Assim na Romênia como no Brasil — Parte 2: “Não brinque com isto. Os comunistas mataram milhões”?


O cinema permite que os debates sejam continuados através do desenvolvimento dos enredos, de modo que uma obra como “Kontinental ‘25” (2025), do cineasta romeno Radu Jude, surge como contraponto delicado: o seu diretor é conhecido pelo uso da ironia e da sátira, na exposição das contradições acachapantes de seu país natal e, nesta obra em particular, parte de um clássico de Roberto Rossellini [1906-1977], “Europa ‘51” (1952), sobre a esposa de um industrial que, deveras alienada quanto às condições sociais dos empregados de seu marido, torna-se uma ativista, depois que seu filho adolescente comete suicídio. No filme antigo, as boas intenções da protagonista correspondem a uma espécie de santificação compensatória. No filme contemporâneo, acontece exatamente o contrário…
“Meu pai era um homem justo. Por isso, ele fabricava balanças: uma sociedade que produz mais balanças é uma sociedade mais justa”! Procede? Até quando?


Acostumado aos temas sindicais, nesta sua mais recente produção, Fernando León de Aranoa inverte o olhar: agora, analisa a situação pelo ponto de vista de um dono de empresa, com todos os vícios e crimes insistentemente denunciados pelas orientações políticas do cineasta.
Quando o identitarismo é reconhecido por suas qualidades, o maior ganho está na representatividade!


A despeito das tensões provocadas pela variante Delta do CoronaVírus, muito mais transmissível e ainda insuficientemente estudada, as cerimônias de premiação artística retomam um ritmo quase normal: na primeira quinzena de setembro de 2021, dois importantes eventos aconteceram, o Festival de Cinema de Veneza e o VMA – Video Music Awards, promovido pela emissora MTV. Em ambos, os discursos de representatividade foram bastante exortados…
A ameaça mais que visível, em chave recorrente: quem acusa? Quem se defende?


Mesmo que “O Homem Invisível” não seja a obra revolucionária de terror hodierno que alguns apregoam, a total ruptura em relação à trama original é digna de nota mui elogiosa. Em verdade, exceto pelo título wellsiano, não há mais nada em comum com o enredo clássico: o que interessa ao diretor é denunciar a invisibilização das mulheres que denunciam agressões
Ponto para o cinema libanês – ainda que nem sempre as boas intenções sejam suficientes


Recebedor do Prêmio do Júri no Festival Internacional de Cinema de Cannes, em 2018, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e merecedor de inúmeras láureas internacionais, “Cafarnaum” foi um dos filmes mais elogiados no ano em que foi lançado. Entretanto, o roteiro desta obra é defeituoso justamente pela celeridade pretendida na resolução dos árduos conflitos trazidos à tona.
