“Eu estava muito ocupada. Por isso, desenhei em cinco minutos”, ou: o que esperar de um novo ano?


De que adianta ficarmos quantificando os filmes que vemos, os livros que lemos, ao invés de efetivamente apreciá-los? Tudo bem que, na maior parte das situações, isso advém de exigências externas, vinculadas ao agendamento midiático. Mas… Será mesmo que não dispomos de outras opções procedimentais, na execução daquilo que nos compete funcionalmente, em obrigações hebdomadárias, como a desta coluna, por exemplo? No filme “Look Back” (2024, de Kiyotaka Oshiyama), há uma situação em que uma personagem reclama que está entediada de tanto conceber mangás: “passo o dia inteiro desenhando-os e, mesmo assim, estou sempre longe de terminá-los. Prefiro voltar apenas a lê-los!”. Mais uma vez, não é casual que as interrogações estejam tão abundantes neste texto: elas converter-se-ão em ações.
“Não entregue o jogo, para mim, de bandeja”: no amor e no sexo, o empate é o melhor resultado!


Aproveitamos a deixa dos Jogos Olímpicos de 2024 para recomendar um dos filmes unanimemente inseridos entre os melhores lançamentos do primeiro semestre do ano em pauta, “Rivais” (2024, de Luca Guadagnino). De nossa parte, referendamos a empolgação: o filme é magistral, justamente por demonstrar que, por detrás de uma competição evidente, há muitas entrelinhas emocionais…
Temos um Melhor Filme do Ano? (Um texto enquanto despedida subjetiva – ao menos, por enquanto)


Nas mais de três horas de duração de “RRR: Revolta, Rebelião, Revolução”, o espectador não tem tempo para ficar entediado: o filme é tecnicamente irrepreensível e fascinante em suas pulsões genéricas assaz exageradas. As intervenções musicais são acachapantes e os momentos de embate são estrondosos: o filme é superlativo em termos fotográficos, sonoros, directivos, actanciais e discursivos (vide o modo imponente como a bandeira indiana surge, em mais de uma seqüência). Os efeitos visuais são esplêndidos – havendo um aviso inicial de que os animais que aparecem em cenas de lutas foram inseridos digitalmente. Trata-se de uma grata surpresa, que, no momento em que escrevo estas linhas, configura-se como o melhor filme contemporâneo visto em 2022.
Voltemos sempre aos clássicos. Pois hoje é o dia em que vivemos: eis onde encontra-se alguma eternidade…


Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza, “A Grande Guerra” (1959, de Mario Monicelli) surpreende pelo modo tragicômico como retrata alguns eventos relacionados à Primeira Guerra Mundial [1914-1918], com foco no penúltimo ano do conflito e, obviamente, em território italiano.
Esquecido


Houve uma altura em que me senti sozinho… Foi aqui há muitos anos – mais de 20 –, quando de repente fiquei sem chão… A história não é muito complicada – se contada; vivida, a história – literalmente – é outra. A importância dos outros na nossa vida não deve ser encarada de ânimo leve, […]
O Natal e a Amizade


A amizade, tal como outros sentimentos profundos, não é quantificável nem definível nem observável. Pertence àquela rara classe de interações humanas que todos sabem do que se trata, mas cuja tradução em palavras estará sempre incompleta.
