“- Vai tudo acabar numa grande orgia, como o final de ‘Matrix’? – Não… A não ser que tu queiras!”: a propósito de uma telessérie e o eterno recomeço audiovisual

Atualizando as referências esperadas a clássicos da ficção científica [“Vampiros de Almas” 1956, de Don Siegel) e “No Mundo de 2020” (1973, de Richard Fleischer), à frente], o roteiro da série “Pluribus” surpreende pelo modo como mantém a atenção do espectador ativa, sem subestimar a nossa inteligência, mesmo em episódios em que apenas Carol está em cena, enfrentando uma solidão crônica, agravada por problemas decorrentes de sua sujeição passada ao vício em substâncias tóxicas e ao trauma de uma tentativa de suicídio. Pouco a pouco, o ponto de partida científico será a deixa para valiosas reflexões dramáticas e para um questionamento político sobre o que nos caracteriza enquanto indivíduos e se é defensável a supressão do livre-arbítrio, quando isto nos leva a cometer erros graves.

Reflexão (auto)crítica – ou por que precisamos falar sobre a Netflix, mas não somente sobre a Netflix!

Não é necessário assistir ao filme para sabermos como ele terminará e/ou será conduzido enredisticamente: ao promulgar uma rejeição chistosa da suposta falta de criatividade dos roteiros mais tradicionais do cinema estadunidense, esta peça fílmica obedece-os rigorosamente, obtendo um sucesso arrebatador e imediato, ainda que o filme não tenha sido programado para estrear nas salas de cinema.