-se verdadeiramente independente destaca-se como um diferencial único. Para editores de veículos internacionais de prestígio  ou para plataformas de jornalismo investigativo, um colaborador que oferece credibilidade verificada e isenção percebida vale mais do que um repórter alinhado a um “lado” previsível. Este jornalista preenche um déficit de confiança do público.

Sobre o meio caminho andado de que falei, trata-se da construção de uma trajetória sustentada na confiança e no acesso que o jornalista ganha.O “meio caminho andado” não se refere apenas a conseguir um emprego, mas na construção de uma marca pessoal íntegra e isenta. O que se traduz em:

 Acesso privilegiado a fontes: Fontes em comunidades locais ou em cenários de conflito tendem a confiar e a se abrir mais a jornalistas que não são vistos como porta-vozes de um poder externo.

Sustentabilidade da carreira: A consistência gera reputação. Editores começam a associar o nome do jornalista a rigor e confiabilidade, não a um “ângulo” ou “narrativa” pré-fabricada. Isso gera mais convites e trabalhos recorrentes.

Resiliência a crises: Em momentos de desinformação ou de polarização extrema, a credibilidade se torna o ativo mais valioso do profissional, e também o que protege a sua trajetória a longo prazo.

Fonte da foto: freepik 

O “Funeral das Tendências” e o nascimento do ativo mais raro do jornalismo

“Esqueça os ciclos de hype. A verdadeira história de 2026 é maior, mais inesperada e mais próxima do que imagina.” disse Amy Webb, futurista e CEO da Future Today Strategy Group, na sua sessão “Destruição Criativa” no SXSW 2026.

A sessão completa, onde Webb declara o “funeral dos relatórios de tendências” e propõe uma nova forma de pensar o futuro, está disponível neste link: https://www.youtube.com/live/CFHlNmyGFFM?si=7t7ntNXtP-ePOqVX

Partilho aqui este tema sobre a necessidade da substituição da análise isolada de tendências para uma leitura de intersecções, porque tem tudo a ver com o debate que trago hoje sobre o futuro do jornalismo e o “ativo mais raro” mais amplamente discorrida no livro “O Mapa que Nasceu no Terreno”

O que importa agora, e este é o ponto que passa despercebido à maioria, são as intersecções. O lugar onde múltiplas tendências, incertezas e catalisadores se encontram.

Na minha análise, se você aplicar esta lógica ao jornalismo, encontrará algo que eu chamo, no meu livro de “o ativo mais raro.” Link Amazon: E-book: https://www.amazon.com.br/dp/B0GSHKN7F6

A confiança não nasce da perfeição técnica, mas da consistência na entrega de um produto que atenda os padrões esperados pelo leitor, e também da transparência e isenção continuada na construção da narrativa. Este último ‘bastião’ da relação com o público é insubstituível.” Um tema desenvolvido com mais detalhes no livro. É neste vazio que o jornalista independente, aquele que navega nas intersecções, encontra o seu lugar.

O que Amy Webb e o livro “O Mapa que Nasceu no Terreno” têm em comum, na minha opinião?

Na minha interpretação, Amy Webb enterrou os relatórios de tendências porque eles davam uma falsa sensação de segurança. O mesmo acontece com o jornalista que acredita que dominar uma ferramenta ou seguir um formato é suficiente.

O que Webb propõe, olhar para intersecções, incertezas e catalisadores, é exatamente o que o jornalista independente faz quando:

  • Intersecta o domínio técnico com a ética
  • Navega as incertezas do mercado freelance sem perder autonomia estrutural
  • Usa catalisadores como plataformas de freelancers para construir uma relação direta com o público

O livro antecipa este novo ecossistema com um rigor que antecipou a viragem agora anunciada:

“O jornalista freelance de sucesso é, por definição, um produtor do seu próprio trabalho. A sua sobrevivência depende da qualidade e exclusividade de seu produto (a notícia, a reportagem), não da obediência a uma linha editorial.”

Se a independência editorial é escassa, isso significa, do ponto de vista da lei da oferta e da procura, que o seu valor é alto. O meu livro argumenta que esta independência se tornou um bem raro porque:

  1. Grandes conglomerados: “Alguns” estão sujeitos a interesses de acionistas, anunciantes e alinhamentos geopolíticos
  2. Meios tradicionais Alguns tendem a operar com linhas editoriais que refletem nichos de mercado ou posições ideológicas
  3. A inteligência artificial na sua maioria, processa dados, mas não oferece isenção nem responsabilidade editorial

De acordo com o livro Mapa que Nasceu no Terreno” em um cenário global onde alguns grandes conglomerados midiáticos estão sujeitos a interesses de acionistas e anunciantes, e alinhamentos geopolíticos nacionais ou ainda linhas editoriais que refletem um nicho de mercado ou posição ideológica, a voz que conseguir manter-se verdadeiramente independente destaca-se como um diferencial único.”

Para editores de veículos internacionais de prestígio ou para plataformas de jornalismo investigativo, um colaborador que oferece credibilidade verificada e isenção percebida vale mais do que um repórter alinhado a um “lado” previsível. Porque esse jornalista preenche um déficit de confiança do público global.

As competências do futuro que irão funcionar como âncora

O LinkedIn Notícias tem perguntado: “Qual será o profissional do futuro?”

Para mim, a resposta não está em uma lista de hard skills. Está na capacidade de navegar na intersecção entre aquilo que é técnico e aquilo que é humano. O livro aponta um caminho prático:

“Sobre o investimento em competências num contexto volátil, é fundamental investir nas que sustentam a prática a longo prazo, por exemplo na verificação digital avançada, ética na era da IA, análise de políticas públicas, leitura crítica de dados, gestão de comunidades e literacia tecnológica. Estas competências funcionam como âncora.”

Estas não são “tendências”. São capacidades estruturais, e são elas que permitem ao jornalista manter a sua independência editorial num ecossistema em constante transformação.

O futuro não é uma tendência, é um posicionamento

O que Amy Webb declarou no SXSW 2026 não é uma previsão, na minha opinão. É uma chave de leitura. O futuro não pertence a quem segue a moda, mas a quem navega nas intersecções entre tendências, incertezas e valores humanos.

O jornalista que entende isto não está à espera de um relatório. Está a construir, agora, o seu próprio mapa.

“O futuro do jornalismo não está em alcançar públicos massivos e não diferenciados, mas na construção de confiança com comunidades e na capacidade de fidelização de um determinado público-alvo. A relevância do jornalista local e freelancer é alcançada quando este domina profundamente o território geográfico, cultural ou temático, sobre o qual escreve. Especializar-se não é limitar-se a determinado assunto, passa também a ser sobre tornar-se indispensável para reportar de forma isenta a voz das comunidades mais vulneráveis”

Enquanto os meios tradicionais competem por cliques e algoritmos, o jornalista independente que entende esta interseção está a construir o ativo mais raro do século XXI: A credibilidade num ecossistema faminto por confiança.

O que acha? A independência editorial é mesmo o “ativo mais raro” ou há outros diferenciais mais valiosos para o jornalista do futuro? Deixe nos comentários a sua visão, e se quiser aprofundar, falo sobre isso no meu livro “O Mapa que Nasceu no Terreno”. Link de acesso ao livro na Amazon: https://www.amazon.com.br/dp/B0GSHKN7F6

A newsletter O Mapa do Terreno ao Global é uma extensão do livro Guia de Jornalismo Internacional, da jornalista Neusa e Silva. Assine para acompanhar análises sobre temas que a média ainda não está a explorar e participe no debate, propondo novas linhas de investigação e cobertura.

Sobre o Método de Reportagem do Local ao Global

O método de reportagem “Do Local ao Global” de Neusa e Silva propõe exatamente isto: partir da realidade local, das pessoas, das comunidades para construir a ligação com as estruturas globais. Este é o método que contrapõe o aumento de produção de notícias com recurso exclusivo a IA, e prioriza o jornalismo no terreno.

Serviços disponíveis: Mentoria em Jornalismo e Inclusão na Mídia | Analista, Mentora e Autora. Transforme sua reportagem do local ao global

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