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Ai o drama

Ai o drama

“Olhem para mim, que vou desmaiar” é uma boa frase para descrever. Cai-se devagar para o chão, pousando antes as mãos, pois a segurança é importante para não se magoar. É um exemplo extremo, de um evento factício consequente a uma personalidade que quer atenção. Não precisa de haver admiração, mas tem que se ser importante, de uma qualquer forma distorcida. Pode procurar-se de outras formas que não o drama, embora este seja frequente, por vezes entrando no campo das manifestações que se pensam que identificam uma doença sem verdadeira patologia. Não se pense que toda a gente tenha uma personalidade peculiar, só porque sofra sintomas perturbadores ou ache que tem uma doença sem ter. Pode ocorrer numa personalidade normativa, por qualquer outro motivo.

A terminologia relaciona-se com histeria, que sempre se associou ao sexo feminino, não fosse a origem do termo ser a palavra útero. Mas o tipo de personalidade não é exclusivo das mulheres (e a histeria também não).

A procura de atenção é central ao seu funcionamento. Não se faz apenas pelo drama, apesar de ser uma ferramenta com provas dadas. Também se pode fazer por uma sedução (que pode não passar daí). Usa-se um discurso carregado de subtilezas e sugestões. A linguagem corporal e um vestuário podem condizer mais ou menos com esta procura de uma imagem de se ser desejável. Nos momentos bons, podem mostrar uma vivacidade e entusiasmo, que se transforma numa tragédia teatral quando não se obtém o que se quer. Todos tem que ouvir que a sua vida “é muito difícil”, quando nem tudo lhes corre bem, como querem fazer crer para que reparem em si da forma mais intensa possível. Por isso não tem problemas em recorrer a ajuda profissional, mas fazem-no por ansiedade ou depressão, pois não existe responsabilidade da sua parte no quer que corra mal.

Cansam na sua procura que se faz à custa de terceiros. Não é estranho o uso da atribuição de culpa ou a criação da ideia de obrigatoriedade. Estranhamente, são influenciáveis. Mas que ninguém se deixe enganar, porque o comportamento tem uma grande quantidade de intenção manipulativa. Tem que poder contar com as pessoas que iludem de forma a que estas as coloquem no centro do (seu) mundo. Estes que tem que estar disponíveis para as ouvirem e ajudarem, não se verificando o oposto.

Podem ser pessoas com aparente bom funcionamento social e profissional, mas há sempre a tendência de usar as suas capacidades para colocar a atenção sobre si. A intensidade com que se faz define a gravidade da situação. Pode ser imediatamente óbvio ou perceber-se tarde, depois do envolvimento numa teia de sedução e teatro. Precisam de validação, mais do que admiração, ao contrário dos narcísicos.

A sociedade é rica em figuras públicas com este perfil. Vê-se uma gritaria na televisão, um dissertar nas redes sociais, uma procura de se ter um foco de luz em cima, pelos melhores e piores motivos. Talvez daí venha a expressão “não interessa se é boa publicidade ou má, interessa é que é publicidade”. Há uma superficialidade. Procura-se uma exibição, como se algo de pouco valor e comum pudesse ser representado como precioso e raro.

Grande parte das pessoas dá-lhes o que querem, ao ver os programas, ao escolher os canais, ao comprar as revistas, ao mostrarem que gostam no mundo digital. No meio de toda esta barracada, sonham ser assim também, como se ser famoso fosse mais importante do que se ser realmente bom, com ta

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