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Preciso de ti

Preciso de ti

Não conseguem fazer nada sozinhos, não conseguem decidir nada sozinhos, não conseguem estar sozinhos. São passivos, cabisbaixos e evitam toda e qualquer responsabilidade. Nem sabem se tem uma opinião sobre este ou aquele assunto. Não confiam em si, por isso se agarram a outros. São o paradigma do pessimismo. E pode tudo ser resultado de negligência ou pior, abuso de longa duração. Alguém exposto a autoritarismo desde muito cedo e durante muito tempo também corre perigo de se tornar assim. E a ansiedade pode ser herdada. Não há a instabilidade emocional de outras personalidades, nem a impulsividade. Há uma dependência, sempre presente, daí a Perturbação de Personalidade Dependente.

Podem ir muito longe para receber o conforto que precisam, dando muito de si em troco de muito pouco, com um comportamento de submissão. Podem ser vítimas de outras personalidades, funcionando como extensões destas, sem identidade própria. Também podem ser incapazes de se moverem, se não forem puxadas. Nessa forma inerte, nada fazem, nem por si nem pelos outros.

Precisam de outros, precisam de alguém. Podem perder essa pessoa, e ficam com uma necessidade imperiosa de voltar a ter alguém. Arranjam alguém, numa ilusão que acaba defraudada. É quase uma anulação de si, para serem guiadas por qualquer outra pessoa que apareça e que exiba possíveis capacidades para lhes tirar o ónus da escolha.

A sociedade tem muito desta dependência de decisores, de alguém a quem seguir. Não se trata do conceito do Homem acima de todos, virtuoso e forte, publicitado pela banda desenhada e, por extensão, a televisão e o cinema (e também por certos regimes políticos inspirados por filósofos que não compreenderam ou fingiram não compreender). Trata-se de quem assuma a responsabilidade, de quem decida e arque com as consequências do resultado. A sociedade é dependente de quem as guie, não sabe ser de outra forma.

A generalidade das pessoas não quer ocupar determinados lugares, por vários motivos, mas muito porque não se querem incomodar com deveres e obrigações. Isto acontece com gente com muita capacidade, mas que prefere assumir um papel de dependente, com uma crítica ténue e em círculos sociais pequenos. Nem sempre corre bem essa postura. O problema é que muita gente sem capacidade também não quer lidar com as responsabilidades e faz por ocupar os lugares destinados aos melhores. Depois, quem decide mal raramente assume a responsabilidade disso. A Personalidade Dependente, nas suas más escolhas, paga pelos erros dos parceiros escolhidos. As consequências ficam para quem foi subordinado, que lhe entregou esse poder, pela ilusão de ter um ser extraordinário que os levará para uma vida melhor. Nós, nesta sociedade, muitas vezes escolhemos ficar dependentes. Depois disso, queixamo-nos muito.

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