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O Vazio e o abandono

O Vazio e o abandono

É um dos padrões mais destrutivos que se pode ter, este que envolve ter-se uma Perturbação de Personalidade Borderline. Há uma instabilidade emocional de reações muito fortes. Todas as relações são curtas, absolutamente românticas no seu início e completamente insatisfatórias logo a seguir, com um caos pelo breve tempo que separa o começo e o termo. São ciclos rápidos de idealização e desvalorização, como se tudo e todos fossem objetos para esta procura interminável e que não tem nada de existencial.

 

Colocam-se intencionalmente em risco e não tem qualquer objeção em experimentar tudo e mais alguma coisa que possa ser novidade e trazer uma emoção. São muito mais vulneráveis às emoções ditas negativas, que parecem ser sempre mais duradouras que as emoções mais prazerosas.

 

Sentem-se num vazio permanente, que é central ao seu funcionamento. Também central é o medo do abandono, possivelmente por situações passadas de trauma desse tipo ou outro. A identidade não se define, daí as frequentes alterações de visual, que podem chegar ao mais excêntrico que se possa imaginar.

 

Fazem mal a si. Fazem mal aos outros. E não conseguem controlar. Não deixa de haver uma certa intenção e ação de manipulação na sua forma de estar, mas também há sofrimento que não pode ser negligenciado. Mas quem muito sofre é quem lhes é próximo, no meio de um turbilhão que é impossível compreender. E depois vem as depressões, a anorexia nervosa, o comer sem parar, o consumo de drogas, a mudança sucessiva de parceiros sexuais. Comportam-se como se fosse impossível haver uma saciedade. Na sua interminável insatisfação, podem acabar por desistir, parando no tempo ou terminando a sua vida.

 

Há pais que desistem. E irmãos que abdicam. Há mães que se mantém ali, apesar de toda a dor de ver alguém que não constrói nada e parece, muitas vezes, não ter qualquer empatia por aqueles que sofrem com a destruição causada.

 

Talvez seja o exponente máximo daquilo que todos somos emocionalmente. Depois de cumprida uma qualquer atividade ou objetivo a que nos propomos, esse vácuo fundamental expõe-se e partimos para nova viagem, à procura de algo que nos distraia, seja pelo romance, seja pela atenção intensa à volta de uma qualquer construção. Pintamos, construímos, esculpimos, escrevemos, compomos, dançamos, sempre à procura de uma satisfação. Procuramos realização, pela concretização de algo para os outros ou para nós. Continuamos e não vamos parar. E isso é bom. Talvez o mundo humano exista como o conhecemos porque nos ocupamos de todas as formas para escapar do vazio e do abandono. E porque temos a esperança de o conseguir. Todos temos um vazio do qual fugimos ou nos queremos distrair. A diferença é que não desistimos de perseguir e não nos mutilamos quando não conseguimos concretizar algo.

Não convém olhar muito para o “abismo”, já dizia Nietzsche, a estas personalidades estão sempre a fazê-lo.

 

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