“A motivação primária de qualquer regime é a autopreservação”: ou de quando um filme demonstra que ‘insanidade’ e ‘realidade’ não possuem o mesmo sufixo por coincidência!

Apesar de não ter figurado na lista definitiva de melhores filmes do ano da revista Cahiers du Cinéma, “Casa de Dinamite” (2025, de Kathryn Bigelow) foi mencionado nas listas individuais de vários articulistas, confirmando o apreço que os críticos sentem por sua hábil realizadora, responsável por um clássico de ação noventista [“Caçadores de Emoção” (1991)], por um ‘cult movie’ absoluto [“Estranhos Prazeres” (1995)] e pelo primeiro Oscar de Melhor Direção concedido a uma mulher [pelo excelente “Guerra ao Terror” (2008)]. Trata-se de uma diretora que respeita as convenções de gêneros clássicos hollywoodianos, na superfície, mas que, no desenvolvimento dos roteiros que escolhe, insere demonstrações de uma crise de valores capitalistas, representada pela falibilidade dos relacionamentos interpessoais entre os personagens.

“Este é o fim de uma história de amor e dever, em que o dever prevaleceu”: sempre é tempo de falar do que é importante (em todos os sentidos do termo)!

Os dez primeiros episódios da primeira temporada de “The Crown” foram escritos pelo dramaturgo Peter Morgan, que demonstra um nível absoluto de excelência no modo como transita por diferentes gêneros e como biografa alguns personagens que ainda estão vivos – e que poderiam censurar o seu manuseio enredístico de acontecimentos reais. A direção dos episódios, porém, coube a realizadores distintos, o que engendra uma espécie de irregularidade entre os primeiros e os derradeiros episódios, já que a glória vislumbrada no início cede progressivamente espaço aos dilemas entre público X privado no desfecho.

Em que tempos vivemos? Entre a negação e a assimilação, (anti)racismo vende!

Atrevemo-nos a recomendar o filme infantil “Uma Invenção de Natal” (2020, de David E. Talbert), disponibilizado via Netflix no dia 13 de novembro de 2020. Trata-se de uma típica estória natalina, quase clicherosa em suas boas intenções familiares. Mas possui um diferencial digno de nota: o elenco é quase integralmente negro, sem que haja a necessidade interna de chamar a atenção para este aspecto.

Depressão: “não aguentamos mais!”, mas terminamos suportando. Até que…

No dia 04 de setembro de 2020, chegou ao catálogo Netflix um dos filmes mais aguardados do ano: a nova produção dirigida pelo premiado roteirista Charlie Kaufman, conhecido por suas tramas rocambolescas, envolvendo derivações masturbatórias e intensas crises existenciais, além de múltiplas referências literárias, filosóficas e cinematográficas. Confirmando as expectativas, “Estou Pensando em Acabar com […]

Julgamentos oculares – ou de quando não há justiça na pretensão de sobrevivência…

Em maio de 2019, foi lançada, com certo alvoroço crítico, a minissérie “When They See Us” – no Brasil, rebatizada como “Olhos que Condenam” – dirigida pela conceituada cineasta negra Ava DuVernay. Baseada num atordoante caso jurídico real – sobre cinco adolescentes condenados à prisão por conta de um brutal estupro que não cometeram. A audiência reativa a “Olhos que Condenam” é imperativa, portanto!

Reflexão (auto)crítica – ou por que precisamos falar sobre a Netflix, mas não somente sobre a Netflix!

Não é necessário assistir ao filme para sabermos como ele terminará e/ou será conduzido enredisticamente: ao promulgar uma rejeição chistosa da suposta falta de criatividade dos roteiros mais tradicionais do cinema estadunidense, esta peça fílmica obedece-os rigorosamente, obtendo um sucesso arrebatador e imediato, ainda que o filme não tenha sido programado para estrear nas salas de cinema.