“Os branquelos adoram ‘blues’, mas não gostam de quem criou esse tipo de música”, ou de quando o filme mais indicado não é precisamente o favorito…

O título do filme “Pecadores” (2025, de Ryan Coogler), confirmando uma predicação do pastor Jedidiah, possui interessante conotação crítica, no sentido de que a religião imposta como falsa apaziguadora de conflitos surge como motivação para as atitudes dos vilões, sendo mui representativo o instante em que Samuel, a fim de livrar-se de um ataque vampiresco, começa a rezar o Pai-Nosso, e surpreende-se ao perceber que o agressivo Remmick (Jack O’Connell), de origem irlandesa, completa a oração, dizendo que este foi o ensinamento que os invasores de seu povo impuseram-lhe à força. Que este personagem seja um vampiro perseguido por nativos indígenas e desejoso de apropriar-se da musicalidade negra é algo deveras significativo!

As promessas discursivas do Oscar – Parte II: análise depois da cerimônia

Houve bastante insatisfação em relação ao premiado na categoria principal, afinal não de todo imerecido. Não era o melhor dentre os indicados nem muito menos o mais relevante, mas obedece rigorosamente a uma certa cartilha de adequação genérica. A cerimônia é famosa justamente por não excluir as tendências formulaicas: rendeu-se à previsibilidade um tanto anódina deste premiado, mas também abriu portas (ou “pontes, ao invés de muros”) em relação a categorias antes bastante excluídas ou desprivilegiadas.