O Batman os super-heróis e os humanos que nada fazem

O Batman os super-heróis e os humanos que nada fazem

Heróis são pessoas especiais?

Nós nos acostumamos a ver os heróis como homens e mulheres diferentes da maioria

Por serem especiais podem fazer coisas que a maioria não faz.

Um dos primeiros super-heróis dos quadrinhos, o Superman, nem é desse planeta!

Nos quadrinhos, há poucos super-heróis que não tem poderes extraordinários, por exemplo, Batman e Arqueiro Verde, no universo DC e seus correspondentes na Marvel, o Pantera Negra e o Gavião Arqueiro. Porém Batman, Arqueiro Verde e o Pantera Negra tem uma outra condição especial, um outro superpoder. Como bem disse Ben Affleck no filme A Liga da Justiça, eles são ricos! O Gavião Arqueiro não é rico, mas foi patrocinado por Tony Stark, outro milionário que usou sua fortuna para se transformar no Homem de Ferro.

Na ficção todos os super-heróis têm poderes, tenham eles sido dados por um sol amarelo, uma explosão atômica, uma aranha radioativa, pelos deuses ou pelo dinheiro.

Mas se os super-heróis poderosos tivessem sempre que enfrentar a criminalidade comum dos meros assaltantes de bancos, seu sucesso não duraria muito. É preciso então criar inimigos à altura dos poderes dos heróis ou então inserir neles alguma fraqueza, que os torne vítimas até dos inimigos mais comuns. Isso transforma suas histórias em aventuras repletas de desafios a serem vencidos com muita dificuldade.

Pessoas comuns dão conta de problemas comuns, e super-heróis, de super problemas

Na vida e na prática isso também pode justificar a posição comodista dos que nada fazem em relação às mudanças que a sociedade precisa. Basta alterar a categoria de uma peleja comum para um desafio supremo e tirar o corpo fora. Como não são super-heróis, podem se sentar e somente assistir, eventualmente aplaudir, porque são apenas pessoas comuns.

Mas a famosa frase “Fiz a minha parte”, não me convence desde que descobri que a definição de qual é a “minha parte” é quase sempre estipulada pelo próprio autor da frase. Preguiçosos, alienados, descompromissados, comodistas, sempre fazem a “sua parte”, que nunca é suficiente para resolver os super problemas que estão além de sua condição de pessoa normal.

O quão difícil é admitir e ver que super-heróis estão, de fato, entre pessoas comuns porque, apesar de serem comuns, se engajam em alguma causa e fazem alguma coisa.  Pessoas comuns, na peleja diária, agem, atuam, alteram, se frustram e tentam novamente. São os heróis de mil faces de Joseph Campbell, seguindo cotidianamente na sua jornada.

Mas se considerarmos que elas, pessoas comuns que agem, atuam e não limitam seus próprios esforços com falsas desculpas, são os super-heróis, o que sobra para as que nada fazem? Como classificá-las? O que há abaixo da classificação de pessoas comuns?

Por mais milionários que alguns sejam, os heróis endinheirados apenas colocaram seus recursos à disposição de causas mais nobres do que o simples desfrutar da vida, e se para eles isso é mais fácil, não é mais nobre do que a mãe solteira que sustenta a família com faxinas diárias, repartindo o que ganha com a vizinha desempregada com quem ela deixa seus filhos nas horas das faxinas.

Por mais comuns que sejamos, sempre será mais fácil imitar o Batman do que o Superman.  Só é preciso disponibilizar nossos recursos.

Ser herói também é para os fracos!

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