“Como uma administração comunista pode resolver isso?”: a pergunta que aparece nas telas e que deve continuar nas urnas…

Servindo-se de algumas hipérboles elogiosas que corroboram o tipo de bazófia comumente associado aos pernambucanos, “Os Arcos Dourados de Olinda” (2025, de Douglas Henrique) é organizado através de um minucioso trabalho de pesquisa, que contextualiza as inusitadas de implantação geográfica da filial em questão, utilizando, para tal, alguns trocadilhos oportunos, como a abundância de blocos carnavalescos na famosa cidade de Olinda. Neste sentido, alguns paralelismos podem ser traçados em relação ao panorama político brasileiro atual, em que uma tática comum de deslegitimação de seus oponentes, por parte dos candidatos de direita, é a divulgação do suposto ateísmo de outrem, visto que, mesmo sendo um país laico, o Brasil é assaz influenciado pelos ditames religiosos.
“Cuidado, nem todo mundo que te faz um afago gosta de ti”, ou de quantos Brasis existem dentro do cinema brasileiro…

Recebedor do prêmio Novos Olhares, no Festival Internacional de Curitiba Olhar de Cinema, “Idade da Pedra” (2024) dá continuidade aos experimentos narrativos e discursivos que o diretor Renan Rovida empreendera em “Pão e Gente” (2021), a saber, a musicalidade brechtiana, a exortação de esforços coletivos no enfrentamento ao Capitalismo e o aproveitamento actancial de um elenco, que ele próprio encabeça como ator, que possui vasta experiência teatral. Se, na produção anterior, a influência do dramaturgo alemão era mais explícita, nesta mais recente produção, há um flerte com as temáticas e intenções do chamado Cinema Marginal. Porém, há algo de excessivamente “limpo” no tratamento das imagens e situações, não obstante os personagens comumente revolverem o lixo.
Tu já viste algum filme da cineasta Esfir Shub? Se não, sabes o porquê?

No livro “Introdução ao Documentário”, de Bill Nichols, a diretora e montadora é entusiasticamente citada, como uma representante mui laudatória do que o autor chama de “documentário expositivo”, que seria aquele tipo de filme que “agrupa fragmentos do mundo histórico numa estrutura mais retórica ou argumentativa do que estética ou política”. Não por acaso, houve quem rejeitasse o tipo de filme realizado por Esfir Shub, em razão de seu viés ostensivamente propagandístico. ..