Todos os dias somos bombardeados com informações sobre a pandemia da Covid-19, e, no momento, sobre eficácia e segurança das vacinas. O movimento antivacina não é recente, já no século XIX, as alegações de mortes em decorrência das vacinas e a recusa em tomá-las estava presente. Mas, as mídias sociais amplificaram o alcance desses movimentos e o Facebook conduz um estudo sobre as dúvidas de seus usuários quanto as vacinas. Um projeto que busca compreender como se propagam as ideias que contribuem para a hesitação vacinal. [1]

As mídias sociais são fontes primárias de informação em questões de saúde pública para milhões de pessoas. As declarações falsas sobre vacinas foram proibidas pelo Facebook, mas, o projeto não trata apenas de identificar esse domínio, e, sim, aqueles comentários que se mantém em uma zona cinzenta.

Cada vez mais a linha que separa a liberdade de expressão e o potencial de danos é mais tênue. Alguns posts inicialmente identificados como desinformação, como aqueles que demonstram preocupações quanto aos efeitos secundários das vacinas, podem funcionar como um fomento ao debate e contribuir tanto para o conhecimento das autoridades de saúde quanto para o aumento da hesitação vacinal.

O que demonstra que nossas preocupações quanto à liberdade de expressão em um mundo digital são cada vez mais fundamentadas. Se aliarmos a essas preocupações mídias sociais com menor possibilidade de controlo de seus conteúdos, como o WhatsApp, o jogo das informações e de seu conteúdo torna-se ainda mais complexo e de difícil solução. Os algoritmos de software da companhia devem aprender a lidar com essa tensão. Mas é inegável que o efeito de eco-chambers está presente e pode causar reais danos em algumas comunidades.

Cada vez mais estou convencida de que a literacia informacional é uma necessidade para todos nós que navegamos no vasto oceano de informações. A literacia em seu sentido tradicional é a habilidade de ler e escrever, mas a literacia informacional é a capacidade de reconhecer quando a informação é necessária e ter a capacidade de avaliar, identificar, organizar e usar efetivamente a informação necessária.

Já ouvimos diversas vezes a expressão “a era da informação”, no sentido de uma explosão de fontes e de informação em si no século XXI. Mas é preciso ir além, não basta o acesso a essa imensidão porque ela não nos torna cidadãos bem informados, é preciso equipar as pessoas com as habilidades críticas que as ajudarão a se tornar aprendizes independentes durante toda a vida e capazes de transpor as barreiras existentes.


[1] https://www.washingtonpost.com/technology/2021/03/14/facebook-vaccine-hesistancy-qanon/

Foto D.R. Miguel Ugualde / de FreeImages

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