“Tu jurarias, para mim, que manterás a tua fé, a despeito de qualquer pressão?”: não é apenas sobre religião!


Ao longo dos cento e vinte e nove minutos de duração do filme “Silêncio” (1971, de Masahiro Shinoda), acompanhamos demorados e impressionantes processos de tortura, como o instante em que uma esposa é amarrada num poste, enquanto o seu marido é enterrado no chão, prestes a ser pisoteado por um cavalo. Noutro momento, praticantes locais do cristianismo são crucificados numa praia, em meio à maré crescente, até que sejam completamente cobertos pelas águas. Crentes de que despertarão no Paraíso, após a morte, eles cantam, não obstante o sofrimento. Testemunhando o martírio destas pessoas, Sebastião começa a refletir sobre os motivos para o silenciamento de Deus…
“Eu estava muito ocupada. Por isso, desenhei em cinco minutos”, ou: o que esperar de um novo ano?


De que adianta ficarmos quantificando os filmes que vemos, os livros que lemos, ao invés de efetivamente apreciá-los? Tudo bem que, na maior parte das situações, isso advém de exigências externas, vinculadas ao agendamento midiático. Mas… Será mesmo que não dispomos de outras opções procedimentais, na execução daquilo que nos compete funcionalmente, em obrigações hebdomadárias, como a desta coluna, por exemplo? No filme “Look Back” (2024, de Kiyotaka Oshiyama), há uma situação em que uma personagem reclama que está entediada de tanto conceber mangás: “passo o dia inteiro desenhando-os e, mesmo assim, estou sempre longe de terminá-los. Prefiro voltar apenas a lê-los!”. Mais uma vez, não é casual que as interrogações estejam tão abundantes neste texto: elas converter-se-ão em ações.
“Pode-se conhecer as pessoas de diversas maneiras, além do sexo” (qual o seu filme favorito de 2021?)


No mesmo ano em que realizou “Drive My Car” (2021), Ryûsuke Hamaguchi recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cinema de Berlim por seu longa-metragem anterior, “Roda do Destino” (2021), subdivido em três episódios independentes, em que as coincidências relacionais também determinam o tom emocional. Para o diretor, as conseqüências dos encontros sexuais são bastante relevantes, de modo que, apesar de seus enredos se destacarem pela ternura, há também manifestações traumáticas em seu escopo.
“Eu não tenho direito a uma segunda chance?”: eis a chaga aberta do cancelamentismo!


O filme “Cartas de Amor” (1953) foi um dos primeiros filmes japoneses a ser dirigido por uma mulher. Kinuyo Tanaka (1910-1977) estreou como diretora após ter voltado de uma viagem aos EUA, onde esteve como embaixadora da cultura nipônica. Foi bastante criticada por seus compatriotas após o seu retorno, sendo acusada de imitar hábitos estrangeiros e, por motivos óbvios, tudo isso está contido nas entrelinhas melodramáticas de seu ótimo filme.
Sobre a vida, via cinema, quando tem que ser! (um libelo nipônico)


Célebre por suas habilidades pictóricas, Akira Kurosawa elaborava a fotografia de seus filmes como se fossem verdadeiros quadros, mas não descuidava dos elementos significativos dos roteiros, que comumente exaltavam uma ternura sobressalente, uma confiança desmedida no ser humano. E é isso que percebemos em seu derradeiro filme: “Madadayo” (1993).
