A pandemia da Covid-19 revelou como estamos interconectados e ignorou fronteiras, nacionalidade, gênero, níveis educacionais ou renda, e, sem dúvidas mudou a forma como trabalhamos e nos relacionamos. Mas é nos impactos da Covid-19 na educação que hoje dedico essa coluna. A pandemia expôs as desigualdades entre os sistemas educacionais que vão desde o acesso de conexão banda larga até a possibilidade de apoios para as chamadas aulas remotas. Por certo, esses impactos, não foram os mesmos para todos e atingiram os mais vulneráveis com maior gravidade.

O ano de 2020 foi atípico para a educação no mundo. As medidas de confinamento para alguma contenção à transmissão do vírus interromperam a educação convencional em diversos países. O período de fechamento das escolas não foi o mesmo em todos os países e nem o esforço dos gestores por soluções para a manutenção do aprendizado com o uso de recursos como internet, televisão ou rádio.

O Brasil, é um dos países em que as aulas presenciais foram suspensas, e, arrisco a dizer que em maior período quando comparados com os países pertencentes à OCDE. Por certo, muitos dos países membros tem calendários escolares diverso do praticado no país, onde o período letivo se inicia em fevereiro e se estende até dezembro com férias no mês de julho, no entanto a ausência de controlo da pandemia e de um esforço conjunto pela retoma são a causa desse alargado prazo.

A questão é que o fechamento das escolas desnudou e nos fez compreender as divisões sociais ressaltadas pelas diferenças de acesso e uso de tecnologias da informação. Temos a visão de que a ausência de serviços de internet em lugares mais remotos é a principal razão da divisão no uso da internet. No Brasil 42% das residências não possuem computador, e, dentre aquelas que possuem acesso à internet essa não apresenta a qualidade necessária para o acesso às plataformas de ensino à distância. Além disso os custos do acesso e equipamentos e ainda a falta de literacia digital tornaram essa solução ineficiente para o ano letivo de 2020.

A desigualdade nos usos das tecnologias da informação carrega marcadores sociais como gênero, riqueza, raça e educação, de modo que observamos uma confluência entre os marcadores da desigualdade digital e aqueles velhos conhecidos marcadores da desigualdade social. Essa fratura pode ser vista como a união de desigualdades – novas tecnologias e antigas desigualdades sociais – mas, também uma possibilidade de avanços baseados na meritocracia alcançados quando combinada a educação e mesmo a capacidade de empreender.

Quando olhamos essa fratura digital por vezes ignoramos o papel fundamental da educação para a divisão entre países inovadores e países não inovadores tecnológicos. A igualdade de oportunidades e a melhora nos sistemas educacionais podem refletir tanto no acesso à tecnologia quanto na inovação tecnológica. Esse é um desafio não apenas em virtude da pandemia, mas, também, na abordagem das origens das diferenças quando tratamos de inovação tecnológica e sua relação direta entre criatividade e seus estímulos pela educação e a inovação.

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