“Eu não posso te amar se eu não conseguir te admirar”, diz ela; para ele, basta “fazer sexo todas as noites”…


Baseado num romance homônimo de Philippe Djian, publicado em 1985, “Betty Blue”, expõe a progressiva degradação psicológica da personagem-título, que, em sua obsessão compulsiva por Zorg, enlouquece, após alegar que “a vida está contra ela”. Como o filme é narrado por Zorg, Betty torna-se uma coadjuvante em seu próprio enredo, objetificada, condenada a servir de musa alucinada para o namorado, cujas habilidades para a literatura são finalmente reconhecidas. Consultando-se a biografia do autor, notamos algumas convergências quanto ao que acontece a Zorg. Betty, assim, converte-se na metonímia ideal da “ex louca”, que muitos homens heterossexuais utilizam para justificar atitudes impetuosas ou pretensamente traumáticas. Betty, por sua vez, é sufocada – literalmente!
