Por fora, o embate; por dentro, a simbiose. Ou o dilema de um gênio, para além da apoteose de sua criatura…


Nesta entrevista, o diretor é confrontado por uma das perguntas mais recorrentes (e mal-intencionadas) de sua vida: “quem é mais importante, José Mojica Marins ou Zé do Caixão?”. Como se fosse possível dissociar um de outro, e vice-versa. Para atender aos propósitos fílmicos, José Mojica Marins, o personagem, responde que ele, o criador, seria o mais importante. Será o pressuposto para uma brilhante persecução entre criatura e criador, num roteiro com múltiplos pontos de fuga horroríficos.
A liquidação do Estado brasileiro


A leitura que podemos fazer a partir do primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro é que o Brasil está à venda. Todo ele. Infelizmente, para os defensores do Estado Social, o que se apresenta é um projeto de Estado gestado pela iniciativa privada e que não tem nenhum compromisso com políticas sociais. O que […]
Paraty Patrimônio Mundial


promover a defesa das populações da beira-mar, como a população dos manguezais, bem como o próprio eco-sistema do mangue, tudo ameaçadas pela ação da Brascan.
“Apesar das vicissitudes, quando tu morres, triunfas enquanto idéia”: uma reflexão sobre a vida


Embasado numa estrutura inicialmente simples (e barata), “A Rosa Azul de Novalis” possui como imagem de abertura um ‘close-up’ anal: enquanto lê de ponta-cabeça, a fim de submeter-se a uma exigência médica para suprir a sua carência de vitamina D, Marcelo Diorio, que é soropositivo, desnuda-se para a câmera. Não apenas fisicamente, mas existencialmente, identitariamente: busca uma cumplicidade com os espectadores que, não raro, redunda em escândalo.
Para além das láureas merecidas e (pré-)indicações aguardadas, visibilidade feminina importa!


Numa genial demonstração de pleno controle de sua ‘mise-en-scène’, o cearense Karim Aïnouz eventualmente faz com que a trama seja atropelada por efeitos sonoros perturbadores, explosões cromáticas deslumbrantes e efeitos de montagem sobremaneira elaborados em suas implantações elípticas. O pendor melodramático apresenta-se de maneira pós-moderna, maneirista, onipresente mas não centralizada, como ocorre nos clássicos norte-americanos…
Onze meses de “ele não!”: alienar-se é também um gesto de proteção e/ou resistência?


Não obstante assumir-se como palmeirense, o presidente Jair Bolsonaro posou com a camisa do Flamengo em mais de uma oportunidade, no afã por angariar atenção quanto à sua perfídia continuamente transitiva. E, ao fazê-lo, conseguiu obnubilar inúmeras pautas criminais em aberto, além de investigações envolvendo os seus correligionários.
Diferentes metragens rizomáticas para o afeto: ou de como, em Política, o Amor importa – e muito!


Quando finalmente foi libertado, após quinhentos e oitenta dias de prisão injusta, o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva declarou: “aos 74 anos, meu coração só tem espaço para o amor, porque o amor vai vencer neste país”. É a esperança que os filmes citados nesse texto emulam!
No comando o poder económico e o interessado judiciário brasileiro


No meu retiro aqui em Portugal para fazer o Doutorado em Filosofia, tenho tido tempo para conhecer outras histórias do mundo. Explico, sem a necessidade de explicar, que a opção do Doutorado no exterior foi para expandir o conhecimento e, principalmente, em função do processo seletivo das Universidades brasileiras. Por lá se não for amigo […]
Interstício confessional – ou do abandono (aparente) quando ocorre o inevitável



Na conjuntura política atual, torna-se um ato de pura resistência subversiva voltarmo-nos para a genialidade de Jerry Lewis: conhecido por seu mau humor fora das telas e pelos rompantes atrozes de depressão, ele era um verdadeiro mestre da ‘mise-en-scène’ diante das câmeras, além de criar um tipo muito peculiar de interpretação cômica que ressignificava a noção dostoievskiana de idiotia
Interstício confessional – ou do abandono (aparente) quando ocorre o inevitável



Na conjuntura política atual, torna-se um ato de pura resistência subversiva voltarmo-nos para a genialidade de Jerry Lewis: conhecido por seu mau humor fora das telas e pelos rompantes atrozes de depressão, ele era um verdadeiro mestre da ‘mise-en-scène’ diante das câmeras, além de criar um tipo muito peculiar de interpretação cômica que ressignificava a noção dostoievskiana de idiotia
De volta ao começo: por onde anda o Trabalho Decente no Brasil?


A cena já é corriqueira no Brasil: em meio ao trânsito de carros, um ciclista passa apressadamente com um grande isopor preso às costas. É um entregador de comida a domicílio, um “uberizado”, ele está trabalhando. Ele não é empregado do restaurante, não é empregado de quem fez a encomenda e nem da empresa responsável […]
Manter vegetação nativa no Brasil rende R$ 6 trilhões ao ano


Os 270 milhões de hectares de vegetação nativa preservados em propriedades rurais – entre áreas desprotegidas e de Reserva Legal – rendem ao Brasil R$ 6 trilhões ao ano em serviços ecossistêmicos, como polinização, controle de pragas, segurança hídrica, produção de chuvas e qualidade do solo. O cálculo foi publicado na revista Perspectives in Ecology […]
…e o Sertão continua a mandar gente para lá: uma homenagem ao aniversário de nascimento de Graciliano Ramos (1892-1953)


Publicado originalmente em 1938, o breve romance “Vidas Secas” impressiona pela crueza de seu relato e pela grandiosidade de seu estilo, cujo pendor regionalista é uma das marcas registradas de seu autor, o alagoano Graciliano Ramos (1892-1953). Logo no primeiro capítulo, “Mudança”, a contagem de seres viventes baixa de seis para cinco: o papagaio é morto para servir de refeição ao famintos. O afeto é suprimido pela necessidade de comer desde as páginas iniciais…
Resistir


Resistimos porque resistir é o que faz a América desde a invasão dos europeus.
A sintomatologia do medo enquanto decorrência societal: apontamentos sobre o terror brasileiro hodierno


Adotando, de maneira perspicaz, comentários analíticos sobre a conjuntura social circundante, “Morto Não Fala” é um filme que não resvala em clichês gratuitos: a onipresença oportunista de igrejas neopentecostais, os conflitos violentos entre traficantes e os adultérios fortuitos justificam os sustos contínuos a que os espectadores são submetidos durante a sessão.
O retrocesso advindo da Reforma Trabalhista no Brasil


O Congresso Nacional brasileiro aprovou, em 2017, uma série de mudanças na legislação trabalhista, a que se chamou Reforma Trabalhista. Ocorrida com a sanção da Lei nº 13.467, de 2017, almejada pela classe empresarial por décadas, a Reforma Trabalhista foi, sem dúvida, a maior alteração das regras trabalhistas já efetuada no Brasil e representou um […]
Lançado Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher


A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) lançou o edital da primeira edição do Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher” e convida as Sociedades Científicas Afiliadas a enviarem indicações de cientistas brasileiras destacadas de instituições nacionais até o dia 31 de outubro de 2019. O prêmio é um estímulo à produção científica de […]
Ensino Domiciliar: avanço ou retrocesso na gestão democrática da escola?


A proposta de ensino domiciliar no Brasil parece contemplar uma aspiração antiga das famílias mais ricas, que terão condições de contratar bons professores para acompanhar seus filhos, com o objetivo de formar um sujeito que esteja de acordo com os valores familiares próprios de cada lar. Essas famílias, além de serem formadas, em sua maioria, […]
Em reação a um disco: a arte redefine os nossos troféus diuturnos de autocomiseração!


Apesar de breves inconstâncias, este disco imiscui-se desde já entre os grandes lançamentos musicais do ano: “Planeta Fome” é exuberante e contundente, tanto quanto a cantora singular – e de voz única – que o batizou!
Porque é cada vez mais importante falar sobre Bacurau!


Como este texto advém de uma revisão crítica sobre o filme, recomenda-se que ele seja lido por quem já assistiu ao mesmo, dado que aspectos centrais do enredo serão analisados, sob um prisma que está longe de esgotar o debate, visto que o filme pode (e deve) ser apreendido sob múltiplas perspectivas.
