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O poder da expressão autêntica

O poder da expressão autêntica

Num mundo cada vez interconectado, onde as palavras fluem ainda mais rapidamente através de canais convencionais e, máxime, pelos meios digitais, o poder das palavras é inegável. Com efeito, na era da globalização e da digitalização das relações económicas e socias, as nossas expressões tanto podem elevar quanto destruir, unir como separar. 

Adicionalmente, é imperativo ressalvar que duas pessoas que compartilhem o uso da mesma linguagem podem criar situações comunicacionais inteiramente díspares, haja vista as distintas intenções, contextos e vivências inerentes aos respetivos interlocutores. Ou por outra, as palavras podem ser moldadas e reinterpretadas de múltiplas maneiras, dependendo de quem as emprega e as interpreta.

À vista disso, primordialmente, será mais acertado abordar questões relativas aos outros apenas com a sinceridade como premissa. Por outro lado, diante do impulso de prejudicar, será mais sensato nada dizer. Sem embargo, não devemos excluir a possibilidade de expressar opiniões sem necessariamente tecer elogios, bem como guardar silêncio sem que se presuma a maledicência.

De facto, é importante recordar que a probidade não se limita a uma dualidade de elogiar ou calar-se. Verdadeiramente, há momentos em que podemos transmitir as nossas opiniões com sinceridade, mesmo sem louvar ou desconsiderar, e contribuir para uma troca fecunda de ideias de forma civilizada. 

No mais, o diálogo genuíno, permeado de autenticidade, é um caminho para o crescimento mútuo. Note-se que, na atualidade, não só os recursos naturais estão sob pressão, como também a tensão se tem generalizado e atingindo muito especialmente as pessoas. Neste contexto, a velocidade da comunicação, particularmente digital, associada ao imediatismo e à impulsividade, só agrava a situação, sendo imprescindível cultivar a ponderação. 

Por conseguinte, é de suma relevância que reflitamos sobre o impacto das nossas palavras antes mesmo de pronunciá-las ou registá-las por escrito. i.e., antes de emitir os nossos juízos de valor, é importante considerar as nuances do contexto, as diferentes perspetivas e, acima de tudo, a dignidade da pessoa humana, enquanto princípio basilar das sociedades contemporâneas.

À guisa de conclusão, as palavras são dotadas de potência influenciadora que conectam as pessoas e moldam a realidade compartilhada. Ou melhor, numa análise sistemática de algumas reflexões de Jorge Luís Borges, designadamente em “Funes, o Memorioso” e “Pierre Menard, autor do Quixote”, as palavras são um fio invisível que une os seres, através de uma relação intrínseca que estabelecem com a memória das pessoas e destas com a comunidade, num ato sempiterno.

Referências

Borges, J. L. & Nejar, C. (Tradutor). (1999). Obras completas de Jorge Luís Borges – volume 1. São Paulo: Globo.

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