Diz-se que quando não se aprende pelo amor, aprende-se pela dor…

A humanidade tem uma particular apetência pelo segundo método de aprendizagem; basta que se atenta nas grandes mudanças no mundo: todas elas acarretaram sofrimento para uma maioria…

Tanto assim é que um dos paradigmas reinantes no nosso mundo, muito por culpa das religiões, é que o sofrimento faz parte deste mundo e que lhe é impossível escapar. Será mesmo assim?

Acredito que o sofrimento seja inevitável, porque todos sofremos por esta ou aquela razão; mas isso é muito diferente de dizer que viemos a este mundo para sofrer ou que para chegar à felicidade, primeiro, temos de penar.

Acho que esta forma de ver as coisas é o resultado da observação empírica da própria História. A História mostra-nos – não nos prova acima de qualquer dúvida, porque aquilo que faz é demonstrar o que aconteceu – que antes das grandes evoluções passámos por grandes tormentos. E é desta dinâmica que nasce o falso axioma que diz – de forma grosseira – que é assim que tem de ser, porque é assim que tem sido…

Há uma história sobre cinco macacos e uma jaula…

Cinco macacos estavam presos numa jaula e, no meio da jaula, estava um escadote com um cacho enorme de bananas. Sempre que um dos macacos começava a subir o escadote, os outros eram atingidos com um jacto de água fria. E assim foi acontecendo até que os macacos, fartos da água fria, começaram a agredir o macaco que tentava chegar às bananas… O tempo foi passando até ao dia em que, fartos da água fria e das agressões, todos os macacos deixaram de tentar chegar às bananas. Foi então que se resolveu trocar um dos macacos e, – claro está – assim que este viu as bananas foi até ao escadote; mas acabou espancado pelos outros e, em pouco tempo, desistiu das mesmas. O tempo passou-se e todos os macacos foram sendo substituídos, um por um, recebendo dos restantes o mesmo tratamento sempre que se dirigiam ao cacho de bananas. Algum tempo depois, na jaula, continuavam cinco macacos, mas já nenhum pertencia ao grupo original, eram todos macacos diferentes, e nenhum tinha sido atingido por um jacto de água fria; ainda assim, todos espancavam o primeiro que fosse às bananas. Se eles falassem, e alguém lhes perguntasse por que razão se comportavam assim, provavelmente responderiam que sempre assim fora…

E é assim o nosso comportamento com a História…

Também Einstein dizia que se nunca fizermos as coisas e outra maneira nunca poderemos esperar resultados diferentes…

O desafio, para quem estiver interessado, é questionar a História; especular sobre como teria sido se o nosso comportamento ou decisão tivesse sido diferente. De que interessa isso?

De nada, de facto; a História está fechada e consumada. Mas se o objectivo do estudo da História é aprender com ela, não deveríamos testar hipóteses – o melhor que conseguíssemos – e apurar o que teria acontecido se…?

Há muita gente, por exemplo, que especula sobre o que teria sido se Hitler tivesse conseguido desenvolver os seus aviões a jacto mais cedo; outros que se perguntam como teria sido se os EUA não tivessem desenvolvido a Bomba Atómica. Dirão: isso é coisa para ficção científica …

Talvez. Há até um livro «O Homem do Castelo Alto», de Philip K. Dick, que retrata um mundo em que os Alemães e os Japoneses dividiram o mundo após a 2ª Grande Guerra… O que querem de mim?

Afinal sou escritor e a minha imaginação deixa-se levar por estas coisas…

Mas a que propósito vem isto?

Não sei ao certo… Mas estou perplexo com este regresso à «Nova Normalidade»… Parece-me que – mais uma vez – se está a querer fazer o que se costumava fazer, apesar de já não se verificarem as condições que o permitiam… Parecemos os macacos na jaula, só que em vez de nos defendermos de um jacto de água fria que já não existe, acreditamos numa segurança ambiental e sanitária que já não há.

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